A noite de crepúsculo

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꒱🌑 Conexão no ar
strangers to lovers

Eu jamais poderia imaginar que minha cidade — tão pequena como aquela — pudesse se tornar tão escura e sombria em uma única noite de crepúsculo. Não fazia ideia de que, naquela mesma noite, minha vida mudaria completamente.

Nunca fui o tipo de pessoa que tem uma vida fácil. A minha não é horrível, apenas… suportável. Meus pais me deram um nome diferente — Kim Seo-yeon — e até gosto dele, mas detesto o fato de sempre ter que soletrá-lo, como se fosse um nome raro demais para existir. Moro na extremidade da Coreia do Sul. Não sou rica, mas também não sou pobre — apenas alguém comum, de classe média. Minha vida sempre foi assim: simples, equilibrada, perdida entre o comum e o extraordinário, entre a luz e o tenebroso.

POV Seo-yeon

-06:00 AM-

BEEP! BEEP! O despertador não parava, estridente, como se estivesse determinado a me arrancar da cama à força. Nem chegamos à metade do ano e eu já havia mudado de escola duas vezes - insuportável. - Eu estava exausta com tantas mudanças, como se cada nova rotina drenasse um pouco da minha paciência.
— Filha, acorde! Ou vai se atrasar para a nova escola. — a voz suave do meu pai ecoou do outro lado da porta.
Meu pai sempre foi assim: gentil, mas com uma autoridade que ninguém ousaria desafiar.
Levantei-me com lentidão, os olhos ainda pesados de sono. Caminhei até a porta e a abri, revelando meu reflexo em miniatura: cabelo desgrenhado, roupas amarrotadas e expressão aborrecida. Ele riu levemente e me deu um tapinha no ombro.
— Prepare-se, o seu dia vai ser longo. — disse, com um sorriso que misturava humor e carinho. Ri de volta, ainda meio sonolenta. Em poucos minutos, eu já estava pronta.

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-06:40 AM-

Terminei de me arrumar em poucos minutos. Fiquei diante do espelho, observando-me com um olhar avaliador. Eu estava agradável, pensei, e um pequeno sorriso se formou. Era verão, e o calor já se fazia presente — vesti a camiseta de manga curta do uniforme e a saia que chegava até os joelhos.
Com cuidado, penteei meus cabelos longos e prendi uma presilha em formato de laço, cravejada por pequenas pedras brilhantes no lado direito da cabeça. Aquele detalhe simples dava um toque de charme que, por algum motivo, me fazia sentir um pouco mais confiante.
Peguei minha bolsa — leve, quase simbólica — e caminhei até a porta do quarto, sentindo o peso de mais um começo.
Atravessei o corredor e encontrei meu pai na cozinha. Ele estava de costas, concentrado no fogão, e por um instante senti vontade de congelar aquele momento. Ele sempre tentava me agradar, e aquilo bastava para aquecer meu coração.
Quando se virou, sorriu e me guiou até a mesa.— Vamos tomar um café da manhã reforçado, ok? Sua escola é pertinho, então não precisa ter pressa. — disse, com aquela voz calma, carregada de cuidado.
Soltei um riso leve — eu me sentia tão amada. Assenti e comecei a comer, saboreando cada pedaço do café da manhã, tentando não pensar no que o novo dia traria.

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-18:40 PM-

O dia passou como um borrão — novas pessoas, novos professores, novo uniforme. Mas, no fundo, nada realmente novo. Eu já estava acostumada a viver em constante mudança de cidades, embora nunca tivesse entendido o motivo por trás disso. Meu pai sempre dizia que era “para o meu próprio bem”, e eu simplesmente aceitava.
O sol se punha lentamente no horizonte, tingindo o céu com cores indecisas — nem dia, nem noite. Meu relógio marcava 18h42 quando ergui o olhar. O crepúsculo estava deslumbrante.
Foi então que ouvi. Passos lentos, ritmados, como se cada um fosse cuidadosamente calculado sobre o chão da rua deserta. Olhei à frente, curiosa, e vi um rapaz alto — assustadoramente charmoso. Dei um passo à frente, tentando enxergar seu rosto com mais clareza. Era um rosto marcado, de traços intensos; olhos sombrios e vazios; pele pálida como a neve; cabelo escuro como um buraco negro. E, ainda assim, ele era terrivelmente atraente.
Aproximei-me com cautela, o coração acelerando a cada passo. Senti uma estranha conexão — algo entre o medo e o fascínio. Estava assustada? Nervosa? Eu não sabia dizer.
Ele permaneceu imóvel, os olhos fixos em mim. Aquele olhar profundo fez um arrepio percorrer minha pele. Confusa, decidi passar reto — aquilo era assustador demais para continuar ali nem por mais um segundo.
Mas, de repente, senti um toque gelado em meu pulso. Meu corpo parou em choque, e me virei bruscamente, o medo tomando conta.— Ei! Me solte! — exclamei, a voz vacilando.
O rapaz segurava meu braço com firmeza. Ele havia sido rápido — demais. Algo nele era... diferente. Seus olhos ainda me fitavam, intensos, e por um momento pareceu que ele estava prestes a me atacar. Mas então hesitou. Algo em seu olhar mudou, como se tentasse compreender o que sentia.
"Ele sentiu a mesma conexão que eu?" — pensei, o coração pulsando forte. O tempo pareceu parar. Fiquei ali, encarando aqueles olhos vazios, esperando — por uma resposta, por uma palavra, por qualquer coisa.

Ele não respondeu. Apenas me olhava, como se tentasse decifrar algo invisível entre nós. Seus olhos, agora menos sombrios, refletiam a luz tênue do crepúsculo.A respiração dele era silenciosa, quase inexistente — e ainda assim, eu sentia o frio que emanava de seu toque percorrer cada nervo do meu corpo.
— Por favor... — murmurei, sem conseguir sustentar o olhar por muito tempo.
Então, lentamente, ele soltou meu pulso.O gesto foi contido, cuidadoso, como se o simples ato de me tocar tivesse exigido um esforço enorme. Afastei um passo, mas meus olhos não conseguiam se desviar dos dele. Havia algo ali — algo que me chamava, mesmo quando tudo dentro de mim gritava para correr.
— Não deveria andar sozinha a essa hora — disse ele, por fim, a voz baixa e rouca, soando quase como um aviso.
Engoli em seco.— E você? — perguntei, tentando soar corajosa. — O que faz aqui, sozinho, no escuro?
Um pequeno sorriso curvou os lábios dele — um sorriso frio, enigmático.— Eu não sou exatamente o tipo de pessoa que... descansa durante o dia.
Meu coração parou por um instante. A maneira como ele disse aquilo...Havia algo errado, algo que fugia da lógica, e mesmo assim parecia irresistivelmente atraente.
Antes que eu pudesse reagir, ele deu um passo à frente — silencioso, preciso. Senti o vento mudar. O ar ficou pesado.O céu já não tinha cor; o crepúsculo morria, e a noite finalmente nascia.
Ele olhou para o horizonte e depois de volta para mim.— Vá pra casa, Seo-yeon. — disse meu nome como se já o conhecesse há muito tempo. E, antes que eu pudesse perguntar como sabia, ele desapareceu — não correu, não caminhou... simplesmente sumiu, como se tivesse se desfeito no ar.
Fiquei parada, paralisada, ouvindo apenas o som do próprio coração batendo alto demais.O relógio marcava 18h59, e o último traço de luz havia desaparecido.

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Entre Luas e DesejosWhere stories live. Discover now