Berlim nunca dormia.
Principalmente nas madrugadas de sexta-feira, quando os becos se tornavam pistas e os carros — máquinas de ego, raiva e poder — rugiam como feras famintas. O som dos motores ecoava entre os prédios sujos, cobertos por pichações de gangues e memórias de sangue. Os pneus queimavam o asfalto como se cada corrida fosse uma guerra não declarada. E no centro de tudo, havia ele.
Tom Kaulitz.
Tranças negras caindo sobre os ombros, olhar escuro como um abismo. Com o cigarro pendendo dos lábios e a jaqueta de couro aberta, ele encostava no capô de seu carro preto — o mais barulhento, o mais rápido, o mais temido. Tom era o tipo de homem que impunha silêncio só com a presença. Um rei sombrio em um trono de fumaça e velocidade.
— O que vai ser hoje, Tom? — perguntou Georg, jogando uma lata de energético vazia longe. — Racha ou sangue?
Tom riu de canto, o som rouco e baixo.
— Depende de quem aparecer.
Mas ele já estava entediado. Nenhum adversário era rápido o suficiente. Nenhuma garota o intrigava por mais de uma noite. Nada fazia o sangue correr de verdade.
Até que eles chegaram.
Alisson Klein, arrastada por Layla Hasyim, parecia completamente deslocada daquele mundo de adrenalina e crime. E ainda assim... ela não parecia com medo.
Com os braços cruzados e o cenho franzido, Alisson analisava os carros como quem observa algo estúpido. Usava uma jaqueta jeans larga demais, botas gastas e um olhar afiado que dizia: não se aproxime. Ela odiava estar ali. Cada célula do corpo dela gritava por silêncio, por paz — algo que Layla jamais permitiria.
— Eu só vou ficar até a sua corrida acabar, Layla. Depois tchau. Eu não pertenço a isso.
— Você fala isso desde o colégio, Alisson. E olha só... — Layla sorriu com malícia. — Ainda tá aqui.
Tom levantou o olhar quando ouviu a voz dela pela primeira vez. O som não era suave, nem melódico — era direto, cortante. Uma voz de alguém que não abaixa a cabeça.
Ele não sabia por que seus olhos não conseguiam se desviar. Mas estavam grudados nela. Nos olhos furiosos. No jeito desinteressado. Na postura firme. Ela não tem medo..., pensou.
Alisson sentiu o olhar e virou o rosto. Os dois se encararam. Longos segundos de tensão crua.
Ela foi a primeira a falar:
— Nunca viu uma garota mal-humorada antes?
Tom mordeu o canto do lábio, intrigado. Ninguém falava com ele assim. Ninguém ousava.
— Já vi várias. Nenhuma com coragem o bastante pra me encarar.
— Talvez você esteja cercado pelas pessoas erradas.
Georg tossiu, tentando disfarçar o choque. Gustav, mais atrás, soltou um assovio baixo.
Bill Kaulitz, irmão gêmeo de Tom, apareceu sorrindo. Seu estilo era o oposto do irmão: roupas ousadas, cabelo impecável, perfume caro. Ele reconheceu Layla imediatamente. Seus olhos brilharam.
— Ei, ruiva dos infernos. Você lembra de mim? Aquela corrida na Marginal?
Layla riu, surpresa.
— Você é o idiota que quase bateu no caminhão?
— Idiota não. Estiloso. — Ele piscou. — E você tá mais bonita ainda hoje.
Tom revirou os olhos, mas estava claro: Bill tinha acabado de cair. E Layla parecia mais do que disposta a assistir ele cair ainda mais.
Enquanto isso, Alisson desviou o olhar de Tom e se afastou, indo se encostar no carro de Gustav. Ela queria sair dali. Mas a cidade a prendia com garras invisíveis — ou talvez fosse o olhar daquele homem que agora andava em sua direção.
Tom parou a poucos passos dela.
— Você tem nome?
— Tenho. E não costumo dar ele pra estranhos com complexo de superioridade.
Tom riu. Pela primeira vez em semanas, ele riu de verdade.
— Interessante. Você sempre é assim?
— Só com idiotas. — Ela cruzou os braços. — Ou com chefes de máfia que se acham donos do mundo.
Tom se inclinou, ficando mais próximo. O cheiro dele era uma mistura de gasolina, couro e perigo.
— E se eu disser que posso ser seu inferno ou sua salvação?
Ela estreitou os olhos.
— Eu prefiro ser meu próprio caos.
Luzes acesas. Motores ligados. O som das buzinas invadiu a noite. Era hora da corrida. Tom virou-se e caminhou de volta ao carro, mas antes, lançou um último olhar para ela.
— Você ainda vai correr atrás de mim, Alisson Klein.
Ela bufou, sarcástica:
— Só se for com um bastão na mão.
Layla se aproximou rindo:
— Eu tô falando, Ali... esses caras são viciantes.
— Viciantes? — Alisson respondeu. — Pra mim eles são só um aviso de perigo com pernas.
Mas por dentro… havia algo. Uma fagulha. Uma raiva que parecia querer se transformar em desejo.
E naquele exato momento, enquanto Tom acelerava seu carro como um rugido de monstro e desaparecia no asfalto, Alisson soube: aquela noite era só o começo.
O começo do seu fim… ou do início de uma paixão que poderia destruir tudo.
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Devilish Obsession
FanfictionNo coração da turbulenta cidade, onde gangues, rachas e paixões intensas colidem, Tom Kaulitz, líder da temida máfia Devilsh, vive dividido entre seu temperamento explosivo e a transformação que Alisson Klein trouxe para sua vida. Mal-humorado, agre...
