LIVRO 6 - INÍCIO

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Despertar do Silêncio

Ninguém viu o instante em que as Arcas se abriram, pois não havia olhos para testemunhar, nem vozes para contar, apenas o tempo eterno e invisível.

Quando as Arcas se abriram, a luz encontrou olhos que, cerrados, dormiam um sono profundo e sem fim.

Não havia história e memória para aqueles que despertavam.

Eram os Primeiros.

Aqueles que emergiram dos salões metálicos e encontraram um mundo vasto e vazio.

Ali estavam, os Filhos de uma Longa Noite.

Amanhecer

O mundo respirava, após eras incontáveis sem a sombra dos titãs que um dia o moldaram.

O vento varria os vales, levando consigo o pó da civilização extinta; e o silêncio, há tanto tempo imperante, recuava como fera acuada.

O ar era puro, mas carregava um vazio inquietante.

As árvores, antes moldadas pelo desejo dos mestres desaparecidos, agora cresciam em sua dança selvagem e caótica.

Os rios, libertos de barreiras, corriam sem nome, sem dono.

O céu, outrora riscado por engenhos flamejantes, pertenciam àqueles que ousassem atravessá-lo.

Primeira Geração

A luz caiu sobre olhos que haviam esquecido o dia.

Tropeçaram, hesitantes, sentindo o peso do mundo sobre seus ombros.

O mundo agora era uma vastidão de desconhecidos.

Instintos os guiavam, como um ancestral de algo mais antigo que o próprio tempo.

As primeiras pegadas marcaram a terra úmida; e ali, naquele instante, começou uma era que jamais fora escrita.

No início, não havia medo. Não havia ódio.

Cada criatura via a outra com igual surpresa, pois todas partilhavam o mesmo destino: eram sobreviventes de algo que não compreendiam, habitantes de um presente que não escolheram.

Consciência Desperta

Perceberam que não eram meros animais.

A fala brotou como um sussurro, depois como um trovão.

E mesmo com tão pouco tempo passado, veio a revelação maior: a consciência não era um acaso, mas um presente.

O que antes se resumia a instinto expandiu-se em raciocínio, estratégia, curiosidade.

Então veio a fome.

O mundo era novo, vazio de colheitas, de caça, de rituais de sustento, de abundância.

Entretanto, a civilização anterior – por mais errante que tenha sido – pensou no que viria depois. Como se, no último lampejo de lucidez, compreendiam que a vida não podia simplesmente recomeçar com fome.

Dentro das Arcas, reservaram estufas com plantas, raízes, sementes, frutas e grãos suficientes para alimentar os herbívoros até que a terra voltasse a florescer. Jardins eternamente verdes sob luzes que não dependiam do sol.

Para os carnívoros pequenas aves de ciclo rápido, cardumes de peixes – de água doce e salgada – foram mantidos em equilíbrio, adaptados à contenção e à multiplicação constante. Insetos nutritivos e abundantes, completavam o relicário alimentar.

ANIMAL: O CONCÍLIO DOS CINCO SÁBIOSStories to obsess over. Discover now