Depois da guerra, Hogwarts tenta voltar ao normal.
Mas algumas cicatrizes não desaparecem - apenas aprendem a existir em silêncio.
Durante um almoço comum, Harry Potter revela algo que muda tudo: ele não está sozinho. Comprometido com Evan Rosier, u...
Nota da autora Essa história não é sobre apagar o passado. É sobre aprender a viver com ele. Aqui, heróis não são perfeitos, vilões não são simples e o amor não grita - ele fica. Se você acredita que sobreviver também é um ato de coragem, essa história é pra você. ✨
O Salão Principal estava especialmente barulhento naquela tarde. Bandeiras vermelhas e douradas surgiam aqui e ali, conjuradas por alunos animados demais com a proximidade do Dia dos Namorados. Corações flutuavam preguiçosamente perto do teto encantado, que exibia um céu azul-claro salpicado por nuvens suaves, contrastando com o burburinho constante das mesas.
Harry Potter estava sentado à mesa da Grifinória, comendo distraidamente. Ele mal tocava a comida, os olhos vagando pelo salão enquanto escutava apenas metade das conversas ao redor.
- Eu juro, se ele me der mais um sapo de chocolate, eu termino tudo - dizia Lavender, dramaticamente, gesticulando com o garfo.
- Você terminou com ele três vezes essa semana - respondeu Parvati, revirando os olhos.
Harry sorriu de canto, acostumado com aquele tipo de conversa.
- E você, Potter?
A pergunta veio alta demais.
O salão pareceu diminuir um pouco de volume quando Romilda Vane se inclinou sobre a mesa, um sorriso curioso - e um pouco provocador - nos lábios.
- Vai passar o Dia dos Namorados sozinho? - ela perguntou. - Ou finalmente vai chamar alguém pra ficar com você?
Alguns alunos próximos começaram a rir. Outros cochicharam. Ron engasgou com o suco de abóbora.
- O quê? - ele tossiu. - De onde isso veio?
- Ah, vamos lá - continuou Romilda. - O Menino-Que-Sobreviveu, solteiro no Dia dos Namorados? É quase trágico.
Mais risadinhas surgiram. Alguns olhares curiosos se voltaram para Harry, esperando a resposta embaraçada de sempre.
Mas Harry não corou. Não desviou o olhar. Nem sorriu sem graça.
Ele apenas ergueu lentamente a mão esquerda.
O gesto foi simples. Sutil.
Por um segundo, ninguém entendeu.
Então o glamour se desfez.
Como fumaça dourada se dissipando no ar, a magia que ocultava algo desapareceu - revelando um anel de compromisso em seu dedo anelar.
O anel era elegante e profundamente mágico.
A base era de ouro branco polido, gravado com runas antigas tão finas que pareciam linhas de luz, pulsando suavemente. No centro, uma pedra verde-esmeralda profunda, lapidada em forma oval, refletia a luz do salão como se tivesse vida própria. Dentro dela, quase imperceptível, parecia haver um brilho prateado girando lentamente, como uma promessa viva. Pequenos diamantes minúsculos cercavam a pedra principal, lembrando estrelas orbitando um planeta.
Silêncio.
Absoluto.
Harry baixou a mão com calma e finalmente falou:
- Na verdade... - disse ele, com a voz tranquila - eu já sou comprometido.
O silêncio ficou ainda mais pesado.
Garfo caiu. Uma taça quebrou. Alguém arfou alto demais.
- VOCÊ O QUÊ?! - Ron praticamente gritou.
- Isso é brincadeira, né? - Gina perguntou, semicerrando os olhos. - Porque se for, é de muito mau gosto.
- Merlin... - murmurou Hermione, arregalando os olhos enquanto se levantava ligeiramente para olhar melhor o anel. - Esse não é um anel qualquer.
Romilda estava pálida.
- Você... você tá falando sério? - ela perguntou, a voz falhando. - Desde quando?
Harry deu de ombros, um sorriso pequeno, quase cúmplice, surgindo em seus lábios.
- Há um tempo já.
- E QUEM É?! - alguém gritou da mesa da Corvinal.
O burburinho voltou com força total.
- Isso explica muita coisa - comentou Neville, pensativo. - Tipo... você desaparecer à noite.
- EU SABIA! - exclamou Seamus. - Aposto cinco galeões que é alguém famoso.
Enquanto isso, na mesa dos professores, a reação era bem diferente.
McGonagall observava tudo por cima dos óculos, com um brilho divertido nos olhos.
- Eu disse que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde - comentou ela, baixinho.
- A discrição dele é admirável - disse Flitwick, sorrindo largamente.
- E o choque dos alunos... impagável - acrescentou Sprout, rindo.
Snape, encostado na cadeira, apenas ergueu uma sobrancelha.
- Potter sempre teve talento para dramatismo - murmurou. - Mesmo quando não tenta.
De volta à mesa da Grifinória, Ron ainda parecia em negação.
- Você não pode simplesmente soltar uma bomba dessas e não explicar nada!
Harry se levantou, pegando a bandeja.
- Eu não soltei uma bomba - disse ele, divertido. - Vocês perguntaram.
Ele começou a se afastar, mas parou por um instante, olhando por cima do ombro.
- E não - acrescentou - não vou passar o Dia dos Namorados sozinho.
O salão explodiu em vozes.
- HARRY! - VOLTA AQUI! - QUEM É O NOIVO?!
Harry apenas sorriu e saiu, o brilho do anel reluzindo à luz mágica - e deixando para trás o maior mistério que Hogwarts já comentara em anos.
O anel do Harry
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