Eu sou Millena Routledge. Tenho dezesseis anos e passei quase toda minha vida no Brasil. Nasci nos Estados Unidos em Outer Banks Carolina do Norte, mas fui embora com seis anos, quando meu pai morreu. Dois anos atrás , e agora eu decidi voltar pra Outer Banks.
Eu e meu irmão sempre nos falamos todo dia, por mensagem, ligação, qualquer jeito que a gente consiga.
O avião tinha feito uma parada de emergência no México por causa de um problema técnico, e agora, algumas horas depois, finalmente estávamos embarcando de novo. A classe econômica estava lotada, então eu e mais cinco passageiros fomos transferidos para a primeira classe sem custo algum. Sinceramente? Foi um alívio. Eu já estava cansada, com dor nas costas e uma ansiedade maldita que não me deixava respirar direito desde que decidi voltar pra Outer Banks.
Sentei no meu novo assento e, ao lado, estava um rapaz que parecia tirado de uma revista de moda. Alto, cabelo claro bem cortado, uma postura rígida, e os olhos azuis mais frios que eu já tinha visto. Ele estava mergulhado no notebook, digitando como se o mundo fosse acabar se ele parasse por dois segundos. Mesmo assim, tentei ser educada. E tudo que recebi de volta foi um bom dia automático, sem sequer me olhar.
Millena:bom dia
Rafe:bom dia
Pov Rafe
A viagem de volta estava sendo longa demais e meu foco estava todo naquele relatório. Uma casa recém-negociada em Charleston que meu pai provavelmente teria achado “abaixo do nosso padrão”, como sempre dizia. Irônico pensar nele agora. Ou talvez nem tanto. Era por ele que eu tava ali, voltando pra casa com a cabeça fervendo e o coração doendo de um jeito que eu não sabia controlar.
Quando percebi alguém sentando ao meu lado, só respondi o cumprimento por reflexo. Mas, por algum motivo, fechei o notebook e olhei. A garota era linda. Mas não era só isso. Tinha um ar estranho, meio deslocado. E era impossível não reparar naquele sotaque leve, meio diferente.
Rafe: Está indo pra Outer Banks?
Millena: Sim.
Rafe: Turista?
Millena: Não. Voltei pra casa.
Rafe: Você não tem cara de americana.
Millena: Minha mãe é brasileira, meu pai americano.
Pov Millena
Ele finalmente me olhou. E não era um olhar qualquer. Era o tipo de olhar que te tira a roupa e depois tenta entender tua alma. Mas não de um jeito sexy. Era frio, inquisidor. Como se tentasse decidir se eu era confiável ou não. Se merecia estar ali ou não. Como se tivesse todo o direito de julgar só com os olhos.
Rafe: Prazer. Rafe Cameron.
Millena: Millena Routledge.
Pov Rafe
Quando ela falou Routledge, tudo travou. John B. Claro. Só podia ser irmã dele. E quando ela confirmou, meu estômago virou. Não era possível. Ela não parecia Pogues. Não parecia filha do big john . E, no entanto, ali estava ela. Sentada ao meu lado. Olhando pra mim com olhos que não sabiam da metade da merda que existia entre minha kooks e Pogues
Como ela podia ser irmã daquele filho da puta?
Pov Millena
Assim que ele ouviu meu sobrenome, o clima mudou. E eu senti. Era como se tivesse apertado um botão errado. A expressão dele ficou dura. A energia ficou pesada. Eu sabia o que ele estava pensando. Todo mundo na ilha ainda falava da merda entre os Kooks e os Pogues, como se fosse uma guerra de verdade. Eu mal lembrava disso. Saí de lá com seis anos. Só tinha lembranças borradas, vozes misturadas, cheiro de sal e o rosto do meu irmão chorando quando me despedi. Agora, sentada ao lado de alguém que provavelmente odiava tudo que o John representava, me senti deslocada. De novo.
Pov Rafe
Ela não falou mais nada. E eu também não quis puxar assunto. Só fiquei ali, olhando pra frente, mas ouvindo cada movimento dela. O jeito que cruzava as pernas, o som do zíper da mochila, o leve cheiro doce do perfume que escapava quando ela se mexia. Era ridículo o quanto aquela garota estava me afetando. Era só a irmã de um Pogue. Era só uma garota. Mas, mesmo assim, algo nela me dava vontade de saber mais. E isso me irritava profundamente.
Rafe: A gente se vê por aí, Millena.
Millena:até logo
Pov Millena
Quando o avião pousou. Levantei, peguei minha mala de mão e saí andando rápido. Não via a hora
De encontrar o John b.
YOU ARE READING
RAFE CAMERON E A POGUE
Romancerafe Cameron se apaixonou por uma Pogue? Millena Routledge irmã do John b Por parte de pai e brasileira Será que isso vai dar certo um Cameron e uma Routledge
