capítulo 1 - Orion

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Orion era um mundo distante de tudo e todos.


Um planeta vasto, jovem e vivo, onde a natureza reinava com uma beleza que parecia impossível.


No horizonte, dois sóis nasciam lado a lado, tingindo o céu com cores líquidas- laranja profundo, vermelho queimado, dourado em chamas. A luz se espalhava pelas montanhas cristalinas, pelas florestas intermináveis e pelos oceanos que brilhavam como um reflexo do próprio universo.


Do alto, bandos de criaturas aladas cruzavam o céu em revoadas lentas, enormes e coloridas, como se tivessem sido pintadas por um sonho. Seus cantos ecoavam por vales e cânions, misturando-se ao som constante das grandes cachoeiras que despencavam em véus prateados.


Onde quer que se olhasse, Orion respirava vida.


Florestas colossais cobriam grande parte do planeta, erguidas como catedrais vivas. Desertos cintilavam com dunas de tons avermelhados. Taigas frias se estendiam silenciosas. Planícies douradas ondulavam ao vento, e vastos mares escondiam ilhas que se moviam com as correntes, mudando de lugar como criaturas adormecidas.


Entre esses biomas vivia um povo em pequenas vilas, espalhado pela natureza. Eram os Cotak, gente de pele marcada pelo sol, passos leves e olhos atentos ao mundo. Para eles, a vida era um ciclo sagrado - cada planta, cada animal, cada respiração carregava valor. Cresciam, aprendiam e partilhavam a terra com respeito silencioso, como quem habita algo maior do que si.


Mais ao norte, longe das selvas densas, as estruturas prateadas de uma cidade refletiam a luz dos dois sóis. Ali viviam os Akans, em ruas tranquilas, entre edifícios que pareciam feitos de vidro e metal polido. Caminhavam sem pressa, sorrindo uns aos outros, como se a paz fosse tão natural quanto o ar que respiravam.


Não havia muros entre esses mundos, nem guerra, nem medo.


Somente uma convivência antiga, construída em equilíbrio - a natureza vasta e intocada de um lado, a cidade organizada e serena do outro.


Orion parecia perfeito.


Quando os dois sóis se puseram, o céu se inundou de auroras que dançavam como rios de luz, descendo sobre as florestas e espelhando-se nos mares. As criaturas aladas recolheram-se em silêncio, e um vento suave percorreu a superfície do planeta, como um sussurro.


Naquele dia, tudo estava em harmonia. E ninguém em Orion imaginava o quão frágil essa perfeição realmente era.


Os passos de Luna Stories to obsess over. Discover now