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angeline

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Meus pais.

Acordei assustada com a voz da minha mãe berrando lá da cozinha:

ANGELINE, LEVANTA LOGO DESSA CAMA OU VAI SE ATRASAR!

Revirei os olhos, ainda enrolada no meu lençol florido, e murmurei um palavrão baixinho. Levantei depressa, prendi meus cabelos cacheados num coque bagunçado e corri até o guarda-roupa. Peguei meu uniforme: uma calça jeans escura, justa, uma blusa branca que moldava meu corpo, e calcei meu All Star preto, já meio rasgado na lateral.

Enquanto me vestia, ouvi a voz do meu irmão Ryan no corredor. Ele já estava todo engomadinho com sua camisa social azul-clara e o perfume importado que tomava conta do corredor. Ele trabalha numa empresa chique do centro, a tal Tavarez Holdings, onde dizem que só entra gente rica ou muito inteligente.

Eu e Ryan sempre fomos muito próximos. Ele é só quatro anos mais velho do que eu, mas parece meu pai às vezes — vive tentando me proteger de tudo.

Meu nome é Angeline Moreira, tenho 16 anos, e tô quase me formando no ensino médio. Mas minha vida… bem, não é nem um pouco perfeita.

Meus pais sempre fizeram questão de mostrar pros outros que a gente é “família perfeita”. Nossa casa é enorme, cheia de móveis caros, fachada branca reluzente, jardim impecável, carro importado na garagem. Dinheiro nunca foi problema. O problema… são eles.

Meu pai, o senhor Kaio Moreira, é alcoólatra. Vive sumindo pros botecos, às vezes fica dias sem voltar pra casa, chega fedendo a bebida, com o rosto vermelho e olhos baixos. Já minha mãe, Alana Moreira, é completamente estourada. Tudo pra ela é grito. Qualquer coisa que eu diga, ela rebate com um berro ou uma crítica. Diz que eu sou teimosa, que sou ingrata, que não sei dar valor à vida que tenho.

Só que ninguém entende que eu me sinto sufocada. Eles me proíbem de tudo. Não posso sair, não posso ter redes sociais liberadas, não posso dormir na casa das amigas. Até meu celular é vigiado.

E isso tudo me consome, me sufoca. Eu não aguento mais viver nessa prisão.

Desci pra cozinha e vi minha mãe, Alana, mexendo numa panela enquanto bufava. Olhou pra mim e soltou:

Vai logo pra escola, menina. E vê se não me arruma confusão lá também.

Nem respondi. Peguei minha mochila preta, joguei nas costas e passei direto pela sala, onde Ryan mexia no celular. Ele me olhou com cara de quem sabia exatamente o que eu estava sentindo.

Calma, Anjinho, ignora a mãe… — ele disse baixo, só pra mim.

Dei um meio sorriso. Ryan é o único que me entende.

Saímos juntos. Ele me deixou no portão da escola, me desejou um bom dia e foi embora pro trabalho no carro preto do meu pai.

Estava um sol forte, e novembro já queimava o chão. O terceiro ano está acabando, e meu peito aperta só de pensar que minha vida vai mudar completamente depois disso.

Entrei pelo portão da escola e caminhei pelo corredor, tentando ignorar as conversas paralelas. Não demorei pra avistar Giovanna, minha melhor amiga. E, segredo absoluto: ela é a namorada do Ryan.

Giovanna tem 16 anos também, cabelos lisos pretos que batem na cintura, sorriso fácil. É linda e espoleta, fala pelos cotovelos. Nossos pais não sabem de nada sobre ela e Ryan, porque se soubessem… meu Deus, ia ser a Terceira Guerra Mundial.

Assim que me viu, Giovanna veio correndo:

AMIGAAAA! Tu tá sumida! — ela gritou, me puxando pra um abraço tão apertado que quase me derrubou.

O segredo dos moreira Stories to obsess over. Discover now