O céu estava carregado, como se os deuses observassem o massacre em silêncio. Cinzas dançavam no ar, e o odor ácido da fumaça se misturava ao perfume ferroso do sangue derramado. O chão estava coberto de corpos. O reino de Lucius havia caído.
Pelas ruínas em chamas, os soldados romanos marchavam como abutres, vasculhando escombros, arrombando portas, procurando sobreviventes como quem escolhe carne para o abate.
— Temos mais um aqui! — gritou um soldado ao puxar o corpo pequeno de uma jovem coberta de poeira e sangue. Estava viva, embora fraca. Tinha os cabelos sujos e emaranhados, mas os olhos... os olhos queimavam com fúria contida.
— Isso é uma mulher? — perguntou outro, rindo. — Pensei que fosse um moleque sujo. Veja isso! Ela rosnou pra mim!
— Uma selvagem, sem nome... deve ter escapado do curral das escravas.
— Não. Essa não tem cara de escrava. Tem cara de bicho. Cuidado pra não perder a mão.
Quando um dos soldados tentou puxá-la com mais força, ela se debateu, os dentes quase alcançando seu pulso. Foi preciso dois homens para contê-la, mesmo ferida. Mas antes que pudessem machucá-la, uma voz firme ecoou entre os destroços:
— Soltem ela. Agora.
Lucius surgiu coberto de sangue, a armadura quebrada, os olhos escuros como os portões do inferno. Ainda vivo. Ainda lutando. Seus homens estavam mortos ou feridos. Sua esposa... ele não conseguia nem olhar em direção ao lugar onde ela boiava junto a outros soldados mortos como qualquer um . Mas ver a jovem viva era uma centelha no meio das trevas.
— General Lucius! — exclamou um dos centuriões romanos. — Você perdeu. A guerra acabou.
— A guerra pode ter acabado... — disse ele, com os olhos fixos na garota, — mas se tocarem nela de novo, juro que o inferno vai começar agora.
Os soldados hesitaram. Havia algo de sombrio na presença dele, mesmo derrotado. E algo de selvagem na presença dela, mesmo ajoelhada e machucada.
Ela, que ainda não tinha nome. Não falava, não chorava. Apenas encarava. Era como se a alma de um predador estivesse presa num corpo jovem demais.
Lucius se ajoelhou diante dela. Tocou seu rosto com cuidado, removendo o sangue seco com o polegar.
— Pelo menos você está viva...
Ela inclinou a cabeça, como se não compreendesse. Mas seus olhos estavam fixos nele. E pela primeira vez desde o início da batalha, algo neles brilhou diferente. Reconhecimento. A leoa havia perdido o reino, mas não estava sozinha.
Ao redor, os romanos começaram a reunir os sobreviventes. Amarraram Lucius, colocaram correntes nos pulsos da jovem. Ela não reagiu, mas seus olhos estavam alertas, gravando cada rosto, cada insúlto, cada risada.
Naquele dia, o reino caiu. Mas também foi o dia em que a fera foi enjaulada.
E todos que riram, naquele momento, ainda não sabiam que estavam selando o destino de Roma ao acorrentar uma leoa.
Os cativos foram postos em filas sobre o sol quente , o calor banhava as pedras enegrecidas da terra derrotada.Entre os derrotados, a jovem sem nome pesrmanecia em silêncio, o olhar fixo no chão, como se cada passo fosse um desafio contra a própria alma. Ela mantinha-se próxima de Jugurtha, o general ferido — não por ordens, não por dever, mas por lealdade. O homem que um dia a acolhera sem nome, sem passado, agora sangrava ao seu lado, ele mais que ninguém sentia o peso da derrota.
BẠN ĐANG ĐỌC
Pela honra
Hành độngDe criança perdida à gladiadora lendária. Vitani não foi feita para se curvar - nem aos deuses, nem aos homens. Mas quanto custa ser livre em uma cidade onde todos têm um preço? Fanfic baseada no filme gladiador 2 de 2024, segue a narrativa do filme...
