Despertar do Silêncio
Ninguém viu o instante em que as Arcas se abriram, pois não havia olhos para testemunhar, nem vozes para contar, apenas o tempo eterno e invisível.
Quando as Arcas se abriram, a luz encontrou olhos que, cerrados, dormiam um sono profundo e sem fim.
Não havia história e memória para aqueles que despertavam.
Eram os Primeiros.
Aqueles que emergiram dos salões metálicos e encontraram um mundo vasto e vazio.
Ali estavam, os Filhos de uma Longa Noite.
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Amanhecer
O mundo respirava, após eras incontáveis sem a sombra dos titãs que um dia o moldaram.
O vento varria os vales, levando consigo o pó da civilização extinta; e o silêncio, há tanto tempo imperante, recuava como fera acuada.
O ar era puro, mas carregava um vazio inquietante.
As árvores, antes moldadas pelo desejo dos mestres desaparecidos, agora cresciam em sua dança selvagem e caótica.
Os rios, libertos de barreiras, corriam sem nome, sem dono.
O céu, outrora riscado por engenhos flamejantes, pertenciam àqueles que ousassem atravessá-lo.
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Primeira Geração
A luz caiu sobre olhos que haviam esquecido o dia.
Tropeçaram, hesitantes, sentindo o peso do mundo sobre seus ombros.
O mundo agora era uma vastidão de desconhecidos.
Instintos os guiavam, como um ancestral de algo mais antigo que o próprio tempo.
As primeiras pegadas marcaram a terra úmida; e ali, naquele instante, começou uma era que jamais fora escrita.
No início, não havia medo. Não havia ódio.
Cada criatura via a outra com igual surpresa, pois todas partilhavam o mesmo destino: eram sobreviventes de algo que não compreendiam, habitantes de um presente que não escolheram.
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Consciência Desperta
Perceberam que não eram meros animais.
A fala brotou como um sussurro, depois como um trovão.
E mesmo com tão pouco tempo passado, veio a revelação maior: a consciência não era um acaso, mas um presente.
O que antes se resumia a instinto expandiu-se em raciocínio, estratégia, curiosidade.
Então veio a fome.
O mundo era novo, vazio de colheitas, de caça, de rituais de sustento, de abundância.
Entretanto, a civilização anterior – por mais errante que tenha sido – pensou no que viria depois. Como se, no último lampejo de lucidez, compreendiam que a vida não podia simplesmente recomeçar com fome.
Dentro das Arcas, reservaram estufas com plantas, raízes, sementes, frutas e grãos suficientes para alimentar os herbívoros até que a terra voltasse a florescer. Jardins eternamente verdes sob luzes que não dependiam do sol.
Para os carnívoros pequenas aves de ciclo rápido, cardumes de peixes – de água doce e salgada – foram mantidos em equilíbrio, adaptados à contenção e à multiplicação constante. Insetos nutritivos e abundantes, completavam o relicário alimentar.
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ANIMAL: O CONCÍLIO DOS CINCO SÁBIOS
FantasyDurante cinco dias os Cinco Sábios (Ganesha, Safiya, Atena, Kappa e Lyra) se encontraram para discutir o fim da civilização Humana, a importância das Arcas, os perigos dos poderes de força e magia que possuem, e a razão da inteligência dos animais. ...
