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- Suy... você vai acabar apanhando de novo, sabia? Eu já avisei que dessa vez não te protejo mais.

Eu segurava uma bolsa pesada de ferramentas.
Estávamos do lado de fora de casa, na frente do carro do chefe, que havia sido baleado.

- Não! Eu vou consertar o carro do chefe.

- Claro que não. - Ran deu uma risada amarga. - É impossível salvar um motor baleado.

Meus pais me abandonaram sem pensar duas vezes há muitos anos. Para sobreviver, roubava algumas pessoas, às vezes matava. Por ser nova, me subestimavam.

O meu chefe era Hiraku, um homem frio e destemido, cujo nome causava calafrios. Ao seu lado estavam Saitou e Raku, dois irmãos fiéis ao seu chefe, que também consertavam motos para ganhar renda extra e um pouco de lazer.

Vivia em uma oficina com Saitou e Raku. No andar de cima, ficava uma pequena casa com três quartos, sala, banheiro e cozinha. A janela da sala dava acesso ao teto.

Eu estava no teto quando ouvi meu nome ser chamado embaixo, pelo Ran.

Aos treze anos, ele era um delinquente popular em Roppongi, filho de um homem mais perigoso que o próprio Hiraku.

- Olá, Ran! - Sorri para ele. - O que faz aqui?

- Vim te ver... mas quero falar com Hiraku. Onde ele está?

- Hiraku... - Fiz bico, pondo a mão na testa. - Não sei.

Ran fez sinal com a cabeça para que o seguisse. Fiz como mandou, correndo enquanto tropeçava nos próprios pés.

Entramos em um clube. Por ainda ser o pôr do sol, estava quase vazio, apenas com os bêbados e viciados de sempre. Subimos até o último andar, na sacada.

Ran sentou na borda. Sentei ao seu lado, sorrindo como criança, balançando as pernas e encarando o sol deixar o dia e a noite se iniciar.

O vento frio já se iniciava, bagunçando meus cabelos azuis curtos.

- Eu tô a um passo de comandar Tóquio. - Encarei ele, que não deixava de olhar para frente. - Falta só um babaca.

- Sério? Eu fico muito feliz, chefinho!

- Suy... - Deu uma risada fraca, finalmente me encarando. - Me chame de Ran. Eu não sou chefe, principalmente o seu. - Ele colocou a mão sobre a minha.

Senti minhas bochechas queimarem, continuei sorrindo e voltei a encarar o sol.

Ran voltou a contar sobre seu dia, sua rotina de sempre, que era totalmente diferente da minha.

Passamos em uma loja de doces e depois voltei para casa.

Encontrei um clima pesado no lugar. Hiraku estava com uma faca sobre a mesa, murmurando algo para Saitou e Raku.

- Hiraku? - Chamei seu nome, mas ele sequer fez questão de falar comigo, me arrancando um suspiro. - Eu estou feliz em te ver.

Saitou puxou a minha bolsa, jogando os doces no chão enquanto ria.

Sempre isso.

- Me devolve, seu babaca! Fudido! Lixo! - Falei enquanto pulava, tentando pegar.

Me agachei no chão, mas apenas recebi uma pisada nos doces e nos dedos.

Mostrei o dedo do meio assim que ele saiu, pegando os doces restantes e colocando dentro da bolsa.

𝐋𝐎𝐕𝐄𝐑𝐒 𝐑𝐎𝐂𝐊 | 恋人Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora