Gatos, cafés e uma pequena mentira branca

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Capítulo 1 — “Gatos, cafés e uma pequena mentira branca”

Se eu pudesse ganhar uma moeda cada vez que alguém confundiu minha existência com a de uma garota, acho que já estaria morando num café em Paris rodeado de gatos e cupcakes

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Se eu pudesse ganhar uma moeda cada vez que alguém confundiu minha existência com a de uma garota, acho que já estaria morando num café em Paris rodeado de gatos e cupcakes. E talvez ainda assim, algum turista perdido me chamaria de "moça" enquanto eu bebia meu capuccino.

Mas, infelizmente, a vida real era menos glamourosa e mais sofrida.

Quer dizer, eu não sou lá essas coisas... Um garoto comum de 16 anos — comum dependendo do seu conceito de "comum", claro — que gosta de pintar a unha de glitter, usar presilhas no cabelo, passar um gloss de menta antes de sair de casa, e às vezes desenhar estrelinhas no canto do olho com delineador, usar maquiagem e as vezes pinta e decora as unhas. Pequenos detalhes, nada muito chamativo, sabe? Só... eu.

Ok, nada realmente comum, mas, aceitável? Mas, era uma pena que para a sociedade escolar, era basicamente a reencarnação do próprio "erro".

Eles não se cansavam.
"Bichinha", "viado", "princesinha", "Poc Jimin"... Cada dia inventavam um apelido novo, uma zueira nova, uma palavra feia pra encher meu saco.

Às vezes eu até dava risada pra não chorar, mas no fundo... doía.

Muito.

Pra caralho..

E era bizarro como o bullying aumentava cada vez mais, tipo.. o que antes era apenas três fedelhos enchendo o saco, se tornou todo um grupinho de 5 ou 6 pessoas enchendo a minha paciência na sala.

Já na escola em geral, eu sou tipo uma vitrine de shopping em promoção: todo mundo olha, aponta e fala.

"Olha lá a bichinha!"

"Vai chorar, Jiminzinha?"

"Cadê seu vestidinho hoje?"

Cara, eu nunca usei vestido, e não me vejo nunca em um também.

"Caralho, ele realmente parece uma mulherzinha"

Hah. Engraçado. Se eu ganhasse um real pra cada piadinha dessas, eu já teria dinheiro suficiente pra comprar um foguete e morar em Plutão.

Minha família? Ah, eles tentam ser compreensivos. Minha mãe, coitada, me defende igual uma leoa (uma leoa baixinha, mas feroz). Meu pai faz aquela cara de "não sei lidar com isso", mas eu vejo que ele tenta. Meus irmãos mais velhos? Eles me zoam, óbvio. Mas só eles podem me zoar — se outra pessoa tentar, vira briga.

O problema mesmo é... a escola.

— Tá chorando, Jiminzinha? — Um idiota qualquer provocava no corredor, enquanto outros riam — Ver se enfia um pau na boca, aí você chora com gosto.

Eu só abaixava a cabeça e enfiava meus fones de ouvido. Música era meu escudo.

Enfim, eu sobrevivia. Ou tentava. Até que um dia, num daqueles domingos em que a solidão bate mais forte que chinelo de mãe, eu resolvi criar uma conta no Instagram.

Feminine - JIKOOKWhere stories live. Discover now