Ainda estávamos no território do País do Fogo, mas com tanta neve caindo dos céus, ele mais parecia o País do Gelo. Konoha estava há algumas horas de distância e nós não tínhamos uma previsão de voltar ainda.
Nossa missão era extrair um artefato em uma caverna esquecida e, muito embora estivesse um frio congelante naquela montanha, minha cabeça parecia ferver de tanto pensar.
Eu já havia revirado boa parte do livro antigo à minha frente e marcado algumas partes importantes usando pedaços de pergaminhos, mas mesmo com o livro e as referências contidas nele, interpretar o selo que trancava o artefato como um verdadeiro cofre não era uma tarefa fácil.
— Não tem como se apressar um pouco com isso, Iruka-sensei? — a voz preguiçosa do meu companheiro de expedição surgiu de novo, pouco mais de uma hora após a última vez que ele me apressou.
Por um momento me perguntei de onde ele tinha tirado essa idéia de me chamar de "sensei" quando, claramente, ele não era um dos meus alunos pré-gennin.
Esquisito.
— Kakashi-san, eu estou fazendo o que eu posso aqui — respondi, já irritado com sua impaciência — Não é como se eu quisesse demorar a descobrir a solução.
— Maa, é que o tempo não está nada bom... — De pé na entrada da caverna, ele olhou para fora, para a imensidão branca do alto da montanha em que estávamos.
De fato, estava nevando sem parar. Flocos brancos e densos caíam sem dar descanso, tornando a viagem lenta e difícil. Mesmo estando apenas em dois, tínhamos levado o dia inteiro até alí por conta do mau tempo, quando o plano inicial era levar pouco mais que a metade do dia.
O ideal seria esperar o clima melhorar para fazer a viagem, mas o Sandaime tinha recebido um recado de Jiraya-sama, com um pedido expresso de extração urgente do que quer que estivesse armazenado ali naquela pedra. O próprio Sannin não pôde abrir o selamento pois não tinha o livro que estava em minhas mãos agora. Então ele deu as instruções e pediu que Konoha enviasse um de seus mestres em fuuinjutsu para aquela missão. Certamente os demais usuários de selos estavam indisponíveis e como eu ainda era só um professor assistente na Academia Ninja, fui convocado às pressas.
— Na estalagem que ficamos, me disseram que não neva assim no País do Fogo há pelo menos sete anos. — Kakashi dividiu.
Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir aquilo, mas eu não podia me permitir sequer pensar a respeito. Levei a mão ao cachecol vermelho desbotado no meu pescoço, ajustando-o. Estava tudo bem. Nós só precisávamos extrair aquela coisa – seja lá o que fosse – para eu poder voltar para casa, para o quentinho do meu apartamento. Não era hora de relembrar memórias traumáticas, eu tinha trabalho a fazer.
Kakashi se aproximou, agachou à minha frente, observando as anotações que eu já havia feito e as páginas marcadas. Seus dedos longos percorreram a folha despretensiosamente.
— Você realmente entende essa escrita? — ele franziu o cenho, sua única sobrancelha visível quase tocando a bandana que cobria o outro olho.
— Não — minha resposta irônica soou ríspida, um jeito um pouco arriscado de tratar o Hatake, considerando quem ele era.
Felizmente ele só apertou o olho para mim, que continuei:
— Claro que eu entendo o livro, já o estudei antes, mas desvendar o selo entalhado na pedra vai além de somente lê-lo.
Ter o livro, embora ajudasse, não significava ter respostas claras. Era necessário cautela, pois não sabíamos ao certo as consequências de um movimento errado. Um pingo de tinta fora do lugar e a caverna podia simplesmente vir abaixo.
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Frio
FanfictionUma missão de última hora forçou Iruka Umino a sair de Konoha em meio a uma crescente tempestade de neve, acompanhado de ninguém menos do que o infame jounin Kakashi Hatake, atrás de um artefato selado. O que ele não sabia era que talvez o seu maior...
