Capítulo 1

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           O CÉU DO LADO DE FORA começava a se tingir de tons dourados e rosados, filtrando-se pelas frestas das janelas altas da base da Tropa de Exploração. A brisa da manhã ainda carregava o frio da madrugada, soprando entre as estruturas de madeira silenciosas, preenchendo o vazio com um sutil ranger de portas e o bater eventual de janelas mal fechadas.

Haviam passado três dias desde o fracasso da expedição. O clima entre os soldados estava estranho, tinha mais movimento que o normal, Eren, Mikasa, Armin e Jean foram os únicos convocados para uma tal missão na Muralha Sina, informação que quase ninguem sabia.

Elena despertou lentamente, os olhos ajustando-se à luz que entrava pela janela ao lado de sua cama. O único barulho alto em seu dormitório era o de sua colega de quarto Sasha, que roncava do outro lado do dormitório.

Elena sentia o peso dos últimos dias sobre os ombros, não o cansaço físico, mas um peso interno, pressionando o peito, deixando cada pensamento mais difícil de conter.

Seus punhos latejavam, especialmente o direito. Quando se sentou na cama e afastou as cobertas, sentiu o leve puxão da bandagem mal feita que envolvia sua mão. O pano branco, que ela mesma havia enrolado às pressas há três dias, agora estava manchado de um vermelho escuro e levemente úmido onde o sangue voltara a escapar durante a noite.

Ela soltou um suspiro breve, quase um rosnado silencioso. A dor não era insuportável, afinal era treinada para suportar muito mais. Mas havia algo particularmente incômodo em admitir que, mesmo com todo o seu autocontrole, aquela reação impulsiva, socar uma árvore até sangrar os punhos, havia deixado marcas mais profundas do que pretendia. Paradis estava afetando ela.

Tentou mover os dedos com cautela. A articulação estava rígida, e o calor da inflamação já se espalhava pela palma, ela devia ter quebrado um ou dois dedos. Precisava refazer a bandagem, mas a posição da mão machucada dificultava o trabalho. Ela levantou, se trocou, escovou os dentes e foi em direção a enfermaria.

Como imaginava, estava vazia, então foi procurar um novo rolo de pano limpo. Encontrou-o, mas ao começar a desenrolar, perdeu o equilíbrio da tira com a outra mão, e o tecido caiu no chão, se espalhando como uma serpente preguiçosa.

— Tsc...

Ela se abaixou para pegá-lo, mas a dor ao fechar os dedos doía mais do que admitia. Antes que tentasse de novo, ouviu passos firmes se aproximando pelo corredor de madeira. Pararam bem em frente à porta entreaberta da enfermaria.

— Ainda não cuidou direito disso?

A voz era inconfundível.

Elena ergueu o olhar com lentidão. Reiner Braun estava ali, encostado no batente da porta, os braços cruzados, mas com o semblante claramente preocupado. Ele trajava a camisa cinza, desabotoada até a altura do peito, com as mangas dobradas e uma calça marrom, roupa simples, comum, como todos usavam dentro da base quando estavam em descanso. Seus olhos encaravam os dela com firmeza, mas sem cobrança. Era um olhar que dizia mais do que ele deixaria escapar em voz alta. Preocupação.

— Isso não é da sua conta — disse Elena, mas o tom veio mais baixo do que esperava. Menos defensivo. Talvez cansado.

Reiner suspirou.

— Eu tava lá, esqueceu? Aquela árvore quase caiu com o jeito que você socou. — Ele entrou na enfermaria sem esperar permissão e fechou a porta com cuidado. — E agora está aí, toda orgulhosa, tentando fingir que pode lidar com uma infecção sozinha.

— Não é uma infecção — murmurou ela, desviando o olhar enquanto abaixava a mão lentamente. — Só está... doendo.

— Tá latejando? Você quebrou algum dedo, né?

Entre honra e dever- Reiner Braun 2 e 3 TemporadaStories to obsess over. Discover now