Eu estava ansiosa – Seokjin era meu melhor amigo há anos, mas estávamos próximos de um jeito diferente nos últimos 2 meses: mais íntimos, mais interessados em particularidades um do outro, e até sentindo um ciúme de vez em quando, de coisas bobas. Mas a gente não tinha falado sobre isso ainda, era como se fosse um assunto proibido, e suspeito que ele pense algo parecido com o que eu penso: se a gente falar sobre isso, a coisa fica real, e não dá mais para voltar atrás. E se o sentimento não for recíproco, e isso afetar a amizade? Nenhum de nós queria perder o outro, isso é fato. Ou ainda: e se for recíproco, alguma coisa role, mas depois termine, e a amizade se dissolva também? É um risco alto, e a gente quer correr?
Esse é o caos que tem habitado a minha cabeça ultimamente, sem parar, 24 horas por dia. E agora estou aqui, arrumada, esperando ele vir me buscar para irmos em um encontro do pessoal da época da escola. Sempre fomos próximos, então claro que iríamos juntos. Mas confesso que me arrumei como se estivéssemos indo para um date juntos – mesmo tendo saído inúmeras vezes juntos antes, hoje estou sentindo totalmente a vibe de um primeiro encontro. Como pode, né?! Nem sei realmente se ele também está na mesma página. Claro que eu o conheço muito bem, então tenho uma ideia de que algo esteja acontecendo do lado dele também, ou eu teria percebido. Mas ainda assim, estou tensa.
A campainha toca, desço depressa, mas chego à porta e fico paralisada por alguns segundos – chegou a hora. Respiro fundo, abro a porta, e lá está ele: parado do lado de fora do carro me esperando, lindíssimo, com um sorriso enorme na cara.
- Oi cabritinha! – Ele e esse apelido de mais de uma década, que ele não esquece, só porque eu bebia leite como quem bebe água quando era mais nova. Na verdade, a intenção dele era me chamar de bezerra, mas ele errou e falou cabrita, e por alguma razão esse apelido pegou. A razão provavelmente é o fato de eu reclamar, o que obviamente é um combustível pra ele.
- Oi princesa! – Respondo, querendo provocar, mas na verdade ele ama ser chamado e tratado como uma princesa. Apenas sorri com os lábios e de olhinhos fechados, apreciando o título. Aff, como pode ser tão lindo?!
- E ai, pronta pra rever o pessoal?
- Pronta, sim. Empolgada? Nem tanto. E você?
- Ah, sei lá, tanto faz. Quem eu faço questão de ver sempre, eu já vejo. – E dá uma piscadinha na minha direção. Não consigo conter um sorriso de canto de boca, mas dou um tapinha de leve nele assim mesmo.
Ele dá partida no carro, e a gente começa nossas conversas descontraídas de sempre: como foram os últimos dias, como estão nossos pais, as coisas que nossos pets andaram aprontando. A música tocando no carro, nossa playlist de match super eclética, sempre de plano de fundo nas nossas vidas.
Tem uma coisa que Jin faz quando está dirigindo, que eu acho engraçado e um charme ao mesmo tempo: sempre que segura o câmbio do carro, o dedo mindinho fica suspenso no ar, flutuando. Vira e mexe me pego completamente absorta em pensamentos olhando para esse dedinho.
Começa a tocar "Die with a smile", da Lady Gaga com o Bruno Mars – uma música linda e muito romântica, e ambos começamos a cantar baixinho, no nosso mundinho particular e confortável. Ele faz o dedinho voador enquanto canta, e o momento todo é tão aconchegante e gostoso, que eu simplesmente – involuntariamente, quase – estendo a mão e seguro esse dedinho. Mal tive tempo de pensar, se tivesse provavelmente não teria feito, mas nos poucos segundos assim que acontece, decido só fingir naturalidade, para a situação não ficar mais estranha do que já é, e fico ali, segurando o dedinho dele enquanto canto. Ele não fica completamente chocado, por alguma razão isso parece natural para nós dois, mas não consegue evitar uma olhadinha rápida para a minha mão segurando a dele, enquanto continua cantando também – e puxa minha mão pra si, segurando meus dedos, e dirigindo como se não fosse nada. Agora sou eu que não consigo evitar olhar para as nossas mãos juntas: a mão dele enorme e tão quentinha, segurando a minha com naturalidade, apesar de ainda meio desajeitado. Então olho para ele e entrelaço nossas mãos, e vejo ele sorrir um sorriso lindo, enquanto ainda olha para a frente dirigindo, e seguimos assim.
- Por que estamos parando aqui?
- Ah, nós estamos bem adiantados, vamos tomar um café antes?
- Tá bom!
