O Livro: A Máscara de Vidro
Capítulo 1: O Brinde Vazio A névoa úmida envolvia o Penhasco da Névoa, lambendo as janelas góticas da sala de jantar como um animal faminto. Lá dentro, a mesa de mogno para o 60º aniversário de Lívia Volkov era um espetáculo de prata e cristal, mas a atmosfera era de gelo. Victor Volkov, o patriarca, apertou o nó da gravata, incomodado pelo silêncio opressor. Ao seu lado, a cadeira de Lívia estava vazia. O bolo de quatro andares aguardava o corte; as garrafas de champanhe Dom\ Pérignon gelavam. Eram exatamente 21h30. "Isto é ridículo," Victor sibilou, dirigindo-se mais ao lustroso prato vazio do que aos presentes. "Quinze minutos de atraso no próprio aniversário? Ela adora pontualidade mais do que ar respirável." Sofia Volkov, a filha, revirou os olhos e sorveu seu vinho, impaciente. Sua tensão não era apenas pela mãe ausente; era palpável, como se estivesse segurando um copo rachado prestes a quebrar. "Talvez ela tenha finalmente tido uma crise de bom senso e fugido da sua ditadura, pai." "Controle-se, Sofia," repreendeu Mateus Brandão, o advogado e amigo de longa data. Mateus era a calma na tempestade, embora seus olhos castanhos, geralmente gentis, estivessem inquietos. Ele olhava para a porta da cozinha repetidamente, como se esperasse que Lívia reaparecesse com um sorriso forçado. "Tenho certeza de que ela está apenas se arrumando." Um ruído arranhou a garganta de Elias Sampaio. O primo distante, convidado de última hora, estava sentado na ponta, parecendo deslocado em seu terno barato. Sua presença era a maior ofensa da noite para Victor. "Talvez ela não esteja 'se arrumando', Mateus," disse Elias com um sorriso ligeiramente amargo. "Talvez ela tenha tido um motivo. Um motivo urgente." O comentário fez Victor encarar Elias com fúria. "Mais uma palavra, Sampaio, e você volta para o buraco de onde saiu." De repente, a porta da sala de jantar se abriu. Não era Lívia. Era Helena, a governanta pálida. "Sr. Volkov," a voz dela era um sussurro trêmulo, mas ecoou na sala. "Eu não a encontro. Revirei a ala dos quartos, o escritório... O segurança diz que ela não saiu da propriedade, mas o carro dela... o Bentley preto... as chaves não estão onde deveriam." Um silêncio ensurdecedor caiu sobre a mesa. O único som era o rugido distante do oceano. Victor se levantou, mas não com a fúria que todos esperavam. Ele estava petrificado, a máscara de frieza caindo. "O que você quer dizer com as chaves não estão?" Sofia, porém, foi a primeira a agir. O medo se transformou em histeria. "O quê? Não! Ela não faria isso! Ela não me deixaria com ele!" Ela apontou para Victor e começou a chorar incontrolavelmente, um soluço gutural que mal parecia humano. Mateus tentou acalmá-la, mas seus olhos estavam fixos na cadeira vazia de Lívia. Ele se lembrou da última conversa com ela, poucas horas antes: “Mateus, se eu desaparecer, diga a Victor que o segredo não morrerá comigo.” Elias Sampaio apenas observava. Seu sorriso desapareceu, substituído por uma expressão de satisfação gélida. Ele pegou seu copo d'água, brindou ao assento vazio e disse, quase para si mesmo: "A Máscara de Vidro finalmente se quebrou." O desaparecimento não era um mistério de quem a levou. O mistério era por que e, mais importante, o que ela sabia. O jogo de suspense e drama havia acabado de começar. Deseja que eu continue a história a partir daqui, focando na chegada da polícia e nas primeiras mentiras de cada personagem?
