"Na tarde de ontem, 09 de novembro de 2014, uma operação policial saiu do controle no Complexo da Coruja, Rio de Janeiro. Tiros ecoaram pelas vielas e o cheiro de pólvora, misturado à fumaça das casas queimadas tomou conta do ar. Mais de duzentas mortes foram confirmadas, um massacre. Um pesadelo real e brutal."
Li as pequenas letras do jornal enquanto o sino da igreja badalava, anunciando o velório de mais um defunto.
Padre Tadeu Afonso Rocha!
O chão pareceu sumir e o mundo ficou mudo por um instante. Era eu, presa nessa confusão que chamamos de vida.
Na guerra criada pelo sistema quem perdia éramos nós, sem saber quem era ameaça e quem era vítima. Cada passo aqui na favela precisa ser medido e cada respiração calculada porque nunca se sabe de onde e quando uma bala poderia te atingir. Infelizmente o padre não soube prever o milésimo seguinte.
E agora eu sentia que meu ar se perdia a cada tentativa de entender.
Padre Tadeu foi quem me acolheu quando era eu, Lucas e Rafael brigando por um pedaço de pão atrás da igreja. Antes dele, éramos só três crianças soltas na rua, procurando comida, calor, qualquer coisa parecida com afeto. Sem pedir nada em troca, ele nos deu nome, teto, roupa, livros e o mais absurdo de tudo: pertencimento.
Não sei explicar quando exatamente nós três nos conhecemos na rua, mas sei com certeza quando viramos uma família; no dia em que o anjo Tadeu apareceu e agora ele nos deixava ali, sozinhos.
— Ise… — a voz quebrou, senti um toque no meu ombro. Não precisei virar para saber que era o Rafael. Dava para reconhecer ele pelo jeito que o mundo diminuía quando ele se aproximava.
Quando virei, os olhos dele estavam cheios, a respiração curta, como se estivesse tentando ser forte por mim. Rafael sempre fazia isso, guardava a dor e me oferecia abrigo.
Lucas estava atrás dele, com o olhar perdido e os braços encolhidos ao corpo, como se tivesse voltado a ser o menino que dormia em cima do papelão. Sensível, silenciado pelos próprios medos. O nosso caçula.
De repente éramos nós três de novo, três órfãos sem um lugar no mundo.
— O que a gente vai fazer agora? — Lucas sussurrou, como se qualquer volume maior pudesse desmoronar o pouco que restava de nós. — A gente vai ser jogado de volta pra rua?
Rafael olhou para mim, confuso, eu sabia que a resposta dele dependia da minha.
Naquele instante, eu entendi que não era só sobre perder o padre. Era sobre perder o futuro que ele acreditou por nós.
Engoli o medo e endireitei o jornal sobre os joelhos.
— A gente fica junto — falei, com uma convicção que não vinha de mim. — Sempre.
Padre Tadeu nos ensinou que amor não era ter, era cuidar e agora, sem ele… Nós três só tínhamos uns aos outros, mesmo que sem perceber que já havíamos perdido a nós mesmos.
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Lembrando que cada um é livre para imaginar como quiser, mas caso te ajude deixo aqui como imagino
2025 - 11 anos depois
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Annalise Rocha Trindade 23 anos, cursa jornalismo •••
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Paulo Rafael Rocha (Rael) 24 anos •••
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Lucas Gabriel Rocha (painho) 23 anos
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• Não terão dias para postagens, espero que gostem!