O céu estava calmo demais.
Era o tipo de tarde em que o vento parecia segurar a respiração, como se o próprio mundo soubesse que algo iria acontecer. Zayelion caminhava sozinho por uma estrada de terra batida nos arredores da vila, os olhos presos no horizonte, mas a mente flutuando em pensamentos confusos.
Ele não sabia explicar por quê, mas... sentia que algo estava errado.
- Por que tudo parece tão... silencioso hoje? - murmurou.
As árvores estavam imóveis. Nenhum som de pássaros. Nem o farfalhar das folhas. Até os grilos - sempre pontuais - estavam mudos.
De repente, o céu escureceu.
Sem aviso. Sem nuvens.
A luz do sol foi engolida por uma sombra que parecia surgir de dentro do próprio ar, e uma rachadura luminosa cortou o céu como um raio parado no tempo, abrindo-se em um feixe dourado. Era como se os céus tivessem sido rasgados por uma espada celestial.
Zayelion recuou instintivamente. O chão sob seus pés tremeu.
Um som ecoou. Mas não era um trovão.
Era um sussurro.
> - Zayelion...
Seus olhos se arregalaram. A voz não vinha de fora - vinha de dentro da sua mente. Era suave, feminina... e ao mesmo tempo antiga. Tão antiga quanto o próprio tempo.
A rachadura no céu brilhou com ainda mais intensidade, e uma luz colossal caiu sobre ele como uma onda dourada. Zayelion tentou correr, mas seus pés estavam presos. O vento explodiu ao redor, lançando poeira e folhas em espiral. Tudo girava.
- AAAAAHHH! - gritou, antes de ser engolido pela luz.
Silêncio.
Por um momento, tudo ficou branco. O som cessou. O tempo congelou.
E então...
O mundo reapareceu. Mas não era o mesmo.
Zayelion sentia a pele arrepiar. Ele estava de pé, em uma encosta rochosa, olhando para um vale colossal onde rios serpenteavam entre florestas verdes, e ao fundo... uma cidade dourada resplandecia sob um céu azul estrelado, mesmo sendo dia.
As nuvens dançavam ao redor de montanhas flutuantes conectadas por pontes de cristal. Criaturas aladas cortavam o céu como flechas vivas. Era lindo. Impossível. Surreal.
- Onde... eu estou?
Ele deu um passo à frente.
E então ouviu novamente a voz:
> - Seja bem-vindo, Zayelion... a Numinas, o mundo dos deuses.
Seu coração batia como um tambor. Seus olhos estavam arregalados. E, mesmo sem saber por quê... ele sorriu.
> "Se isso for um sonho... por favor, não me acorde."
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🌀 Continua no Capítulo 2 - O Herdeiro da Chama Primordial
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O Chamado Celestial
FantasyQuando Zayelion é arrancado de sua realidade e lançado em Numinas - um mundo onde deuses caminham entre os mortais e demônios espreitam nas sombras - ele descobre que carrega dentro de si um poder ancestral. Escolhido? Ou apenas uma peça em um jogo...
