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O Thousand Sunny respirava junto com o mar.

Não era um som literal, claro — era algo que só quem passava tempo demais em navios aprendia a sentir.
O rangido baixo da madeira, o balanço constante, o estalar ocasional das velas mesmo quando o vento parecia dócil. À noite, quando a maioria dormia, o navio parecia ganhar consciência própria, como se vigiasse seus ocupantes com paciência antiga.

Robin gostava desse horário.
Não porque fosse romântico — ela jamais pensaria assim — mas porque era silencioso o suficiente para que ninguém fizesse perguntas. O convés superior estava vazio, exceto por uma gaivota distante e o céu limpo, carregado de estrelas. Ela caminhava sem pressa, os passos leves, quase inaudíveis. Sabia exatamente onde ele estaria.

Zoro sempre escolhia o mesmo lugar.
Encostado perto do mastro, afastado das luzes internas, três espadas apoiadas ao lado, expressão fechada como se estivesse sozinho no mundo. Os olhos semicerrados não indicavam sono — Zoro dormia quando queria, e nunca quando parecia. Ele apenas… ficava. Observando. Pensando em nada e em tudo ao mesmo tempo.
Robin parou a alguns passos de distância.

— Você vai continuar fingindo que não me ouviu ou vai me olhar? — perguntou, a voz calma, quase divertida.

Zoro abriu um dos olhos devagar.
— Eu te ouvi — respondeu. — Só tava decidindo se fingia que não.

Ela sorriu de leve. Um sorriso pequeno, contido, que não pedia nada.
— Decidiu rápido.

— Você anda diferente. — Ele virou o rosto na direção dela. — Se eu fingir demais, você vai embora.

Robin arqueou uma sobrancelha, aproximando-se mais um pouco.
— Isso foi um convite?

— Não.

Ela parou ao lado dele, encostando no parapeito do navio. O mar refletia a lua em fragmentos prateados. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. O silêncio entre eles nunca foi desconfortável — era um acordo tácito, tão sólido quanto qualquer promessa jamais dita.

Robin cruzou as pernas com elegância.

— Você não bebeu hoje — comentou.

— Nem você.

— Eu não bebo sempre.

— Eu bebo.

Ela riu baixo, sem ironia.
— Verdade.

Zoro desviou o olhar por um instante. Não gostava quando ela acertava coisas simples demais sobre ele.
Robin tinha esse talento estranho de enxergar o que ninguém mais se dava ao trabalho de notar — não por curiosidade, mas por atenção genuína.

— Veio por quê? — ele perguntou.

Ela inclinou a cabeça levemente.
— Preciso de um motivo agora?

Nada Mais Forte que o Mar.      ZOROBINStories to obsess over. Discover now