A Noite Em Que Ele Cometeu Um Erro
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A harmonia no relacionamento havia durado pouco.
E Cassian estava tentando.
Maldito Caldeirão, ele estava mesmo tentando.
Uma semana de folga, havia dito a Rhys, uma semana com Nestha em uma cabana no meio da floresta illyriana para tentar consertar a relação. Sete dias para se reconectarem. Apenas eles dois. Sem treinamentos, sem Azriel por perto, nenhuma Valquíria. Apenas o silêncio, o fogo da lareira e o que quer que ainda restasse entre eles depois de dois anos.
Mas o silêncio logo se tornara insuportável.
Nestha falava pouco. Quando falava, era para ferir. Quando tocava, era para provocar. E as interações se resumiam a um looping de brigar e transar para esquecer — ele começava a temer o momento em que aquela linha tênue iria partir.
Na quarta noite, Cassian não aguentou. Calçou suas botas e saiu.
O ar cortava como gelo, as árvores altas atrás da cabana e as montanhas engolidas pela névoa o acolheram com familiaridade. Era melhor ali, embrenhado na natureza, se exercitando na neve e socando troncos, com os músculos queimando e o peito arfando.
Melhor do que ouvir Nestha dizer que eles não precisavam disso. Que estavam bem como se realmente estivessem.
Um par de horas se foi assim, e o general estava profundamente mergulhado na sensação do corpo reclamando por descanso — mas a mente estava limpa.
De repente houve um ruído alto. Um baque. Algo caiu na neve, e não foi longe dali.
Cassian parou na subida de uma flexão, os olhos fixos no outro pedaço de floresta escura que se estendia à sua esquerda. O barulho não se repetiu. Poderia ter sido apenas um animal caçando, mas ele ainda foi verificar.
Alguns passos adentro, uma faca de caça em mãos — por que havia trazido? Não se lembrava, apenas estava no bolso da calça —, um novo barulho veio. Um som baixo. Um choramingar.
Os passos leves, silenciosos, ele continuou com a pele arrepiada. Não parecia um ganido animal. E como se para confirmar os seus pensamentos, outro gemido soou, mais alto dessa vez. Como uma fêmea ferida.
Não demorou para que ele pudesse ver, e sua visão mal precisava ser forçada: num espaço um pouco mais amplo entre as árvores, havia uma formação circular e brilhante no solo, iluminando até os seus pés. Fora dela, havia o corpo de um homem ainda jorrando sangue — a cabeça longe demais do pescoço —, e do lado de dentro, uma fêmea... Ou algo parecido com uma.
Seu cabelo era ruivo, assim como as nove caudas abertas atrás de si como um leque de chamas. Sua pele era brilhante, com veios dourados que pulsavam sob a carne como se houvesse ouro correndo ao invés de sangue. A roupa — se é que pedaços de pano podiam ser chamados assim — era composta por tecidos finos, quase transparentes, cobrindo pouco e deixando menos ainda para a imaginação; com correntes douradas penduradas na cintura, nos tornozelos e braços, tilintando a cada movimento: ela estava próxima à borda do círculo, suas mãos de unhas enormes e ensanguentadas acertando contra a parede invisível.
Cassian finalmente percebeu que não havia ouvido gemidos de dor: era frustração. Aquela criatura estava irritada, tentando sair daquela prisão mágica e falhando.
Nua demais para todo aquele frio, isso não parecera importar antes — e não agora, quando seus olhos como moedas de ouro travaram nele.
— Um morcego. - disse ela, a voz rouca, um timbre sedutor enquanto zombava. — Veio pra brincar também? Eu aguentei o primeiro, posso aguentar mais um.
Era uma ameaça. Definitivamente uma ameaça, Cassian sabia bem, mas ela havia feito soar como um convite.
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Não Conte Para Nestha | Acotar |
FanfictionShortfic | PWP | CassianCasado • OC Cassian estava tentando consertar seu relacionamento. Sete dias isolado com Nestha em uma cabana nas montanhas deveria ser tempo suficiente para reconectar, conversar e melhorar a relação. Mas o silêncio entre ele...
