Calmaria antes da tempestade

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Estava tranquilo em meu quarto, os raios de sol batiam na minha janela e iluminavam o local.

Eu estava mexendo no meu Twitter, rolando a página

Estava repleta de promoções de eletrodomésticos, roupas, apartamentos e algumas notícias sobre o mundo afora.

— Mas que droga, tô muito entediada — disse a mim mesma, me virando na cama e bagunçando um pouco o cabelo.

Meus olhos passaram por todo o quarto até que chegaram à minha penteadeira. Encarei o relógio, esta tranquilo, ele não deve estar chegando.

Levantei-me rapidamente e, como um vulto, já estava sentade em frente ao espelho. Abri a primeira gaveta: estava repleta das minhas antigas obi de karatê, judô e jiu-jitsu.

Todas eram aulas caras, pagas pelo meu pai.

Não me leve a mal: eu adoro lutar, gosto de arrebentar a cara dos filhos da puta, mas eu odeio o motivo pelo qual meu pai quer que eu as pratique.

Passei a mão por elas, tateando em busca de algo. Encontrei a passagem para a retirada do fundo falso.

Abaixo de tudo isso me encontrei no paraíso: diversas marcas de maquiagem, algumas até bem caras. Bases, pó, iluminador, delineador, lápis de olhos, coisas incontáveis, mas uma me chamou mais a atenção: meu batom favorito.

Me encarei no espelho: tenho leves olheiras, rosto liso e bem cuidado, cabelo curto e preto, assim como meus olhos puxados, combinando com minha camisa térmica preta de gola alta, junto com minha calça cargo com detalhes em vermelho.

Eu gosto do que vejo, mas tudo pode melhorar.

Com o rosto devidamente limpo, comecei com primer e base, no meu tom exato. Logo em seguida, apliquei corretivo para esconder as olheiras, pó (não esse) para selar , um leve blush, um pouco de lápis nos olhos e, por fim, meu favorito: um batom vermelho forte.

Eu sou Jae-Yoon de verdade agora.

Peguei meu celular, que estava parado ao canto, e uma jaqueta vermelha com capuz que estava secando na cadeira. Como um profissional, comecei minha sessão de fotos: selfies, fotos no espelho, algumas até sugestivas demais

mas não tenho culpa de ser uma delícia, não é?

Selecionei as melhores: uma selfie sorrindo e outra no espelho. Porém, uma me chamou a atenção. Era uma foto do meu rosto mais de perto, eu limpava meu batom borrado com meu dedo médio e anelar, como se me olhasse na câmera. Acho que tirei sem querer, mas ficou boa pra cacete. Essa eu vou guardar é imprópria demais para o meu perfil.

Selecionei as melhores e postei nos meus stories, algumas no feed.

Então chequei as DMs, o mesmo de sempre: umas pessoas dando em cima de mim, perguntando a marca da maquiagem, perguntas de finanças e dúvidas sobre o curso.

Isso é engraçado.

Meu pai se acha o dono da razão e o mais esperto, mas eu vendo um curso sobre finanças e administro um Instagram com mais de 150 mil seguidores bem debaixo do nariz dele.

Chequei meus novos seguidores, e uma conta me chamou a atenção.

“Usuárioarburk”

Uma conta nova. Ok, isso não é estranho, contas fakes vivem me seguindo, mas... essa parecia estranha, meu sexto sentido apitava.

Talvez seja meu pai?

Afasto esse pensamento de mim. O velho não sabe nem usar um forno direito, quem dirá criar um fake no Instagram.

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