Uma escuridão abissal cercava Helena enquanto ela corria pela grande Floresta Vermelha. Sua garganta já estava seca de tanto respirar o ar frio da noite, mas ela não podia desistir — não com os "Caçadores" atrás dela.
Ela parava momentaneamente para recuperar o fôlego e, sem demora, voltava a correr. Em um desses intervalos, ao se encostar numa árvore, Helena ouviu uma voz gélida gritar ao longe:
— Você não pode correr pra sempre! Uma hora você vai cansar, e eu vou estar lá para matar você!
Cada vez mais angustiada, ela tropeçava nos galhos no chão, até que, por um descuido, caiu. No mesmo instante, alguém a pegou por trás, e seu grito foi abafado dramaticamente...
Dois dias antes
Um carro verde atravessava a longa Floresta dos Rapuma, uma tribo indígena muito antiga que fora brutalmente assassinada na época da Revolução. O carro se esgueirava por longas estradas de asfalto úmido, num clima que parecia nunca mudar: sempre nublado e frio.
Dentro do carro estava um casal que discutia brevemente sobre o destino da viagem:
— Não tô dizendo que não gostei, só tô dizendo que, de tantas trilhas pra fazer no mundo, por que essa? — indagou Helena, uma mulher ruiva, de cabelos cacheados e olhos como os de uma raposa.
— Porque essa é a Floresta Vermelha, meu amor. Você não pesquisou sobre ela? Não viu o quanto é diferente? — respondeu Loy, um homem de cabelo liso e moreno, com uma barba cheia.
— Não, eu não pesquisei sobre. Preferi preservar minha surpresa!
— Por isso você não está tão entusiasmada quanto eu. Mas deixa pra lá... quando a gente chegar, você vai entender.
A viagem continuava tranquila. Loy e Helena estavam comemorando a nova vida de recém-casados, numa lua de mel que, infelizmente, se transformaria em momentos de dor e sofrimento.
No dia seguinte, após fazerem turnos de 12 horas dirigindo, o casal chegou ao ponto final. A beleza da Floresta Vermelha chocou ambos. De um lado da estrada, uma floresta verde e viva, com o barulho de pássaros e animais vivendo tranquilamente. Do outro, uma floresta de folhas e árvores cinzentas, onde apenas a cor vermelha persistia miraculosamente. Essa era a Floresta Vermelha.
— Como isso é possível? — perguntou Helena, saindo devagar do carro.
— As árvores possuem uma seiva especial, de cor vermelho carmesim. Ela faz com que todas as frutas e flores sejam vermelhas. Até os rios são vermelhos, cor de sangue — respondeu Loy.
— Meu bem... estou sem palavras. Essa floresta é assustadora e linda ao mesmo tempo.
— Procurei bastante antes de encontrar esse lugar, Helen. Não foi barato o valor do chalé, mas vai valer a pena...
— Espera... tem um chalé? — Helena olhou para Loy com felicidade.
— Você achou que a gente ia dormir em barracas, né? Claro que não. As barracas são só pra descanso no caminho. O chalé fica a duas horas a pé pela trilha.
— Entendi agora. Bom, então vamos começar? Estou ansiosa!
E assim fizeram. Separaram as mochilas, colocaram as capas de chuva, trancaram o carro e começaram a longa caminhada.
Durante a trilha, o casal tirava fotos um do outro para recordar o momento. Estavam tão imersos na magia da floresta que não perceberam os sutis sinais de alerta que os rodeavam.
Com pouco tempo de caminhada, o sinal de celular de ambos caiu, e, junto com ele, o acesso a qualquer serviço de internet. Além disso, algumas árvores estavam marcadas com tinta vermelha invisível, que apenas se revelaria nos terrores da noite.
Depois de duas horas caminhando, o casal finalmente chegou ao chalé — uma casa suspensa no pico florido de uma montanha. O contraste os surpreendeu: o mármore branco do chalé destoava do vermelho carmesim das plantas, criando uma beleza tão intensa quanto perturbadora.
As portas do chalé eram vermelhas, e as molduras de madeira que sustentavam as grandes janelas de vidro também. Tudo o que era de madeira na casa era vermelho. Isso incomodou Helena um pouco, diferente de Loy, que amava cada pequeno detalhe do lugar.
— Por que essa cara? Não gostou, Helen? — Loy perguntou, enquanto colocava a mão no ombro de Helena.
— É que... é estranho, não acha? É tudo muito surreal...
— Surrealmente lindo, você quer dizer?
Helena revirou os olhos e deu um empurrão leve na barriga de Loy.
— Você entendeu o que eu quis dizer, bobão.
Os dois subiram para o andar de cima e foram arrumando as roupas e os sapatos em um grande baú que ficava no quarto. O chalé estava pronto para recebê-los com tudo o que precisavam.
— Onde você arranjou esse chalé? — perguntou Helena, enquanto entrava no box do banheiro.
Loy estava tirando as roupas para acompanhá-la, quando respondeu:
— No Airbnb...
— E a avaliação do local estava boa?
Ele ficou em silêncio enquanto entrava no box com ela. Helena percebeu que o noivo estava escondendo algo.
— O que foi? — ela perguntou.
— Nós somos os primeiros a vir aqui. O chalé foi recém-construído...
— Você tá falando sério? E se um maluco tiver feito esse lugar pra espionar a gente? — disse Helena, assustada, olhando para os cantos do teto e as fendas na cerâmica do banheiro.
— Meu amor, não precisa ficar paranoica. Eu entrei em contato com a seguradora. O chalé tá no nome de uma construtora conhecida. Não precisa se preocupar.
Ela estava com os braços cruzados, escondendo os seios. Ele estendeu as mãos, puxou-a para perto, e ela colocou os braços ao redor do pescoço dele. Começaram a se beijar calorosamente.
— Tudo bem? — Loy perguntou.
Helena apenas balançou a cabeça. Então ele girou o registro do chuveiro — e o que aconteceu em seguida fez o coração de Helena acelerar, e a visão de Loy desacelerar. Três gotas saíram do chuveiro e caíram no braço de Loy, deixando esparsas linhas vermelhas, cor de sangue. E então, com uma velocidade torrencial, todo o banheiro foi coberto por esse líquido vermelho vivo que saía do chuveiro.
Parecendo uma cena saída diretamente de um filme de terror, os dois ficaram encharcados com aquele líquido cor de sangue. Helena gritou alto e saiu do banheiro correndo.
Loy desligou o chuveiro no mesmo instante e foi atrás de Helena, berrando:
— É ÁGUA! CALMA, MEU BEM!
Ele a agarrou por trás, e ela gritou, em pânico:
— SANGUE, SANGUE, SANGUE! ESTAMOS COBERTOS DE SANGUE!!
Demorou um tempo até que Loy conseguisse explicar que a casa usava a água do rio, e que, por conta disso, toda a água da casa era vermelha, cor de sangue. No final, ela ainda não aceitou suas desculpas.
— Reconheço que devia ter avisado antes. Me desculpa...
Ela não respondeu. Apenas voltou para o box e começou a tomar banho.
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Floresta Vernelha
ActionRecém-casados e apaixonados por aventuras, Loy e Helena decidem comemorar a lua de mel de uma forma inusitada: uma trilha remota no coração de uma antiga floresta esquecida pelo tempo - a Floresta Vermelha. Isolada, envolta em lendas e evitada pelos...
