Eu e Onerb estávamos em um parquinho de bairro, perto de nossas casas. Eu não costumava ir muito a esses lugares, mas ia para acompanhar Onerb, ele gostava muito de ir lá, e eu gostava muito dele.
Nós não temos muita diferença de idade, eu sou apenas um mês mais velho que ele, mas temos gostos muito diferentes, eu diria que ele é mais "infantil" ou então eu que sou muito chato. Ele é muito animado, extrovertido, é como se fosse a personificação do sol, alguém que ilumina a vida de todos, tão radiante que chega a brilhar, já eu, por outro lado, sou muito quieto, tímido, mal consigo falar com as pessoas, sequer consigo falar comigo mesmo, eu sou um abismo de melancolia, sempre estou triste, desanimado, ou até mesmo isolado.
Mas é por isso que Onerb é meu melhor amigo, ele me faz ver o mundo de forma diferente, suas palavras, atitudes, mudam totalmente meu humor. Ele me tira do fundo do poço, sempre me ajudando a levantar meu alto-astral. Quando eu me machucava, ele quem cuidava de mim e ficava implorando para eu o desculpar porque foi ele quem deu a ideia de fazer algo arriscado. Se meus pais brigassem comigo, ele tiraria o dia todo só pra me animar, íamos tomar sorvete, — que é meu doce preferido, e ele sabe disso — ver filmes no cinema, ele me comprava pelúcias, até me levava no parque de diversões da cidade. Ele sempre esteve comigo, nos meus piores e melhores momentos, e é claro que os melhores eram sempre com ele.
Agora nós estávamos na escola, fazendo um trabalho em dupla de geografia, a matéria que eu mais detestava, mas tudo bem, afinal, eu estava com o Onerb e tudo com ele fica bom.
Ele me ensinava um pouco da matéria, ninguém nunca conseguiu fazer geografia entrar em minha mente, mas as palavras que ele usava pareciam nunca sair de meu cérebro. Eu diria que ele tem o dom de me hipnotizar, seus olhos são minha perdição, suas falas me levam a outro mundo, seu toque me faz flutuar. Tudo nele me faz me sentir diferente, eu me sinto eu mesmo quando estou perto dele.
Foi ele quem me salvou na minha pior época, quando minha depressão era tão forte que me fazia enxergar o mundo em preto e branco. Eu não tinha esperança, sonhos, motivo e nem vontade de viver, foi então que eu conheci o Onerb.
Tínhamos doze anos, eu estava sentado em uma carteira qualquer no meu primeiro dia de aula no sexto ano, era uma escola nova pra mim, me sentia deslocado, todos ali pareciam se conhecer. Conversavam sobre as férias e o quanto estavam animados para esse novo ano, aquelas típicas coisas de crianças, como "Agora iremos usar caneta!", "Vamos ter vários professores e matérias novas!".
Por causa do limbo que a depressão havia me colocado, aquele ano seria o pior de todos, mas então, eu encontrei novamente o sentido da vida quando Onerb veio até mim
"Oi! Tudo bem? Qual seu nome?"
Foram essas palavras que mudaram minha vida, não me esquecerei delas nunca, algo simples, básico, uma conversa que todo mundo já teve, mas para mim, aquilo foi como se meu mundo cinza ganhasse cor novamente.
"Oi, meu nome é Chip e o seu?"
"Onerb! Você é novo né? Veio de qual escola?"
E foi a partir daí que nunca mais nos separamos.
Avançando um pouco mais no tempo, agora temos dezesseis anos. Estamos sentados em uma calçada perto do local de um evento que iria começar daqui alguns minutos. Onerb me mostrava em seu celular um joguinho off-line que ele havia descoberto, eu ria com a sua empolgação com um joguinho de celular mas me admirava sua habilidade nele, nunca fui muito de me interessar por jogos, nunca me interessei por nada na verdade.
De forma repentina, Onerb cita uma pessoa, alguém que não tinha nada a ver com nossa conversa, mas tudo bem. Eu escuto atentamente sobre essa pessoa, afinal, quem está me contando é quem eu mais amo em minha vida.
ESTÁS LEYENDO
Memórias do nosso tempo antigo. - Chinerb
FanfictionUm universo alternativo onde Onerb e Chip se conhecem na pré-adolescência, a pior época da vida de Chip, a época que cada dia mais, ele se afundava na depressão, porém, no primeiro dia de aula do sexto ano, tudo mudou. Onerb, desde então, o ajudava...
