Conto inspirado pela música "Love You To Death", da banda Type O Negative.
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Lázaro emergia de sua morada como uma figura espectral, dissolvendo-se entre a penumbra sobre as ruas desertas, enquanto a noite, tipo um véu de veludo negro, cobria a cidade engolindo as cores suaves do crepúsculo.
As luzes das ruas cintilavam, somente as sombras habitavam por aqueles becos estreitos. Era lá, entre as construções frias e a névoa espessa, que ele sempre a esperava. Quando o som oco das botas quebrava o silêncio, Lázaro sabia que Rosália, seu amor noturno, se aproximava.
Ela, com seus lisos cabelos negros, como cetim ao toque da noite, e uma pele alva como a lua. Ele, uma figura alta e silenciosa, com olhos tão escuros quanto as águas de um lago profundo. Os ouvidos dele atentos aos passos de Rosália. Sentia-se atraído pelos votos de paixão eterna, uma chama que queimava na escuridão, que devorava os dois sem piedade.
Quando Rosália o encontrou, encostado contra a parede úmida de tijolos antigos, ela o saudou com um sorriso malicioso, porém delicado. O peito dele pesou, o "Boa noite, meu amado!" de Rosália ecoou em seus ouvidos como notas de um órgão dentro de uma catedral vazia. Lázaro se aproximou e a puxou para si com uma força que beirava a violência, mas que ela adorava.
— Sabias que por teu nome eu me entregaria à morte? – as palavras escaparam dos lábios dele em uma devoção profana, enquanto seus dedos deslizavam pela curva do pescoço dela, sentindo o pulso acelerar sob a pele fria.
Rosália não respondeu, apenas inclinou a cabeça expondo a garganta, em um sinal de completa rendição.
Tomado pelo ímpeto daquela cena, Lázaro traçou uma trilha de beijos e mordidas úmidas ao longo do pescoço dela, enquanto seguia sussurrando ao seu ouvido.
— Digo com a mais intensa sinceridade, Rosália. Achas que Ele se entregaria por ti? – Aquela frase escapara das profundezas da alma de Lázaro, feroz como uma besta. Havia resquícios de rancor no modo como mencionava "Ele".
— Definitivamente Ele não o faria – a voz de Rosália carregava o peso de um assunto que preferia deixar para outro momento.
Apesar da devoção ardente a Lázaro, Rosália vivia presa a uma existência dupla. Em seu refúgio iluminado pelo frio do alvorecer, Evandro, seu marido ausente rasgava a noite com seu labor incessante, como um vulto distante na sua vida.
Rosália o mantinha no limiar do desconhecimento. Enquanto ele assumia o turno da noite na vigilância de uma fábrica do bairro, os desejos verdadeiros da esposa se desenrolavam nas trevas da noite com Lázaro.
Era somente com Lázaro que Rosália se entregava aos sussurros da noite, dançando entre as penumbras, seus passos furtivos apressando-se para que o sol jamais encontrasse sua pele marcada pela volúpia oculta.
— Deixemos Evandro para outra hora. Agora somos apenas nós dois! – murmurou Rosália.
— Como em todas as noites – respondeu Lázaro, o esboço de um sorriso em seus lábios.
Suas bocas se encontraram em um beijo que já era instintivo, explorando o interior um do outro. Lázaro a prensou contra a parede áspera, marcando sua pele pálida como um símbolo de posse, como um altar recém-consagrado ao desejo.
Em seguida, ele a tomou nos braços, guiado pelo fervor que queimava em suas veias, e a conduziu aos beijos até a entrada de seu refúgio sombrio, a poucos metros dali. A saia de Rosália, como um véu, dançava ao vento enquanto ele a carregava pela escuridão daquele beco.
KAMU SEDANG MEMBACA
AMAR VOCÊ ATÉ A MORTE
Cerita PendekRosália e Lázaro, dois amantes que se encontram presos a um destino perigoso. Caminham juntos na beira do abismo, unidos por um amor profundo e se entregam ao que não pode ser contido, mesmo que o preço seja a própria morte.
