Capítulo 1 : Bom dia... Engfa

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Mais informações leia o final do capítulo

Becky:
Bom dia, Cidade Neon!

Freen:
O ar lá embaixo está crepitando com uma voltagem extra hoje. Alguém passou por três setores com tanta intensidade que as câmeras ainda estão apresentando falhas, e os fiscais da empresa ficaram completamente surdos da noite para o dia.

Becky:
Corre nos bastidores o boato de que eles levaram uma carga que nem sequer deveria existir. O tipo de estrago que, sem dúvida, se espalharia por pelo menos três torres de altura.

Freen:
Alguém tentou conversar? Bem... digamos que não estão mais conversando. Resta apenas uma pergunta:

Quem precisava de um silêncio tão ensurdecedor?

Becky:
A elite está em alerta máximo, as ruas prendem a respiração. Quando Neon City fica em silêncio, algo está se esgueirando pelos fios. E esse algo já está perto.

🎧 Você estava sintonizado com Becky e Freen.
Aqui embaixo, a vista é sempre mais clara do que você imagina.
Fique no escuro — e nos vemos na próxima.

A noite estava repleta do canto dos grilos, escondidos na grama alta. A lua cheia adornava o céu escuro como breu, e as estrelas cintilavam como joias espalhadas. A Ursa Maior espreitava por trás de uma nuvem à deriva. Uma brisa fresca roçou a tatuagem em seu pescoço, acariciando a tinta com seu frio.

— Chave de roda!

Ela estendeu a mão em direção ao homem.

— Aqui.

Com rapidez e precisão, ele colocou a ferramenta na mão direita dela.

Engfa não lhe dirigiu um olhar sequer. Agachou-se ao lado do carro, seus dedos encontrando o parafuso certo com facilidade, desrosqueando-o com uma destreza que denunciava incontáveis repetições. Um brilho de luar roçou sua face; seus olhos captaram o reflexo dos faróis. A roda, pendendo lamentavelmente sobre o pneu murcho, parecia quase melancólica.

— Obrigado por ter parado — disse ele, cortando o silêncio, tentando suavizar o ambiente.

Ela não respondeu. Apenas deu um leve ombro.
O metal rangeu, um parafuso tilintou na poeira, e ele se abaixou rapidamente para pegá-lo.

— Mantenha-os juntos para não se perderem — disse Engfa, seca. — E pega o reserva, por favor.

O homem assentiu, guardou três parafusos no bolso e foi até o porta-malas. O interior do carro exalava aroma de couro com um toque de cereja. Ele abriu o compartimento, retirou o estepe sem se importar com a sujeira manchando sua camisa branca. Parecia frágil à primeira vista, mas o peso não o intimidou. Com firmeza, jogou o pneu por cima da borda e o empurrou até Engfa.

Ela afrouxou o último parafuso, removeu o pneu furado e, com um aceno de cabeça, começou a trabalhar no estepe. Silenciosa. Rápida. Perfeita. Como se um algoritmo de sobrevivência vibrasse dentro dela, ativado por um clique invisível.

— Se não fosse por você, eu ficaria preso aqui até o amanhecer — insistiu ele. — O celular está sem bateria, claro, e a cidade fica longe demais, como você sabe.

— Acostume-se — retrucou Engfa, apertando o último parafuso. — Neon City não tolera fracos. Principalmente à noite.

Ela se levantou, enxugando as mãos na calça, e encontrou o olhar dele pela primeira vez. Avaliador. Com um toque de escárnio.

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