Já fazia alguns dias que Zoey a encarava.
Duas semanas, para ser mais exata.
Bem, não que ela estivesse obcecada ou coisa do tipo, mas aquela garota era muito bonita, de uma forma impossível de ignorar.
Zoey havia chegado à escola nova ha pouco tempo, e até agora, ela tinha zero amigos, então sempre passava os intervalos comendo sozinha ou escutando alguma música aleatória.
Mas uma garota em específico se destacava. Ondas leves, rosas e longas eram uma de suas característica mais marcantes, além do porte alto e sua postura perfeita. Ela era inconfundível, não só pela graciosidade que andava.
E Zoey gostaria muito de falar com ela, de dizer como a admira e como ela sempre parece estar tão elegante e no controle da situação.
Mas ela não ia fazer isso.
Porque, dã? Ela sequer sabia o nome da garota, a única coisa que podia afirmar a seu respeito era que ela era do terceiro ano.
Como raios poderia chegar nela?
O toque do sinal invadiu o ambiente, obrigando todos os alunos e professores procurarem suas respectivas salas, que passariam lentamente durante quatro períodos, até finalmente o horário de almoço.
Ser uma novata em uma escola coreana era realmente... Intenso. Era tudo muito diferente.
Não que ela considerasse isso algo ruim, mas a sua adaptação não estava sendo uma das melhores, assim como seu sotaque.
Zoey falava devagar, exceto quando alguém dava algum espaço para ela falar o que gostava.
As palavras saiam atropeladas e carregadas de sotaque estrangeiro, o que na cabeça dela afastava mais as pessoas do que atraía.
Talvez fosse por isso que ela ainda não havia encontrado um amigo.
Mas tudo bem, certo? O ano ainda estava no começo, os grupos sendo formados e, ou seja, mais chances de encontrar alguém. Não é o fim do mundo estar sozinha por enquanto.
Até porque, ela sempre podia contar com duas coisas, seus fones de ouvido, que sempre a acompanhavam para onde quer que fosse, e o caderno, onde podia anotar, desenhar ou colar o que sentisse vontade.
Era uma espécie de diário pessoal, nada demais.
Ficar os intervalos seria entediantes se não passasse pelo menos vinte minutos encarando a tal menina que sequer sabia o nome.
Ela tinha algo. Havia algo que despertava sua curiosidade, como se ela fosse uma espécie de imã invisível que puxava e o olhar de Zoey fácil até demais.
Era algo estranho.
No fundo, elas não eram muito diferente. A garota vivia sentada com seus fones que atravessavam sua cabeça e geralmente com uma maçã ou outra fruta na mão. Quando o sinal soava, ela se levantava e ia para a sala. Todos os dias. Sozinha.
As pessoas não pareciam reparar nela. Era como se fosse um rosto perdido, ou simplesmente uma garota-invisível cujo o único papel naquela escola seja ser uma figurante.
Mas era diferente com Zoey, porque ela a notou no mesmo dia que entrou. Seus olhos a encontraram e desde então não conseguiu mais desviar.
Mas isso não importava agora. Ela precisava ir para a sala antes que alguma supervisora lhe desse uma passagem à diretoria, com uma advertência de cortesia.
Os fones altos somados a escola que era (muito) grande, memorizar todas as salas era realmente difícil, então não foi nada difícil ela simplesmente se perder lá dentro.
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Vejo Você Com Outros Olhos (Zoemira)
RomanceAs vezes, o sentimento nasce na escuridão. Zoey observa Mira e percebe que sentir é mais importante do que ver. "É mais fácil fantasiar com uma história que você pode controlar. [...] São os únicos lugares onde eu não sou uma figurante. Onde eu sou...
