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Prólogo

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     "Ódio era como se tivesse a fragrância do mais bem feito perfume e o sabor era indescritível como se tivesse sido feito pelo mais renomado chefe do mundo." Isso era o sabor do ódio para os meros humanos que escreviam livros sobre seres sobrenaturais, mas para estes o sabor era totalmente diferente. A doçura do sentimento da lembrança, a acidez do querer falar o que provavelmente causaria uma enorme briga, as palavras salgadas que poderiam sair para dar um toque a mais e a fragrância do amargor da repetição do rancor dia pós dia. Era assim que demônios pensavam e todos ansiavam pelo dia em que poderiam sentir esse sabor vindo de humanos, o que não era difícil, mas achar o perfeito ódio que era o complicado. Mas enquanto os outros sentimentos... nenhum deles preenchia mais do que o ódio, esse era o favorito desses seres sobrenaturais e cruéis. 

     Como viviam com fome eles apenas aceitavam o contrato pra pelo menos sentir o gostinho do que nunca chegará ser a perfeição que desejavam. E se algo mudasse? E se um dia aparecesse algo diferente do ódio? Nenhum demônio havia pensado nisso antes, estavam ocupados demais implorando para alguém fazer um pacto e que esse fosse completamente cheio do tão almejado sentimento. Porém em um dia qualquer algo mudou, algo que ninguém nunca havia pensado antes e pelos últimos anos nunca se viu os demônios tão agitados antes. Foi um dia em que um deles foi escolhido para fazer um contrato, esse um pouco mais diferente do que o usual, entretanto não podia perder essa oportunidade tão única. Era diferente, era como se fosse uma mistura perfeita de sentimentos ruins e mais fracos que só puderam ser vistos as vezes e as vezes significava um bom tempo. Ansiedade, uma pitada de inveja, traumas, dor e o mais importante... tristeza seguida de um pouco de ódio reprimido. Era um cheiro novo e curioso, fazia com que aqueles seres ficassem impressionados enquanto assistiam ao fundo um deles conversando com essa pessoa.

— ... Então estamos de acordo?

— ... Sim estamos... 

— Ótimo, estenda a mão.

O demônio em forma de cobra então sorriu ao ver sua nova vítima corrompida levantar a mão como se fosse receber um aperto. Mas na verdade a cobra caiu em seu ombro e se enrolou no braço da humana e mordeu as costas da mão dela, isso fez com que ela soltasse um pequeno grunhido de dor, porém não demorou muito pra que uma marca com um símbolo tenha se formado marcando o contrato de ambos. A cobra formada de sombras tirou suas presas e olhou a moça com serenidade como se não tivesse feito nada demais. O motivo do olhar sereno era simples, agora aquele demônio estava ligado a aquele receptáculo de sentimentos mistos e para o puro egoísmo dele, ele seria o único a experimentar quando o contrato chegasse ao fim. Agora ambos iriam se encontrar novamente após uma boa noite de sono, seu mordomo estaria a esperando pacientemente. 

O ReceptáculoStories to obsess over. Discover now