Quando o reino oculto dentro da crosta terrestre entra em colapso e ameaça também a existência humana, um encontro inesperado pode mudar o rumo de todas as coisas.
Como jovens de mundos completamente opostos podem conviver pacificamente e lutarem po...
Win estava xingando seu GPS, que definitivamente o mandou para o meio de lugar nenhum. Ele voltava para Bangkok depois de um dia exaustivo, no qual passou por inúmeras reuniões que não lhe renderam muitos frutos e, ainda por cima, a última foi em um povoado distante, no interior da Província de Kanchanaburi, do qual nunca nem tinha ouvido falar. E, agora, ao retornar para casa embaixo de uma forte chuva, para piorar sua situação, acabou se enfiando em uma estrada escura e esburacada que cortava o Parque Nacional de Erawan. Com raiva, o jovem discutia com o próprio telefone que acabava de perder o pouco sinal que existia, como se assim o forçasse a funcionar melhor e lhe dar a direção correta para sair daquele lugar sombrio. Seu surto o forçou a desviar seu olhar da estrada por um instante, foi quando um estrondo soou e seu carro deu um solavanco como se tivesse atingido alguma coisa, o fazendo perder um pouco da direção.
Assustado e confuso com o que tinha acontecido, Win conseguiu parar mais adiante, respirou fundo para se acalmar, rapidamente olhando para os lados e pelos retrovisores, podendo ver algo estendido um pouco atrás na estrada, provavelmente o que ocasionou o acidente. Como era impossível identificar do que se tratava, pela distância e a precariedade de iluminação, Win foi obrigado a descer para verificar, por sorte a chuva já tinha passado. Ele pegou uma lanterna no porta-luvas e saiu do veículo com o coração aflito, torcendo para que o objeto caído fosse um pedaço de tronco que despencou de uma das altas árvores que ficavam ao longo da estrada. Se aproximando com cautela ele ficou chocado ao perceber que se tratava de uma pessoa enrolada em uma capa. Nervoso, Win correu o restante da distância entre ele e a vítima.
Quando se aproximou, Win ficou mais chocado ainda, o rapaz estirado no chão estava fantasiado, o fazendo criar várias teorias em sua mente sobre de como aquele jovem havia parado ali no meio do nada, a principal, envolvia festa, bebidas e pessoas loucas o suficiente para se embrenharem na floresta em um lugar tão remoto para se divertirem. Ele agradecia, mentalmente, por seu irmão mais novo, Kaojao, não ser um desses jovens enlouquecidos desta nova geração e, estar focado em seus estudos. O pequeno Jao era muito novo quando eles perderam os pais, os forçando a viver com os tios que não eram muito bons como exemplo. Então, foi realmente um milagre que eles e seu primo, Pruk, seguiram um caminho tranquilo e virtuoso, estudando medicina e batalhando para abrir a própria clínica.
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PRUKE KAOJAO
Sendo médico especializado em traumas, o loiro logo se abaixou para verificar o rapaz caído, que parecia ser mais novo que ele. Não havia nenhuma fratura exposta e, aparentemente, também, não tinha sinal de hemorragia interna, o que aliviou bastante o coração de Win. O menino estava respingando, mas ainda desacordado e não responsivo, o que era preocupante. Win olhou à sua volta em busca de qualquer sinal de alguém à procura da figura estendida a sua frente, em vão a mata estava estranhamente silenciosa, não se ouvia nem os murmúrios dos animais que lá habitavam. Sem outra alternativa, Win correu de volta ao carro e o manobrou de ré até o rapaz.
Rapidamente, Win saiu do carro, desceu o banco do lado do passageiro e pegou o kit de primeiros socorros no porta malas. Mesmo que o garoto aparentava estar apenas inconsciente, os sinais vitais estavam completamente alterados de forma inexplicável até para ele, que era um médico experiente. Preocupado e não vendo outra solução, já que o telefone se mantinha incomunicável, Win colocou o colar cervical no garoto e o carregou para o carro, prendendo-o firmemente com o cinto de segurança para transportá-lo até sua clínica e oferecer tratamento adequado. Pelo caminho, Win ia rezando para que nada pior acontecesse com aquele jovem.
