No princípio, havia o vazio. Nem luz nem trevas, nem tempo nem espaço, nem forma nem essência. Era o silêncio absoluto, onde nada existia, e nada poderia existir.
Então, no âmago do Nada, uma centelha de pensamento se formou. Era o primeiro pensamento, a primeira consciência. E ao pensar, Ele percebeu: "Eu Sou."
Assim despertou o Deus Criador. E Seu despertar foi o catalisador de tudo. Pois ao existir, Ele rompeu a quietude eterna e desencadeou a primeira explosão – um grito sem som, um clarão sem luz, a origem do Universo. O Big Bang não foi um ato deliberado, mas a consequência inevitável de Sua própria percepção. O vazio se rasgou, e da ruptura jorrou a primeira luz.
Essa luz era a substância primordial, caótica e pura, contendo em si todas as possibilidades. E do fulgor emergiu um símbolo sem nome, a primeira forma concebida, o conceito original. Ele oscilava entre padrões incompreensíveis, sua forma mutável nunca se fixando, seu brilho pulsando entre extremos. Era a ideia viva da criação e da destruição, a verdade antes das verdades.
E então surgiram os primeiros filhos divinos, forjados na essência desse símbolo primordial. Eles olharam para a imagem e sentiram três impulsos distintos: reverência, pois nela estava o princípio de tudo; temor, pois nela se ocultava o poder de desfazer tudo; e desejo de compreensão, pois nela residia o enigma da existência.
Assim começou o cosmos, regido pelo equilíbrio entre criação e destruição, ordem e caos. E o Deus Criador, ao contemplar Sua obra nascente, viu que ainda havia muito a se revelar.
Das cinzas da explosão cósmica, formaram-se as estrelas e os mundos, cada um refletindo fragmentos do conceito primordial. E em meio ao infinito, um mundo tomou forma, destinado a ser o palco onde o Criador caminharia: a Terra. Sobre ela, os desígnios divinos se entrelaçariam, e a grande narrativa do existir teria seu desdobramento.
