Era o final da tarde, perto do pôr do sol, no Reino de Aryun.
Toda semana, no quinto dia, o Sumo Sacerdote descia do Templo da Deusa Yejji para a capital do Reino, Ayen. Ele fazia o caminho a pé, sozinho, apoiado em seu cajado,do Templo para a praça central. Tinha por volta de quinhentos anos; como todo feiticeiro de alta classe, vivia longamente. Sua barba e cabelos estavam brancos como a neve, compridos, mas bem alinhados. Vestia as roupas de sua posição, uma longa túnica vermelha bordada de negro, simbolizando o sangue, e uma capa branca, que simbolizava a cura, presa por um broche de ouro, com um grande rubi ao centro.
As roupas do Sumo Sacerdote da Ordem do Sangue.
Na mesma hora que o Sacerdote ia até Ayen, as crianças mais novas estavam saindo da escola. Aos doze anos, as que tivessem a magia nas veias poderiam se unir à Ordem, se assim quisessem. As demais poderiam seguir na educação normal. Todas as crianças ansiavam por ser grandes feiticeiros um dia, como o Sumo Sacerdote e tantos outros eram, e o velho feiticeiro apreciava sua companhia, pois eram uma das poucas alegrias de sua vida conturbada.
Por isso, toda semana, no quinto dia, ele ia até a praça central encontrar com as crianças. Elas se reuniam ao seu redor, sentadas no chão, enquanto ele se sentava na fonte de pedra. E ali ele lhes dava ensinamentos, conselhos e contava histórias fantásticas.
O Sumo Sacerdote chegou à praça, abençoando os que cruzavam seu caminho, e suspirando, sentou-se à fonte. Já não era jovem como um dia fora, e seu corpo estava cansado, seus poderes não eram mais os mesmos. Ainda era o mais forte entre os seus, e isso garantia sua posição. Mas ele já vislumbrava o fim, espreitando-lhe no raiar de cada dia.
Seus pensamentos fúnebres, todavia, foram perturbados por gritos joviais de alegria que encheram o ar, quando vinte pequenos humanos despontaram de uma rua paralela, correndo para passarem o final da tarde todos juntos. Eles se amontoaram diante do Sumo Sacerdote, que impôs as mãos sobre as cabeças de cada um, desejando que tivessem uma vida longa e abençoada por Yejji. Passada a euforia, logo todos estavam sentados no chão, observando o feiticeiro com expectativa.
E o velho homem sorriu.
— Mais uma vez, meus filhos, estamos reunidos — Ele começou, a voz grave chamando a atenção de todos. — Como de costume, eu sempre permito que vocês sugiram a história que lhes contarei hoje. Há algo que queiram ouvir?
O silêncio tomou conta das crianças enquanto elas se entreolhavam. Quem tomou a palavra foi o menino mais velho do grupo, que tinha por volta de seus onze anos. Se chamava Geumham.
— Pai, ouvimos falar de uma história que nunca nos contou. A história do Príncipe Chagado de Byeol.
O sorriso no rosto do velho homem se desvaneceu ao ouvir aquele termo. O Príncipe Chagado de Byeol. Ele sabia do que as crianças estavam falando, claro; a história do único homem que desafiou os poderes da Ordem do Sangue, um assunto que deveria estar morto e enterrado junto com os envolvidos. Era o que ele esperava, mas aparentemente, mesmo depois de tantos anos, ainda se falava disso.
— Ora, crianças… Essa não é bem uma história para a idade de vocês. Não quero nenhum pai ou mãe reclamando que alguém teve pesadelos — Ele tentou dissuadi-los, pois não queria contar a história. Ele sabia que era uma história real, mas não queria que isso voltasse a ser discutido entre o povo de Aryun, afinal, a confiança nos poderes da Ordem devia ser sempre absoluta.
Todavia, o Sumo Sacerdote estava velho. Sabia que não lhe restava muito tempo de vida, e ele era a única pessoa viva que sabia a verdadeira história do Príncipe Chagado de Byeol. Todos os boatos, as histórias passadas de um para o outro, eram apenas isso, boatos. Se ele morresse, a história morreria com ele, e algo dentro de si sentiu que não era justo com os personagens que assim ocorresse.
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The Wounded (TaeKook)
FanfictionOs Feiticeiros da Ordem do Sangue são conhecidos no mundo inteiro por seu poder de curar qualquer ferida com a ponta dos dedos; mestres da medicina e da magia curativa, espera-se que eles consigam curar qualquer coisa. Tudo muda quando o feiticeiro...
