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Cheiro de Chuva, Sombra e Sangue

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Forks, Washington. Uma cidade esquecida entre as árvores, envolta por um manto quase eterno de névoa e garoa fina. Para muitos, era apenas mais um ponto isolado no mapa, um lugar onde o tempo parecia se mover devagar. Para Tanya, era o esconderijo perfeito.

O ronco do motor cortou o silêncio úmido da manhã como uma faca. Uma moto negra, com pintura fosca e detalhes metálicos, surgiu no estacionamento da Forks High School. Os alunos já estavam agrupados sob os telhados baixos, tentando se proteger da chuva, quando o veículo parou bruscamente na vaga mais distante.

Ela desligou o motor com um giro firme do pulso. Saltou da moto com a mesma energia bruta que exalava em cada gesto. A jaqueta de couro colava no corpo esguio, as botas estavam cobertas de lama seca, e seu cabelo — longo, volumoso, ondulado como marés selvagens — escorria pelas costas como uma mancha de tinta escura.

Tanya não olhou para ninguém. Apenas jogou a mochila sobre um ombro, os olhos castanhos escuros varrendo o ambiente com tédio. Havia algo inquietante em seu olhar — como se não estivesse apenas observando, mas analisando cada batida de coração ao redor.

"Todos aqui cheiram como papel molhado e arrependimento", pensou com desprezo.

Ela caminhava com passos firmes, como se carregasse uma força invisível. E, de certo modo, carregava mesmo.

Sangue Antigo, Alma Quebrada

Tanya não era humana. Nem totalmente vampira.

Corria em suas veias um sangue estranho, um legado que nunca pediu. Metade amaldiçoado pela sede eterna, e metade marcado por algo mais antigo, mais escuro — uma herança demoníaca de uma linhagem esquecida. Era uma criatura híbrida, única, poderosa... e absolutamente sozinha.

A casa que alugara ficava nos arredores da floresta, em um terreno semi-abandonado. Ela não precisava de muito: apenas isolamento. Ninguém sabia de onde ela viera, e era melhor assim. Quanto menos perguntas, menos cadáveres.

Tanya não matava desde... Seattle. E já fazia três semanas.

"Progresso", ela murmurou para si mesma ao entrar no prédio escolar, ignorando os olhares curiosos dos outros alunos.

Primeira Impressão é Morte Silenciosa

Na secretaria, uma mulher com expressão cansada e cheiro de café frio entregou-lhe o cronograma.

— Você é... Tanya Ivanova? — perguntou, hesitando ao ler a ficha. — Hm, parece que está no terceiro ano. Bem-vinda. Vai ver que Forks é um lugar... calmo.

Tanya não respondeu. Só pegou o papel com um aceno vago e saiu.

— Garota estranha — murmurou a recepcionista depois que ela se foi.

Ao entrar no corredor principal, o burburinho cessou por um instante. Alunos viraram a cabeça, cochichando. Ela não se parecia com ninguém ali. Nem de longe.

Negra, alta, imponente, com cicatrizes leves na lateral do pescoço e um brilho incômodo nos olhos castanhos, Tanya parecia saída de um sonho febril. E não do tipo bom.

— Essa é nova — disse alguém perto dos armários.

— Parece uma modelo gótica.

— Eu ouvi que ela chegou sozinha, tipo, aluga uma casa isolada.

— Ela tem cheiro de gasolina e pecado.

Tanya ouviu tudo. Seu faro era aguçado demais para ignorar. Mas não respondeu. Só continuou andando até sua primeira aula: Literatura.

Palavras e Silêncios

Na sala, ela escolheu o último lugar, perto da janela. Não fazia questão de amigos. Não queria conexões.

A professora falou algo sobre "Romeu e Julieta", o que a fez bufar internamente. "Amor adolescente e tragédia... que conveniente", pensou. Ela já vira esse tipo de história terminar em sangue.

Foi ali que reparou em uma menina nova também. Pálida, cabelos castanhos, olhos inseguros. Sentava na frente e parecia deslocada. Bella Swan, ela escutou alguém sussurrar. Filha do chefe de polícia.

Tanya observou Bella por um instante. Havia algo... curioso nela. Não como uma ameaça, mas como um brilho estranho. Algo que não combinava com o resto da cidade. Algo que parecia quase... apetitoso.

Ela desviou o olhar antes que Bella percebesse.

"Não. Nada de complicações."

A Tensão no Ar

No almoço, ela ficou sozinha, em uma mesa perto da porta. Não comeu. Fingiu mastigar algo. Observou tudo.

Foi quando os viu: um grupo de jovens belos demais para aquele lugar. Um loiro alto, uma morena de rosto angelical, outro de cabelos bagunçados que parecia sempre à beira de um surto, uma garota com passos de bailarina... e ele. O último.

O tal Edward.

Tanya imediatamente sentiu o cheiro deles.

"Vampiros."

Mas não como ela. Estes cheiravam limpos, domados, quase... civilizados. Aquilo a irritou.

Ela se levantou, pegou a bandeja intacta e a jogou no lixo. Ao passar perto da mesa dos Cullen, sentiu os olhares. Principalmente o de Edward, que a acompanhou com desconfiança. Alice franziu a testa por um segundo, como se tentasse ver algo... mas falhasse.

"Boa sorte tentando ler minha mente, garotinha."

Tanya sorriu de canto, maldosa, e saiu do refeitório.

No Limite da Cidade, Algo Acorda

Naquela noite, sozinha na casa abafada pela floresta, Tanya acendeu uma vela e sentou-se no chão. Não precisava dormir, mas o silêncio da noite ajudava a manter os monstros internos sob controle.

Ainda assim, havia algo errado.

Um cheiro distante. Uma vibração no ar. Um movimento nas sombras.

Ela se levantou e caminhou até a varanda. A floresta à frente parecia comum... mas não para ela.

— Não estou mais sozinha aqui... — murmurou.

Os vampiros "limpos" da escola, a menina com o brilho estranho no sangue, e o farfalhar das árvores parecendo chamar seu nome.

Forks não era tão pacata quanto prometia.

E para Tanya, isso só significava uma coisa:

Ela teria que escolher entre se esconder... ou começar a caçar de novo.

O Segredo Que a Escuridão GuardaStories to obsess over. Discover now