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Eu me lembro da primeira vez que vi Hwang Hyunjin.
Mesmo há tantos anos atrás, era uma memória fresca, como se eu revivesse todos os dias ao acordar. Não era uma história da qual eu sentia orgulho de recordar a cada segundo da minha existência. Em agosto de 1989, estava eu sentado no parapeito da janela, olhando para a paisagem nada agradável daquela cidade que seria meu lar temporário. Nunca tinha visto um lugar com tão pouca gente, ou com tantos bares e casas noturnas, digo, Port Hope só tinha UM hospital, mas que diabos de cidade.
Eu havia chegado naquele lugar perdido em meio ao Ontário há 2 semanas, mais ou menos, e nunca estive tão fodidamente infeliz. Não que fosse horrível morar com tia Betty, mas uma pessoa que saiu de Toronto e foi parar diretamente no fim do mundo não sabia lidar com o silêncio.
Era domingo, beirava às 15:30, o calor era insuportável, tanto que eu mal suportava ficar com a minha camiseta edição limitada de Christine, o melhor filme já criado pelo homem. O dia seguinte seria o fim das férias de verão, e teria que me obrigar a frequentar o colégio de lá. Eu era contra aquela ideia, já que logo, logo eu iria voltar para Toronto, mas meu pai insistiu que seria melhor estudar naquele meio tempo, porque o processo da guarda seria extenso.
Eu tinha 15 anos, quase 16, um moleque revoltado com a vida e com o fato de que os meus pais estavam, enfim, se separando, então meu comportamento era lamentável, digno de uma criança triste e desamparada. Ao menos notei quando tia Betty entrou no quarto do último andar.
— Querido — chamou ela — Tem um sol lindo lá fora, por que não sai um pouco? Você nem conhece a cidade.
— Não tô afim. — eu respondi, sem tirar os olhos da movimentação vizinha no bairro de sobrados simples e árvores verdes.
— Você pode sair fazer alguns amigos por aí. — ela se aproximou, logo ficou ao meu lado, tentando enxergar o que eu tanto olhava — Tem um fliperama no centro, perto da farmácia, saia um pouquinho.
— Eu não gosto muito de jogos, tia Betty. — disse eu, num sorriso pequeno, com o rosto tomado da mais falsa paz.
— Bem... Então pode ir à praça, a vizinha tem um filho da sua idade, vocês podem fazer algo. — Betty comentou, mas desistiu quando viu o desinteresse na minha cara, então, ela suspirou - Ou eu te empresto os livros do seu primo, já que ele tá na faculdade.
— Pode ser. — sorri, tentando fugir o mais rápido possível daquela conversa.
Em Toronto, eu costumava ter um pequeno grupo de amigos. Joshua, Thiago e Jinzheng, moradores antigos de Chinatown e meus amigos mais próximos. Estudávamos juntos desde crianças, andávamos de skate e desenhávamos nas paredes da periferia. Eu sentia falta de todos eles, e queria mais do que tudo voltar para minha cidade e morar com meu pai, um estrangeiro coreano que adorava literatura e navios de guerra, fazia coleção de miniaturas, e coleções de livros e coleções de desenhos que eu fazia quando era menor.
Antes daquilo tudo acontecer, Felix Lee até era uma criança alegre, mas a adolescência destrói sonhos e os meus eram só algumas divagações bobas sobre família feliz.
Assim que tia Betty me entregou o velho livro de The Long Walk, Stephen King, 1979, eu corri para o jardim, me sentando embaixo da árvore longa e cheia de folhas que me protegiam do sol.
Stephen King era, definitivamente, meu autor favorito, apesar de ser bem problemático, mas quem liga? O cara era um gênio da literatura americana. O sentimento de medo que ele me fazia sentir era tão real e intenso que meu coração acelerava, e até mesmo hoje em dia eu poderia ler mil vezes e sentir medo mil vezes.
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Elegia De Um Verão • Hyunlix
FanfictionApós o divórcio dos pais, Felix Lee é obrigado a morar em uma pequena cidade localizada no interior do Canadá. Determinado a evitar qualquer tipo de relação, Felix se vê perdido quando Hwang Hyunjin aparece sobre sua cerca, mais do que disposto a ti...
