Prólogo

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Narrador POV

O céu de Los Angeles estava escurecendo com o fim do pôr do sol. Os tons alaranjados já adquiriam uma mistura entre o lilás e azul mais escuro. Sofia encarava o céu através da fachada de vidro de sua sala, na sede da Starlife.

O prédio tinha uma vista para o mar, que se encontrava um pouco mais a distância. Dali, era possível observar o píer de Santa Mônica ao longe. Sofia sempre admirava como no início das noites, as luzes do parque avivavam o ambiente, como um lembrete de que sempre há luz na escuridão – assim ela preferia interpretar.

Starlife era a empresa que Sofia havia fundado há 7 anos. A rede se consolidou mundialmente, com franquias espalhadas por diversos países. A empresa representava uma rede de centros de saúde e bem-estar integrado, que unia as diversas variantes quem envolvem o bem-estar de uma forma individualizada. A ideia de Sofia partia do princípio de que o bem-estar é tanto físico quanto emocional e espiritual, desse modo, o centro deveria abordar esses 3 princípios básicos.

Cada centro da Starlife contava com acompanhamento psicológico; academias de musculação, luta e outros tipos de treinamentos metabólicos – desde treinos compactos a treinos que poderiam durar horas; aulas de yoga e meditação guiada; SPA's com tipos diversos de terapias holísticas; setores de alimentação saudável e acompanhamento nutricional; além de outras atividades. Como tudo isso era guiado individualmente?

Com o auxílio de profissionais da área de saúde e bem-estar, Sofia desenvolveu um questionário único, feito exclusivamente para rastrear as necessidades de cada indivíduo. Esse questionário é respondido diariamente por cada integrante da Starlife, desse modo, o indivíduo é guiado para o acompanhamento pertinente de acordo com o resultado de seu questionário diário.

A princípio, a ideia parecia complexa demais e de difícil aplicabilidade. E começou ali em Los Angeles, até entrar nas trends mais famosas, atraindo atenção de celebridades. Hoje, a Starlife é difundida mundialmente como revolucionária no bem-estar e Sofia Starling é a cabeça por trás de tudo. Mas hoje, nem mesmo as luzes do píer de Santa Mônica acalmam a inquietação de Sofia.

- Não sei, Amandinha. Estou cansada. – Sofia fala ao celular. Ela exala pesadamente, vendo seu próprio reflexo no vidro da fachada.

Mesmo com o cansaço aparente, Sofia consegue manter sua postura impecável. Seu reflexo parece ter saído direto de uma revista da Forbes. O terninho claro bem acinturado e o cabelo preso em um coque baixo, evidenciando sua imponência sem necessidade de muitos acessórios.

- Aconteceu novamente? – Amanda responde, indagando.

- Não. Já não acontece há um tempo, mas mesmo assim fico apreensiva. – Responde com a voz arrastada, quase um desabafo exalado.

- As mensagens também pararam?

- Desde o divórcio, tudo parou. Mas ainda assim eu sinto como se tivesse que andar muito atenta. Eu... Estou cansada de andar olhando por cima do ombro, apreensiva. – Continua o desabafo com o mesmo tom cansado.

- O que o Gabriel te disse? – Amanda pergunta do outro lado da linha.

- Depois de me fazer questionar todas as decisões da minha vida, ele sugeriu que eu encontrasse uma forma de me sentir mais segura. – Sofia responde, passando a mão sob os nós do seu trapézio, sentindo a tensão acumulada.

- E você? – Indaga, o tom levemente divertido.

- Eu vou aceitar sua sugestão. Me passa o contato da agência de segurança privada. – Responde decidida, mas a resposta sai mais rápido do que deveria.

- Finalmente. – Amanda comemora do outro lado da linha.

- Não sei se é a melhor escolha para mim, mas depois da consulta de hoje, nenhuma escolha parece certa.

- O Gabriel sabe quais botões apertar. – Afirma em tom de divertimento.

- É. Ele é o único homem que eu confio no momento. – Confessa.

- O único homem que você confia é o seu terapeuta... Isso não é nem um pouco problemático. – Zomba.

- Cala a boca, Amandinha. E me manda logo o contato da agência. – Sofia responde, com irritação.

- Tudo bem, foi mal! – Responde, deixando escapar um sorriso. – Ah, eles trabalham com seguranças mulheres, como você solicitou. – Completa.

- Obrigada, Amandinha.

- Sem problemas, Sof. Se cuida. – Responde e encerra a ligação.

Sofia permanece olhando seu reflexo no vidro, contrastando com as luzes do píer de Santa Mônica. Solicitaria uma segurança particular na expectativa de se sentir mais segura, mas faria questão de que fosse uma mulher. Não sabe se seria uma boa escolha, mas não havia problema em tentar. Tudo para se sentir um pouco mais segura.

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