Cenário: Um apartamento aconchegante no bairro de Charlottenburg, Berlim, em uma manhã de sábado tranquila. A luz do outono entra suavemente pelas grandes janelas, iluminando a poeira dançando no ar
O cheiro de café fresco e canela preenchia o apartamento espaçoso, mas acolhedor. Tom estava na cozinha, com um moletom azul marinho desbotado e calças de brim, concentrado na tarefa aparentemente complexa de fazer panquecas. Seu rosto, tão conhecido por expressões de frieza e intensidade nas telas, estava suave, os olhos azul-ardósia fixos na frigideira com uma serena determinação.
"Duas já são o suficiente, Liebling", disse uma voz suave e musical vindo da porta.
S/n estava encostada no batente, envolvida em um enorme e confortável casaco cinza de lã que pertencia a ele. Seu cabelo castanho escuro estava em um rabo de cavalo desleixado, e seu rosto estava livre de maquiagem, iluminado por um sorriso afetuoso. Ela observava Tom, seu noivo, com uma mistura de ternura e diversão.
"Duas são para iniciantes", ele retrucou, sem levantar os olhos, mas uma ponta de um sorriso jogou nos cantos de sua boca. "Você teve uma semana pesada na galeria. Precisa de combustível. Eu li que carboidratos são essenciais para lidar com clientes exigentes que não entendem arte expressionista abstrata."
Ela riu, o som ecoando pelo espaço aberto da sala de estar. "Ah, então é prescrito medicamente? Você, Tom Wlaschiha, o chef nutricionista."
"Exatamente. Agora, sente. O espetáculo está prestes a começar." Com um movimento habilidoso, ele virou a panqueca no ar, pegando-a perfeitamente na frigideira. Ele ergueu uma sobrancelha em sua direção, um vislumbre fugaz do Jaqen H'ghar arrogante, mas totalmente dissipado pelo orgulho caseiro em seus olhos.
S/n obedeceu, sentando-se no banco alto da ilha da cozinha. Ela se apoiava nos cotovelos, observando-o. Era nessas horas que ela mais se maravilhava com a dualidade dele. O homem que podia interpretar personagens sombrios e carismáticos, que viajava o mundo para gravações e estreias, era também o homem que insistia em fazer o café da manhã aos sábados, que sabia exatamente como ela gostava do chá (com um fio de mel, não açúcar), e que tinha um talento secreto e ridículo para dobrar meias em pares perfeitos.
"O que há?" ele perguntou, sentindo o peso do olhar dela enquanto colocava uma pilha perfeita de panquecas em um prato.
"Nada. Só estou te observando. Ainda estou me acostumando com isso."
"Com o quê? Minha técnica impecável com a espátula?"
"Com isso", ela disse, abrindo os braços para abranger a cena: ele na cozinha, a pilha de livros de arte sobre a mesa de centro, a planta que eles haviam comprado juntos no mercado das pulgas e que teimosamente sobrevivia, a luz quente da manhã. "Com a normalidade perfeita disso tudo. Com a minha sorte."
Tom colocou o prato na frente dela, depois veio ao seu lado. Ele ergueu a mão e gentilmente afastou um fio de cabelo do seu rosto, seu toque áspero e familiar contra sua pele. Seus olhos, de tão perto, eram um mar de nuances cinza e azul.
"Seu nome", ele falou, seu sotaque alemão suavizando as consoantes de seu nome de uma maneira que fazia seu coração apertar. "A sorte é minha. Você me trouxe de volta para o chão. Você é meu lar."
As palavras simples, ditas com uma convicção tranquila, encheram seus olhos de lágrimas. Ele não era homem de grandes declarações públicas ou gestos extravagantes. Seu amor era mostrado na constância, na presença, no café da manhã feito com cuidado.
Ela pegou a mão dele e a pressionou contra sua bochecha, virando a cabeça para depositar um beijo em sua palma. "Então, sr. chef, seu lar está faminto. Estas panquecas são apenas para exibição?"
Ele riu, um som raro e profundo que ela adorava provocar. "Impertinente. Coma."
Eles comeram, conversando sobre nada e tudo. Sobre a exposição que ela estava planejando, sobre o roteiro estranho que ele havia recebido (um comediante romântico, imagine só), sobre se deviam ou não tentar cultivar manjericão novamente na varanda.
Depois, com a louça lavada e o sol mais alto, eles se aninharam no sofá grande. Tom estava deitado de costas, com s/n deitada sobre seu peito, seu ouvido sobre o coração constante dele. A mão dele traçava padrões lentos e preguiçosos em suas costas, sobre o tecido macio do casaco.
"Sabia que seu coração bate no mesmo ritmo da melodia principal daquela música que tocaram no café onde nos conhecemos?" ela murmurou, sonhadora.
"É verdade?" ele perguntou, sua voz uma vibração profunda em seu corpo.
"Mmm-hmm. Bum-bum, bum-bum-bum. Lembra? O pianista estava tocando 'La Vie en Rose'."
Ele parou de traçar os padrões por um momento. "Eu não me lembro da música", ele confessou suavemente. "Só me lembro de você. De pé perto do balcão, discutindo com o barista sobre a autenticidade do Apfelstrudel dele. Você estava tão apaixonada, tão brilhante. Eu pensei: 'Essa mulher tem fogo'. E eu queria me aquecer nele."
S/n ergueu a cabeça para olhar para ele, emocionada. "Você nunca me contou isso."
Ele encolheu os ombros, um gesto pequeno sob o peso dela. "Algumas memórias são só minhas por um tempo. Para guardar."
Ela se inclinou e o beijou, devagar e docemente. Era um beijo que sabia a café, canela e a promessa segura de milhares de manhãs de sábado pela frente. Um beijo que não era sobre paixão ardente, mas sobre pertencimento profundo.
Quando se separaram, ele descansou a testa na dela. "Fique comigo?" ele perguntou, como fazia sempre, mesmo sabendo a resposta.
"Para sempre", ela sussurrou, a promessa mais fácil que já fizera.
E naquele apartamento em Berlim, envoltos em azul e prata e luz de outono, o ator mundialmente famoso e a curadora de arte encontraram seu palco mais importante: o silêncio compartilhado, o toque casual, o lar construído não em manchetes, mas em panquecas queimadas e beijos matinais. Era uma história de amor simples, comum e profundamente extraordinária. Só deles.
^-^ gente se vocês gostarem eu prometo fazer mais 🙏🏻
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-imagines Tom Wlaschiha-
Romanceeu tô fazendo algumas histórias curtas com o Tom em português ^_^ espero que gostem 🫶🏻
