Lá estava ela novamente, naquele lugar escuro, frio, úmido e fétido. O chão era liso, coberto de limo, e não havia som ou luz. O medo já havia tomado conta de seu corpo, mas ela sabia o que aconteceria a seguir. Então, sentou-se, abraçando os joelhos, esperando que a mulher aparecesse logo. Sabia que seria inútil tentar fugir ou encontrar uma saída, pois ali não existia escapatória.
Logo, sentiu uma presença gélida às suas costas, acompanhada de um cheiro de podridão que a deixou nauseada. Apertou os olhos com força, tentando, em vão, fazer aquilo desaparecer — seja lá o que fosse. A criatura estava a poucos centímetros dela, e ela permanecia paralisada, rezando para que a mulher chegasse logo e a salvasse. Algo que parecia uma mão ossuda tocou seu ombro, e a sensação foi como se sua pele queimasse. Cerrou os lábios, segurando um grito, enquanto lágrimas deslizavam pelo seu rosto. A criatura cravou suas unhas em seu ombro, que pareciam adagas perfurando sua carne.
Por que ela estava demorando tanto? Seria tolice ter depositado tanta confiança em uma mulher desconhecida? A esperança começou a se esvair, e ela já estava aceitando que aquele seria seu terrível fim, que a mulher não viria, que não a salvaria. Mas então, como por um passe de mágica, a dor desapareceu de seu ombro. O fedor deu lugar ao cheiro de terra molhada, o calor já se fazia presente, e a presença assustadora deu lugar a uma mais reconfortante. Ela abriu os olhos devagar, ainda com um pouco de desconfiança, e lá estava a mulher! Havia preocupação estampada em seu rosto, e ela vestia o mesmo vestido branco de sempre. Seus cabelos longos, negros e volumosos caíam sobre os ombros.
Sem conseguir conter o impulso, ela lançou os braços ao redor do pescoço da mulher e chorou copiosamente. Ela tinha vindo. Ela a salvara!
O silêncio ainda reinava. Em todos aqueles anos, nunca ouvira som algum ecoar ali. Agora estavam na floresta, cercadas por flores silvestres e imensas árvores. Quando finalmente conseguiu soltar o pescoço da mulher, limpou as lágrimas e permaneceu sentada na grama. A mulher sentou-se à sua frente e fez o que sempre fazia: pegou sua mão direita e começou a desenhar, com o indicador, um círculo de sangue sem fim. Sem expressar mais nada, sem ao menos olhar para
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O Chamado
General FictionMary sempre foi uma princesa de contos de fada, vivendo entre muros seguros e verdades bem contadas. Mas, quando acorda em uma cabana distante e misteriosa, nada em sua vida parece ser o que sempre acreditou. Vozes inquietantes sussurram em sua ment...