Ele parou em uma cafeteria, que tem um dos nossos cantinhos favoritos no mundo: um sofazinho duplo em um cantinho bem reservado, que sempre foi um refúgio nosso para as mais diferentes conversas.
Saímos do carro e, para a minha surpresa, ele pega na minha mão novamente, entrelaçando nossos dedos para andarmos juntos, como se fosse algo que fazemos sempre. É algo simples, quase me sinto em um dorama por ficar empolgada com isso, mas meu coração está disparado e feliz, então me deixo levar, sem questionar. No balcão, pedimos o de sempre do nosso cardápio de verão: iced café americano para ele, iced caramelo macchiato para mim – e nos dirigimos para o nosso sofá.
Apesar de estarmos fazendo tudo com uma naturalidade tranquilizadora por si só, eu sei que o momento de falarmos – ou fazermos – algo a respeito dos últimos acontecimentos, está chegando, e minha cabeça e meu coração estão a mil. Mas Jin parece calmo e pleno, pelo menos por fora, o que sempre me acalma.
Nos sentamos lado a lado no sofá, com os copos na mesinha de centro, e Jin se vira de lado, com a cabeça apoiada em um dos braços, que por sua vez, está apoiado no encosto do sofá, e acabo o imitando instintivamente, e sento de lado também.
Não sei por quanto tempo a gente se encara, olhos nos olhos, olhos na boca um do outro, e de volta para os olhos, um sorrisinho tímido nos nossos lábios. Provavelmente foram apenas alguns segundos, até que ele quebra o silêncio com um simples:
- Faz tempo que espero por esse momento, sem saber se ele iria chegar, como ou quando. Preciso fazer isso.
Ele se aproxima, ainda sentado, e coloca uma das mãos no meu pescoço, entrelaçando os dedos nos meus cabelos, se aproxima sem tirar os olhos da minha boca, e me beija. Primeiro um selinho quase casto, me permitindo sentir a maciez dos lábios fartos e desenhados dele nos meus, mas logo seus lábios se abrem, tornando o beijo mais profundo, enquanto ele puxa meu corpo todo para colar no dele. Minhas mãos vão naturalmente para o pescoço dele, acariciando a nuca e os cabelos, e sento completamente de lado, colocando as pernas pra cima do sofá, passando por cima das pernas dele, e ele ajeita minhas pernas em seu colo com a mão livre, acariciando-as enquanto faz isso.
O beijo, ele me envolvendo completamente em seus braços, é tudo tão gostoso, que não quero que termine nunca. E exatamente quando penso isso, ele descola os lábios dos meus só o suficiente para dizer baixinho:
- Eu sinto que posso fazer isso pelo resto da minha vida.
Seria uma fala emocionada, se não nos conhecêssemos a vida toda, se não estivéssemos pensando sobre isso incessantemente nos últimos tempos. E nos conhecemos o suficiente para saber que estávamos, sim, observando, analisando um ao outro, pensando e decidindo, porque nenhum de nós nunca foi alguém que brinca com o sentimento alheio. E eu estou sentindo o mesmo, então faz sentido.
Eu apenas sorrio em resposta, o que faz ele me beijar de novo, agora com uma empolgação diferente, enquanto segura meu rosto com as duas mãos. É um beijo completo, mas rápido.
- Aff, por que você é tão linda? Agora que conheci o gosto da sua boca, acho que nunca mais vou conseguir me controlar.
- Hahaha para de ser bobo!
Mais uma vez dou um tapinha leve nele, é uma dinâmica nossa; ele diz alguma coisa, eu finjo bater nele, e ele ama.
Ele ri e me abraça, me aninhando em seus braços e colocando minha cabeça repousando em seu pescoço.
Dou uma risadinha contida, dessas de sopro de nariz, mas respiro colada no pescoço dele, o que o faz gemer e respirar fundo.
- Que foi? – Pergunto.
- São muitas coisas acontecendo em um curto espaço de tempo, minha mente, meu coração e meu corpo estão fora de sintonia, se você respirar de novo no meu pescoço, não sei se consigo me segurar. Talvez eu parta para cima de você como uma fera selvagem.
Ele quase não consegue terminar de dizer isso, porque já está rindo muito, e agora eu dou um tapa de verdade no braço dele.
- Pervertido!
Ele me puxa de volta para dentro do abraço.
- Tô brincando cabritinha, volta aqui, não tô pronto pra te largar ainda.
Eu obedeço.
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Seokjin - O melhor amigo
FanfictionOi gente! É a minha primeira vez publicando qualquer coisa que escrevo, então dêem um desconto, por favor! rs Mesmo só para mim, não escrevo com tanta frequencia, e o que mais escrevo são meus sonhos - quase tudo que escrevo tem pelo menos um pontap...