Quando saíram da parte mais densa da floresta e o telefone voltou a funcionar, Win ligou para o irmão pedindo para que ele e Pruk, preparassem a sala de emergência para sua chegada, prometendo explicar tudo depois, no momento seu foco estava em correr para ajudar o menino deitado ao seu lado. Win olhava constantemente para o "Belo adormecido", como sua mente teimava em chamá-lo mesmo estando em uma situação tão complicada. Mas a verdade, é que se não se tratasse de um atropelamento, principalmente feito por ele, culposo ou não, Win tinha a certeza de que poderia ficar horas admirando a beleza pacífica daquele pequeno e, só de imaginar isso, seu coração palpitou mais do que quando viu que seu carro bateu em uma pessoa.
Por sorte, o GPS resolveu funcionar corretamente e os guiou rapidamente de volta para a grande Bangkok, sem mais sustos. Ao chegarem na clínica, mesmo já sendo noite, Pruk e Kaojao permaneceram de prontidão com uma maca na porta de emergência. Apesar do susto pelas vestes do rapaz inconsciente, os dois rapazes foram rápidos em ajudar a tirar o paciente do carro e, os três se locomoveram pelo corredor direto para a sala de exames, Win queria fazer uma ressonância para verificar se precisava operar o rapaz, já que este não teve nenhuma modificação em seu quadro clínico até aquele momento. Enquanto, Win se limpava e trocava suas vestes, Kaojao e Pruk preparavam o garoto.
- P'Pruk... tenho um problema aqui... - Kaojao soou alarmado. - Essa pintura não sai! - Ele gesticulou para a lateral do rosto do paciente onde tentava limpar, sem sucesso, os desenhos de escamas, pois poderia conter algum metal na tinta.
- Como não?! Esfregue com mais força, N'Jao. - Pruk respondeu enquanto voltava a sua tarefa de despir as vestes estranhas do garoto para colocar o pijama hospitalar.- Shia! Está pelo corpo todo... - Pruk declarou franzindo a testa ao abrir a parte superior do manto e se deparar com o mesmo desenho na lateral do dorso.
- Ahn... esses chifres... também, não saem... - Kaojao já estava com os olhos arregalados se afastando da maca onde a figura estranha se encontrava.
- Porque ele ainda está assim? - Win se pronunciou bravo ao entrar na sala e verificar que o garoto estava quase do mesmo jeito em que chegou. - Vocês não entendem a gravidade que tudo isso pode ter? - Ele estava preocupado e irritado.
- Não é nossa culpa, essas pinturas estão por todo corpo provavelmente... - Pruk se justificou apontando para o peito exposto do rapaz.
- E, nada dessas coisas saem... - Kaojao disse com a voz trêmula.
- Como?- Win ficou incrédulo se aproximando e pela primeira vez, com calma e sem a adrenalina do susto ele se deteve bem perto do rosto do menino e pousou a mão na "pintura", sentindo sua aspereza. - Shia!- Ele se sobressaltou.
- P'Win... o que é isso que você trouxe para cá?- Kaojao questionou realmente assustado.
- Nong, não diga besteiras... - Win se recompôs, o menino estava naquele estado desacordado por conta dele, não tinha tempo para superstições, tinha que salvar a vida dele. - Você nunca viu esses jovens doidos que passam por cirurgias para parecer com personagens?!- Ele tentava manter a lógica. - Agora vamos, vou colocar o contraste. - Nervoso, Win preparou a injeção para o processo intravenoso, mas para sua surpresa a agulha não conseguia perfurar a pele do rapaz.
- Está vendo? - Kaojao choramingou, se mantendo afastado enquanto Pruk continuava sua parte.
- Deixe disso!- Win resmungou e continuou tentando, até que a agulha se quebrou sem nem arranhar a pele, mas antes que ele pudesse trocar por outra, uma mão segurou a dele.
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E, para nós que fazemos aniversário, nada melhor do que termos amigos que nós conhecemos bem 😎🙏🏽 amei todos os meus presentes e mensagens, mas este superou as expectativas:
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