Capítulo 1

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O Retorno do Don

Nápoles estava fria naquela noite. Chuvosa. Hostil.

Como sempre deveria estar quando eu voltava para casa.

O jato particular pousou suavemente na pista privada, ainda dentro do hangar. O cheiro de metal, combustível e poder me recebeu como um velho conhecido. Desembarquei sem pressa. As SUVs do comboio aguardavam alinhadas, motores ligados, homens atentos. Tudo exatamente como deveria ser.

Minha bagagem saiu primeiro. Não esperei. Entrei no carro e a porta se fechou com o som seco de uma sentença sendo cumprida.

Seguimos rumo à mansão.

— Senhor, sua nova assistente está aguardando...

— Agora? — minha voz saiu baixa, controlada. — Mandem levá-la para casa. Amanhã converso com ela.

— Sim, senhor.

Malvino não questionou. Nunca questiona.

A propriedade surgiu entre as árvores como uma fortaleza. Ao cruzarmos os portões, vi um carro deixando o terreno. Reconheci imediatamente: a assistente indo embora. Ou assim pensei.

Paramos diante da entrada principal. Um dos empregados abriu o guarda-chuva. A chuva não me incomodava. Entrei na mansão sentindo o peso do silêncio me envolver.

No hall, senhora Mariana aguardava.

— Seja bem-vindo de volta, Don Salvatore. Sua assistente o espera na biblioteca.

— Eu disse para levarem-na embora.

— Mas eu não posso esperar até amanhã.

A voz veio do corredor.

Doce.

Firme.

Imprudente.

— Em uma hora posso estar morta se o senhor não assinar um único documento. Depois disso, entro no meu carro e vou embora.

Virei-me lentamente.

Não era um anjo.

Era algo muito mais perigoso.

A mulher diante de mim tinha uma beleza que não pedia licença. Ela tomava o espaço. O ar. O controle. O tipo de mulher que não se esquece depois que se olha uma única vez.

E havia uma aliança em sua mão direita.

— O que é tão importante que não pode esperar até amanhã?

— Melissa Livorno. Muito prazer.

Ela segurava uma pasta de couro. Abriu com precisão, retirou os documentos e os estendeu. Peguei-os. Bastou a primeira página para entender.

— Como pode ver... meu chefe me mataria se o senhor não assinasse isso. — o sorriso foi sutil, irônico. — E eu prefiro continuar viva.

Gostei dela.

Talvez porque o chefe dela fosse eu.

— Venha ao meu escritório. Senhora Mariana, duas xícaras de café.

O silêncio entre nós tinha peso.

Ela sentou-se à minha frente. Eu li cada linha, cada cláusula, cada risco. Assinei apenas quando tive certeza.

Quando terminei, já passava dá uma da manhã. Melissa havia saído da sala várias vezes. Esperei que voltasse.

— Desculpe, senhor Salvatore...

Don SalvatoreStories to obsess over. Discover now