Envolta em Sombras

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Uma nova manhã se abria sobre a pequenina cidade do interior chamada Lórus, trazendo consigo a rotina habitual de ruas movimentadas e vozes apressadas. O comércio começava a erguer suas portas de metal ainda rangentes, enquanto mães chamavam pelos filhos e adolescentes de uniforme seguiam, aos grupos, rumo à escola. O cheiro de pão fresco escapava de alguma padaria próxima, misturando-se ao perfume úmido da grama recém-banhada pelo orvalho.

Entre os jovens que caminhavam, destacava-se uma garota de passos leves e olhar distraído. Seus olhos tinham o tom peculiar de âmbar dourado, brilhantes mesmo sob o sol fraco da manhã. Vallery, com seus longos cabelos negros balançando ao vento, segurava os livros escolares de qualquer jeito contra o peito. Usava o uniforme justo da escola, acompanhado de um colar fino com uma pedra vermelha — quase viva, como um pequeno coração pulsando.

Ela estava tão mergulhada em seus próprios pensamentos que não percebeu a aproximação silenciosa.

— Boooom diaaa! — gritou uma voz familiar, pulando sobre seus ombros.

O susto foi tão grande que Vallery praticamente saltou para trás, soltando um grito agudo que ecoou pela rua. Alguns estudantes riram, outros apenas seguiram seus caminhos como se aquilo fosse rotina — e, vindo daquela pessoa, realmente era.

— HANNAH?! — Vallery ofegou, com o coração na boca.

A ruiva gargalhou com vontade, segurando o estômago.

— Você devia ter visto a sua cara, Vallery! Meu Deus, eu vou lembrar disso pra sempre!

Hannah e Vallery eram amigas desde pequenas. Apesar de terem sido criadas em ambientes diferentes, o vínculo delas era sólido — e, segundo Hannah, seus pais eram "importantes", embora ela raramente falasse disso. Vivia longe deles, mas sabia todo tipo de etiqueta que, segundo ela, só serviria se um dia precisasse fingir ser fina.

O contraste entre as duas era gritante. Hannah era pura extroversão — cabelos vermelhos vibrantes, olhos escarlates cheios de vida e um sorriso sempre pronto para aprontar alguma. Já Vallery era mais calma, reservada... e um tanto desajeitada.

Completamente desnorteada pelo susto, Vallery tropeçou nos próprios pés e caiu sentada no chão. Antes que pudesse reclamar, uma mão surgiu em sua frente.

— Você está bem? — perguntou um garoto de voz suave.

Ela ergueu o rosto e encontrou Yuki, com seus olhos gentis e cabelos castanho-claros que sempre caiam um pouco sobre a testa.

— Sim, muito obrigada! — murmurou Vallery, segurando firme o braço dele para se levantar.

— Que bom... Não queria que você se machucasse — respondeu ele, aliviado.

Por um breve momento, os dois ficaram se olhando. Um silêncio confortável caiu entre eles, e Vallery sentiu o rosto esquentar. Mas Hannah, como sempre, surgiu para cortar o clima com a sutileza de um terremoto.

— Você é muito fofo, Yuki!

— A-Ah... obrigado... — respondeu ele, sem saber onde enfiar o rosto.

Visivelmente envergonhado, Yuki se despediu rápido e saiu a passos apressados. Assim que ele se afastou, Hannah entrelaçou o braço no de Vallery, curvando-se para sussurrar:

— Que porra foi aquela?!

— N-Nada! Ele só me ajudou, pronto! — Vallery rebateu, corando ainda mais.

— Aham... sei — disse Hannah, com aquela sobrancelha arqueada que significava eu vou vigiar isso de perto.

As duas seguiram pelas ruas movimentadas, passando por casas simples e comércios pequenos. O caminho para a escola era tranquilo, e os pássaros cantavam suavemente nos fios elétricos.

A Pedra EscarlateStories to obsess over. Discover now