Sabor dos morangos

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Existiam muitas coisas que irritavam Todoroki porque ele não entendia, mas quando elas envolviam seus sentidos, como o paladar, isso parecia bem mais forte.

Morangos tinham um paradoxo para ele, era tudo muito azedo e não fazia sentido ser a mesma coisa que o sabor artificial; uma hora era sem gosto e a outra com gosto demais.

Mas faria como fazia com seu pai e não chegaria perto, no fim tinha costume de fazer isso.

Os dormitórios estavam barulhentos porque em dois dias seria a festa de natal, e todo mundo arrumava o lugar para isso, a maioria dos alunos passariam a data ali, e principalmente Eri.

Precisavam fazer o primeiro natal dela ser inesquecível, e Shouto também sentia que ia ser especial, porque também nunca tinha comemorado: não tinha humanidade na casa do Endeavor.

Em particular achava que combinava muito com a celebração agora que conhecia a cara dela, ele era na verdade a própria paleta de cores vermelha e branca e também tinha comprado um casaco dessas cores.

Apesar de exagerado, queria fazer tudo direito, ainda não sabia se era demais, mas assim que desceu as escadas, viu que Mina espalhava várias tocas do papai noel, então provavelmente não era problema nenhum.

— Todoroki! — Ela se aproximou sorrindo. — Quer uma vermelha ou uma verde?

Verde era importante no natal? na dúvida escolheu a segunda, té porque tinha ficado viciado nessa cor.

Verde coloria tudo que ele via por causa daquela empatia e carinho exacerbado que sentia por Midoriya, mas que ele não entendia bem. No fim só buscava sempre essa tonalidade, e também procurou o esverdeado pela sala comum.

...ele tinha escolhido a vermelha, e assim podia parecer que estavam combinando.

Colocou a toca estufada no bolso do moletom da escola e observou quem estava organizando um pouco as coisas, mas ainda não parecia ter muito para fazer isso.

— Todoroki! — Kaminari se aproximou e segurou seu ombro. — Quer vir fazer compras com toda a turma?

— Compras?

— Pro natal! É isso ou lavar morangos para o bolo com o Midoriya.

— Midoriya — disse meio sem pensar, mas era o tipo de coisa que saía da sua boca sempre sem querer.

Ao sinal do seu nome, Midoriya levantou a cabeça e acenou, Shouto sentiu um pouco de vergonha e desviou o olhar.

— Ah, então tá. — Kaminari assentiu. — Vou indo.

Ele saiu pela porta e logo depois todo mundo também, o meio ruivo olhou para baixo o tempo todo que se aproximou de Midoriya, que estava no balcão da cozinha desembalando os morangos.

Felizmente não tinham cheiro, e mesmo sentindo raiva deles só ia ficar ali, não ia comer, e não ia ter tempo para o seu ódio.

— Quer ajuda? — perguntou. — O que eu faço?

— Me ajuda a não comer tudo! — Midoriya disse rindo, colocando um na boca e e sorrindo sapeca.

Que bom que ele fechava os olhos para rir, porque Todoroki não conseguiu segurar a expressão admirada que fez o olhando.

— Esses estão maravilhosos!

maravilhosos? os morangos?

Olhou para as três caixas ainda fechadas e puxou uma para se distrair, ultimamente não conseguia administrar os sentimentos incontroláveis, que era piores que até mesmo seu fogo; eles cresciam mais rápido que sua chama desde que Midoriya a reascendeu.

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