A noite estava carregada. Não era só o calor sufocante ou o cheiro de gasolina no ar. Era o tipo de noite em que a cidade parecia conspirar contra você, em que cada sombra escondia um pecado e cada esquina tinha alguém pronto pra ferrar a sua vida. E, honestamente, eu amava isso. Amava a sensação de perigo rastejando pela pele, como dedos invisíveis arranhando a nuca.
As luzes de neon piscavam, refletindo nas poças de óleo na pista. As pessoas gritavam, o som dos motores fazendo o chão tremer. E ali, no meio daquela bagunça deliciosa, eu me sentia viva. Ninguém me controlava. Ninguém ousava me dizer o que fazer. Exceto Matteo Castellani.
Só de pensar naquele desgraçado, meu estômago se revirava. Não porque eu o temesse - porque odiava o quanto meu corpo reagia à presença dele. Matteo era o tipo de homem que exalava perigo e poder. Ele não precisava levantar a voz ou apontar uma arma. Bastava um olhar. Bastava aquele maldito sorriso de canto e aquele jeito de falar meu nome pra me fazer querer socar algo... ou beijá-lo. E isso me irritava mais do que qualquer coisa.
Foi então que eu o senti.
Antes mesmo de vê-lo, o ar ficou mais denso. Minha pele arrepiou e meu corpo reagiu, como sempre. Olhei de canto e lá estava ele, parado a poucos passos, me observando como se eu fosse propriedade dele. Como se soubesse que, mais cedo ou mais tarde, eu iria ceder. Filho da puta.
Ele se aproximou devagar, como uma fera que sabe que a presa não vai fugir. Porque ele também sabia que eu não era presa de ninguém. Nem mesmo dele.
- Você não devia estar aqui, Ursa - a voz dele era baixa, arrastada, carregada de algo que me fez estremecer contra a vontade.
Ah, aquele maldito apelido.
Cruzei os braços, ergui o queixo e encarei.
- Você devia parar de achar que pode me dizer onde eu posso ou não estar.
Ele sorriu. Aquele sorriso que me dava vontade de arrancar a camisa dele a tapas e ao mesmo tempo enfiar uma faca nas costelas.
Matteo deu um passo, diminuindo a distância entre nós. O calor dele se misturou ao meu, e eu senti o cheiro que me deixava insana: couro, tabaco, perigo. Meus joelhos quase cederam. Quase.
- Me diz uma coisa, Matteo - falei, deixando a voz cair num tom baixo e provocante - Por que diabos você me chama de Ursa?
Ele ficou me olhando como se estivesse me despindo ali, no meio de todo mundo, e a pior parte era que eu gostava.
- Porque você come como uma condenada, dorme como quem quer esquecer a própria existência... mas quando acorda, Ursa... - ele se inclinou, a boca quase tocando minha orelha - você vira uma fera. Selvagem. Indomável. Feroz. E porra, isso me excita pra caralho.
Um arrepio desceu pela minha espinha. O ar entre nós ficou pesado, elétrico, como se um toque fosse suficiente pra incendiar tudo.
- Você é doente - sussurrei, ofegante, sem conseguir manter a provocação nos olhos.
Ele sorriu mais, como se aquilo fosse o que ele quisesse ouvir. Matteo sabia que tinha algum poder sobre mim, mas também sabia que eu mordia. E forte.
- Eu não sou seu brinquedo. Nem sua maldita esposa.
A expressão dele mudou. O olhar ficou sombrio, predador. Matteo se inclinou mais, a boca roçando a pele da minha orelha, fazendo meu corpo inteiro estremecer.
- Ainda.
E porra, como eu odiava o quanto aquela palavra me deixou molhada.
Os motores rugiram, o som explodiu ao redor e a corrida começou. As luzes dos faróis cortaram a escuridão e eu soube que tinha que me afastar. Mas meus pés não se mexiam. Meus olhos não desgrudavam dos dele.
- Eu vou te destruir - murmurei.
Ele sorriu.
- Mal posso esperar.
Me afastei, engolindo o nó na garganta, sentindo a pele quente, os lábios secos e o desejo queimando onde não devia.
A guerra tinha começado. E eu sabia que essa porra não teria vencedores.
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REDENÇÃO SANGRENTA
RomanceNo submundo cruel da máfia, onde poder é lei e sangue é moeda, Arianna - a Ursa, como Matteo a apelidou por sua voracidade e sono profundo - vive desafiando cada regra imposta. Rebelde, indomável e feroz, ela sobrevive como pode entre corridas ilega...
