🌹 - parte 1 - O Anel que Silenciou o Salão

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Nota da autora
Essa história não é sobre apagar o passado.
É sobre aprender a viver com ele.
Aqui, heróis não são perfeitos, vilões não são simples
e o amor não grita - ele fica.
Se você acredita que sobreviver também é um ato de coragem,
essa história é pra você. ✨

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O Salão Principal estava especialmente barulhento naquela tarde. Bandeiras vermelhas e douradas surgiam aqui e ali, conjuradas por alunos animados demais com a proximidade do Dia dos Namorados. Corações flutuavam preguiçosamente perto do teto encantado, que exibia um céu azul-claro salpicado por nuvens suaves, contrastando com o burburinho constante das mesas.

Harry Potter estava sentado à mesa da Grifinória, comendo distraidamente. Ele mal tocava a comida, os olhos vagando pelo salão enquanto escutava apenas metade das conversas ao redor.

- Eu juro, se ele me der mais um sapo de chocolate, eu termino tudo - dizia Lavender, dramaticamente, gesticulando com o garfo.

- Você terminou com ele três vezes essa semana - respondeu Parvati, revirando os olhos.

Harry sorriu de canto, acostumado com aquele tipo de conversa.

- E você, Potter?

A pergunta veio alta demais.

O salão pareceu diminuir um pouco de volume quando Romilda Vane se inclinou sobre a mesa, um sorriso curioso - e um pouco provocador - nos lábios.

- Vai passar o Dia dos Namorados sozinho? - ela perguntou. - Ou finalmente vai chamar alguém pra ficar com você?

Alguns alunos próximos começaram a rir. Outros cochicharam. Ron engasgou com o suco de abóbora.

- O quê? - ele tossiu. - De onde isso veio?

- Ah, vamos lá - continuou Romilda. - O Menino-Que-Sobreviveu, solteiro no Dia dos Namorados? É quase trágico.

Mais risadinhas surgiram. Alguns olhares curiosos se voltaram para Harry, esperando a resposta embaraçada de sempre.

Mas Harry não corou.
Não desviou o olhar.
Nem sorriu sem graça.

Ele apenas ergueu lentamente a mão esquerda.

O gesto foi simples. Sutil.

Por um segundo, ninguém entendeu.

Então o glamour se desfez.

Como fumaça dourada se dissipando no ar, a magia que ocultava algo desapareceu - revelando um anel de compromisso em seu dedo anelar.

O anel era elegante e profundamente mágico.

A base era de ouro branco polido, gravado com runas antigas tão finas que pareciam linhas de luz, pulsando suavemente. No centro, uma pedra verde-esmeralda profunda, lapidada em forma oval, refletia a luz do salão como se tivesse vida própria. Dentro dela, quase imperceptível, parecia haver um brilho prateado girando lentamente, como uma promessa viva. Pequenos diamantes minúsculos cercavam a pedra principal, lembrando estrelas orbitando um planeta.

Silêncio.

Absoluto.

Harry baixou a mão com calma e finalmente falou:

- Na verdade... - disse ele, com a voz tranquila - eu já sou comprometido.

O silêncio ficou ainda mais pesado.

Garfo caiu.
Uma taça quebrou.
Alguém arfou alto demais.

- VOCÊ O QUÊ?! - Ron praticamente gritou.

- Isso é brincadeira, né? - Gina perguntou, semicerrando os olhos. - Porque se for, é de muito mau gosto.

- Merlin... - murmurou Hermione, arregalando os olhos enquanto se levantava ligeiramente para olhar melhor o anel. - Esse não é um anel qualquer.

Romilda estava pálida.

- Você... você tá falando sério? - ela perguntou, a voz falhando. - Desde quando?

Harry deu de ombros, um sorriso pequeno, quase cúmplice, surgindo em seus lábios.

- Há um tempo já.

- E QUEM É?! - alguém gritou da mesa da Corvinal.

O burburinho voltou com força total.

- Isso explica muita coisa - comentou Neville, pensativo. - Tipo... você desaparecer à noite.

- EU SABIA! - exclamou Seamus. - Aposto cinco galeões que é alguém famoso.

Enquanto isso, na mesa dos professores, a reação era bem diferente.

McGonagall observava tudo por cima dos óculos, com um brilho divertido nos olhos.

- Eu disse que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde - comentou ela, baixinho.

- A discrição dele é admirável - disse Flitwick, sorrindo largamente.

- E o choque dos alunos... impagável - acrescentou Sprout, rindo.

Snape, encostado na cadeira, apenas ergueu uma sobrancelha.

- Potter sempre teve talento para dramatismo - murmurou. - Mesmo quando não tenta.

De volta à mesa da Grifinória, Ron ainda parecia em negação.

- Você não pode simplesmente soltar uma bomba dessas e não explicar nada!

Harry se levantou, pegando a bandeja.

- Eu não soltei uma bomba - disse ele, divertido. - Vocês perguntaram.

Ele começou a se afastar, mas parou por um instante, olhando por cima do ombro.

- E não - acrescentou - não vou passar o Dia dos Namorados sozinho.

O salão explodiu em vozes.

- HARRY!
- VOLTA AQUI!
- QUEM É O NOIVO?!

Harry apenas sorriu e saiu, o brilho do anel reluzindo à luz mágica - e deixando para trás o maior mistério que Hogwarts já comentara em anos.





O anel do Harry

O anel do Harry

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