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Encontro com o destino

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Capítulo 1:

2085 - Estados Unidos
São Francisco.

Bridgite Campbell (Bridge) nunca gostou de tecnologia. Não que ela tivesse algo contra a evolução ou contra o que o futuro prometia. Mas, no fundo, ela sempre sentiu que o mundo moderno estava correndo tão rápido que ela mal conseguia acompanhar. Para ela, pedalar pela cidade em sua bicicleta ainda era o jeito mais simples de se sentir viva, enquanto o resto da população vivia refém dos gadgets, assistentes virtuais e dispositivos de inteligência artificial.

Filha única, criada por pais amorosos que lutaram por anos para tê-la, Bridge cresceu em um ambiente de carinho e segurança. Mas, no aniversário de 17 anos, tudo mudou. Seus pais morreram em um trágico acidente, e, com eles, ela herdou uma fortuna considerável. Aos 20 anos, morando sozinha em uma mansão de tecnologia de ponta que ela mal usava, Bridge se viu perdida. Não precisava de trabalho, não queria um emprego normal. As pessoas ao seu redor estavam em uma correria constante, mas ela se sentia uma estranha nesse mundo de brilho e conectividade. Ela não entendia o fascínio por itens como óculos de realidade aumentada ou drones pessoais. Ela preferia a simplicidade do mundo físico.

Mesmo sem muita direção, Bridge se dedicava a coisas que lhe davam um certo propósito: praticava Krav Magá para manter o corpo e a mente fortes, fazia aulas de tiro, mas nunca tinha se encontrado de fato. O amor sempre lhe escapava. Sempre tão desconexa, sempre tão fora do eixo do que as pessoas ao seu redor pareciam querer. Seus relacionamentos nunca passavam de amores fugazes, momentos rápidos que nunca se encaixaram em sua vida.

Era uma tarde como outra qualquer quando ela voltava da sua aula de Krav Magá, a música no fone de ouvido a embalava enquanto ela pedalava pelas ruas agitadas de São Francisco. A cidade estava vibrante, como sempre, com suas luzes holográficas e carros autônomos, e ela se sentia um pouco distante daquele ritmo frenético.

"Ah, mais um dia normal, só eu e minha bicicleta", Bridge murmurou para si mesma, como se tentando encontrar algum tipo de consolo na rotina.

Ela estava absorta em seus pensamentos quando, de repente, um estrondo interrompeu seus devaneios. O chão tremia sob seus pés, fazendo a bicicleta balançar. Ela olhou rapidamente para trás. Um enorme edifício desabava no horizonte, uma nuvem de fumaça subindo aos céus.

"Ah, lá vamos nós", Bridge disse, passando os olhos por toda a cena, mas sem mostrar muito interesse. "Mais uma dessas destruições tecnológicas, um dia será o fim de todos nós."

Ela continuou pedalando sem pressa, a música do fone ainda em seus ouvidos abafando os gritos e o caos ao fundo. A cidade estava em pânico. As pessoas corriam pelas ruas, algumas caindo, outras sendo atropeladas pelos carros que agora pareciam desgovernados.

"Quem precisa de tudo isso? O mundo virou um pesadelo", Bridge resmungou enquanto olhava com certo desdém para os prédios altos e as telas holográficas que projetavam propaganda por toda a cidade.

Ela desviou para um beco conhecido, um atalho até sua casa, achando que podia evitar o tráfego pesado e seguir seu caminho sem muito alarde. Porém, ao virar a esquina, algo chamou sua atenção. Um garoto, loiro, com cerca de 17 anos, surgiu do nada, bloqueando o caminho dela. Ele tinha uma arma na mão e um olhar fixo nela, misturando medo e desconfiança.

"Você... você é humana?" Ele perguntou, a voz trêmula e carregada de uma urgência que Bridge nunca tinha ouvido antes. O garoto estava visivelmente nervoso, sua mão tremendo levemente enquanto mantinha a arma apontada.

Bridge parou, observando-o com um olhar curioso, sem a menor ideia do que estava acontecendo. Ela estava mais entediada com a situação do que com medo, mas sabia que algo grave estava acontecendo.

Ela levantou as mãos acima da cabeça em sinal de rendição, mas com um sorriso irônico nos lábios.

"Eu sou humana, sim", Bridge respondeu com calma. "E, ao que parece, tenho sorte de ser humana, porque não sei o que está acontecendo aqui, mas... eu não sou nenhuma ameaça."

Ela olhou para ele de cima a baixo, e o pensamento saltou em sua mente sem que ela pudesse evitá-lo. Eu vou casar com ele.

A ideia a pegou de surpresa, mas algo sobre aquele garoto - talvez a dor nos olhos dele, talvez a situação estranha em que se encontravam - a fez sentir algo peculiar. Ela riu de si mesma, balançando a cabeça como se se censurando.

"Desculpe, eu... eu sou meio doida", Bridge se corrigiu, tentando aliviar a tensão. "Mas você parece em apuros. Não é todo dia que um garoto loiro com uma arma aparece no meu caminho."

O garoto, ainda com a arma apontada para ela, parecia confuso. Ele olhou para Bridge por alguns segundos, o olhar indecifrável, antes de lentamente abaixar a arma, mas ainda mantendo uma postura defensiva.

"Quem... quem é você? Não parece... não parece alguém normal." Ele parecia buscar uma resposta mais lógica para o que estava vendo. "O que você está fazendo aqui?"

"Eu estava indo para casa", Bridge respondeu com simplicidade. "Mas agora parece que tenho um pouco de tempo livre. Que tal você me contar o que está acontecendo antes de eu ser atropelada por outro prédio caindo?"

O garoto engoliu seco, claramente sem saber se deveria confiar nela ou não, mas algo em seu olhar suavizou um pouco. Ele deu um passo atrás, ainda sem tirar os olhos de Bridge.

"Eu... preciso saber se você é humana de verdade", ele disse, a voz mais calma agora, mas ainda tensa. "Porque se não for... você vai ser destruída."

Bridge o observou por um momento, tentando entender a gravidade das palavras dele. A cidade estava desmoronando, mas ela sentia que algo maior estava acontecendo. Algo que ela não conseguia ainda compreender.

"Bem, você me fez um favor então", Bridge disse com um sorriso cínico, sem conseguir esconder o que sentia. "Porque eu definitivamente vou casar com você."

O garoto olhou para ela, confuso, enquanto ela dava de ombros, com um ar tranquilo. Não sabia o que o futuro reservava, mas aquela era uma promessa que Bridge, sem perceber, estava começando a fazer.

E assim, a vida de Bridge Campbell, que sempre se sentiu deslocada, estava prestes a mudar de forma irreversível.

Fim do Capítulo 1

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