Capítulo 1

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Após o casamento do Sr. Benedict Bridgerton com a Srta. Sophie-que agora, por direito, também carrega o respeitável nome Bridgerton-nenhum outro membro da ilustre família contraiu matrimônio nesse ínterim. E, segundo dizem os cochichos mais ardentes da sociedade londrina, Lady Bridgerton (a matriarca, não a cunhada) está à beira da loucura em sua busca incansável por uma esposa para o jovem Colin-o último dos filhos mais velhos ainda solteiro-e também por maridos adequados para suas filhas mais novas: as senhoritas Eloise Bridgerton, que debutou na última temporada, e Francesca Bridgerton, que faz sua estreia este ano e já arrebatou o título de diamante da temporada concedido por Sua Majestade, a Rainha.

E, convenhamos, Lady Bridgerton não é a única mãe da alta sociedade que está perigosamente próxima de perder o juízo por causa dos casamentos de seus rebentos. Comentam por aí que este é o terceiro ano consecutivo em que Lady Bawlsman tenta, em vão, casar sua filha mais velha com algum cavalheiro respeitável. Seus esforços, até o momento, revelaram-se tão infrutíferos quanto os de anos anteriores. Por sorte-se é que podemos chamar assim-ela apenas perde em empenho desesperado para a Sra. Featherington, veterana neste tipo de missão, cujo histórico é mais vasto do que desejaria admitir. Reza a lenda que seus esforços vêm de longa data, tentando empurrar suas filhas a qualquer cavalheiro desavisado em bailes e reuniões, e terminando, invariavelmente, apenas com o título (não oficial, mas amplamente conhecido) de "a mais desesperada casamenteira de Londres", além, é claro, de seu discutível gosto para vestidos.

Esta autora, confesso, encontra-se animadíssima com as expectativas desta temporada. Acredito que eu, assim como meus fiéis leitores, mal consigo conter a ansiedade para descobrir quem serão os próximos pombinhos recém-casados. Algum palpite?

Crônicas da Sociedade

Lady Whistledown, 6 de fevereiro de 1818

- Bem, ela não mentiu sobre minha mãe - comentou Caroline, fazendo uma breve pausa antes de levar um biscoito à boca e suavemente umedecê-lo com o chá da xícara em suas mãos. - Mamãe já me levou a incontáveis bailes, apresentou-me a diversos cavalheiros, mas nenhum deles despertou sequer um fiapo de interesse a ponto de me fazer desejar o matrimônio. Ela insiste que devo me casar antes que seja considerada velha demais para isso. - Como se houvesse alguma forma de envelhecer aos 20 e poucos anos.

Caroline havia convidado suas melhores amigas para uma tarde de chá e conversa, como costumavam fazer desde que se conheceram. Além das atualizações semanais sobre os bailes e escândalos, o grande atrativo desses encontros era, claro, ler a coluna de Lady Whistledown e discutir, com entusiasmo quase acadêmico, os boatos mais suculentos da sociedade.

- Mas... e aquele cavalheiro... o tal... - Victoria interrompeu-se de repente, franzindo a testa enquanto buscava recordar o nome. Era como se as sílabas escapassem de sua memória, escorregadias feito sabão.

Ela pigarreou. Pensou. Suspirou. E, por fim, desistiu.

- Barão Nigel Berbrooke - completou Caroline, com uma careta digna de repulsa. A lembrança do passeio forçado ao lado dele era suficiente para deixá-la nauseada. Não que ele fosse o pior dos homens... mas, digamos, a inteligência não era seu ponto forte. Não era à toa que continuava solteiro-e com louvor. Mesmo sua mãe, que tinha lá sua tolerância para candidatos menos brilhantes, não conseguiu aprová-lo.

- Ah, sim. Esse mesmo - recordou-se Victoria.

- Digamos apenas que ele não era o pretendente mais adequado - suspirou Caroline, soando tanto resignada quanto cética. Embora desejasse ardentemente encontrar alguém digno de seu coração-alguém que a amasse de verdade-essa missão parecia cada vez mais ilusória. Os cavalheiros da cidade dividiam-se entre tolos desinteressantes e esnobes arrogantes. Ela, por outro lado, sonhava com alguém romântico, misterioso, capaz de oferecer-lhe o mundo com um gesto. Um tipo de homem que, cada vez mais, parecia existir apenas nos contos de fadas que sua mãe lhe contava na infância.

O Título do Visconde - Livro 1.Stories to obsess over. Discover now