1. Todo fim é um novo começo

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– Você tem certeza disso? – Seus olhos a fitam como se rasgassem a sua pele de dentro para fora.

Essa já é a nona vez que ele faz essa pergunta em mais ou menos quatro horas de uma conversa difícil. Estirada na cama, Stefani encara o teto do quarto e percebe seus adornos que antes lhe eram tão indecifráveis. Eles lembram construções da Grécia Antiga, ou o que quer que seja que ela entenda como construções da Grécia Antiga. A pergunta de Michael ainda paira no ar, intimidadora. Ela não reage. Ele não consegue ver, mas suas mãos apertam com tanta força a barra do lençol que por um segundo ela acredita que o rasgou com as unhas.

– Porra – Ele diz em um sussurro furioso e coloca a cabeça entre as mãos.

Stefani ainda encara o teto do quarto que dividia com Michael até a madrugada anterior e onde viu tantas juras de amor ganharem vida e morrerem pouco depois. Ela observa todos os detalhes enquanto sente seu corpo pesar sobre os lençóis de seda. Ele aguarda que ela diga alguma coisa. Qualquer coisa. Que se debruce em lágrimas enquanto confessa que ainda o ama, ou que o peça de maneira despretensiosa para ficar um pouco mais... Ele aguarda que ela se arrependa de ter decidido deixá-lo.

Mas Stefani não diz nada. O silêncio é a única testemunha amarga do que restou deles dois.

Michael se levanta devagar e pega a sua mala já feita na noite anterior. Ele finge que não está olhando para ela, mas tenta perceber com a visão periférica se ela por acaso levantou a cabeça de supetão para verificar se ele vai mesmo embora. Mas ela não se move. O único movimento perceptível em seu corpo agora é o vai e vem da sua respiração guardada no peito. Michael sente ódio por ela parecer estar tão em paz com essa decisão.

– É uma pena você querer que termine assim – São suas últimas palavras antes de fechar a porta de um quarto que lhe parece vazio.

Stefani escuta o som propositalmente forte da maçaneta. "Zeus, Atena, Poseidon" são os deuses gregos que ela consegue identificar nos símbolos adornados no teto do seu quarto. "Por que eu escolhi essa estética mesmo?", se pergunta quase em voz alta.

Um suspiro profundo surge de seu âmago e se esvai pela boca quando ela entende que não é mais a mesma de antes. O tempo é um catalisador de mudanças imprevisíveis.

Pela primeira vez em muitas horas, ela consegue chorar. As lágrimas descem tímidas, como velhas amigas que vieram visitá-la. Não é um choro desesperado, mas sim um choro de alívio.

A sua mão que apertava fortemente o lençol sobe para contê-las, mas elas insistem em cair. Stefani, então, se sente feliz. Sim, ela se sente feliz. Está chorando, afinal. Um riso incontrolável contorna a sua garganta e ela decide entoá-lo. Ela ri e chora e se enrosca nos lençóis de seda. Ela olha para o teto do quarto e reconhece os adornos gregos que escolheu há quase 10 anos quando comprou essa casa. Ela se lembra dos motivos para tê-los escolhido e se orgulha deles, mesmo não sendo mais a mesma de antes.

Stefani levanta da cama e decide colocar um jazz para tocar. Seu quarto é de novo só seu. São os seus adornos e as suas escolhas que o moldaram. Uma felicidade genuína lhe preenche o peito como há muito não fazia. Ela se encara no espelho e percebe, de novo, que está chorando. Ela se encara no espelho e percebe que está, finalmente, feliz.

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N.A: Gente, eu não consegui me aguentar e simplesmente comecei a escrever outra😭. Vou precisar que vocês segurem a minha mão nessa porque quase não tenho tempo kkkk
E só pra deixar claro que eu não odeio o Michael! Mas nessa história nós vamos odiar um pouquinho

Vou tentar entregar um enemies to lovers delicinha pra vocês! Obrigada pelas leituras, queridasss, eu tô amando voltar a escrever fanfics!! Espero que gostem dessa também ❤️

The Other WomanStories to obsess over. Discover now