Caminho pela calma e densa relva de meu jardim. Caminho pela calma relva em um dia sem fim. Caminho pela calma relva sentindo em minhas unhas um quebradiço carmesim.
Caminho pela calma e densa relva até aquele grito sem fim.
Vejo então os gotejos de chuva a cair sobre mim, seu doce som de pirim pim pim.
Vejo a roupa não recolhida, caída sobre a relva, diante de mim, suja pelo carmesim.
Vejo então o meio crânio escondido ali, que um dia foi ela, que tentou fugir de mim.
Sinto seus ossos, a terra esfarelar e consumir até o fim.
Sinto sua carne e olhos sendo comidos por mil insetos mirins.
Sinto seu cheiro, o cheiro de um vermelho que um dia pertenceu a mim.
Sinto seu gosto, da última vez que ouso divergir de mim.
Com as facas,
chorei,
mas não te dei um fim.
Com as facas,
gritei,
mas foi por medo de ti.
Com as facas,
amei,
e hoje, graças a mim, és um querubim.
Com o sangue
Fiz um celeste inferno só pra ti
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Ecos de Carne, Beleza, Medo e Lírica
HorrorBem vindos a um pedaço da insana mente de quem vos escreve.
