Capitulo Um. EM REVISÃO

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     Era tudo tão assustador e tão escuro, mas tão familiar. A dor era como um lar; eu posso estar errada por pensar assim. Éramos como duas amigas íntimas; nossas conversas ficavam entre nós. Sorriamos, dançávamos e eu amava dançar, até a nuvem escura tomar de conta, como uma tempestade com ventos e trovões. Mas por que não consigo respirar? Por que me falta o ar na
garganta? Corro até a beira de um lago, olho meu reflexo na água e acordo.
*******
— Porcaria de sonho. — resmungo.

Olho para o meu hamster, ele, com seus olhos esbugalhados e um pedaço de cenoura na boca, me fez achar graça dele. Meus cabelos estão grudados na testa. Tiro a camiseta que está encharcada de suor. Em seguida,  jogo na cadeira na tentativa de me livrar da agonia.

Verifico a hora no meu relógio de pulso. Ainda faltam exatamente duas horas para o despertador tocar. Levanto-me da cama e faço meu alongamento matinal. O motivo pelo qual escolhi esse apartamento foi pela bela vista para a torre Eiffel. Graças ao senhor Albert Connor, posso ficar aqui e pagar a metade do valor. Na época em que ele me ofereceu o trabalho, pensei em todas as possibilidades de dar errado, mas eu não tinha o que me prendesse no meu país. Logo que cheguei, entrei na faculdade no intuito de me aprofundar. Mas cursar e me graduar em administração estava completamente distante do que fazia meu coração bater.

Termino o alongamento e fico alguns instantes no chão, observando o nascer do sol. Já vi que hoje vai ser um dia quente; preciso me preparar.
Depois de preparar tudo, desço ate a garagem pra pegar minha moto, minha linda ninja. Meu pai queria que eu comprasse um carro porque, na percepção dele, é mais seguro, mas eu não faço o tipo que anda em uma bolha.

Eu prefiro usar minha calça de couro quando estou de moto; é mil vezes mais confortável.

— Dona Liza está um espetáculo hoje.

Oscar sempre foi gentil comigo desde que me mudei para cá.

— Bonjour, meu amigo.

Acelero a moto e buzino pra ele. Escuto sua gargalhada de longe e sorrio em resposta. Sigo em direção à avenida que passa pelo Louvre, um dos monumentos que mais me chama a atenção. Parece tão delicado por fora, mas por dentro esconde uma beleza inimaginável.

Corto entre os carros. A viseira do meu capacete começa a ficar embaçada, então a abro para  poder enxergar melhor. Olho pelo retrovisor e noto que as ruas hoje estão muito mais movimentadas do que o normal. Um carro ultrapassa por mim com velocidade. Meu coração acelera, e sinto o suor escorrer pelas costas. Engulo em seco — eu realmente odeio tumultos.
Tento cortar entre os veículos, mas vejo de relance o carro fechar o caminho, atingindo a lateral da minha moto. Me esforço para manter o equilíbrio e consigo manter a moto de pé.

— Filho da puta! — xingo com todo o meu ódio quem quer que esteja naquele carro.

Desço da moto no mesmo instante em que ele para o carro. Todos ao redor estão indignados, buzinando. As pessoas só estão querendo ir ao trabalho ou continuar suas vidas normalmente, enquanto esse infeliz não soube olhar o maldito retrovisor antes de me trancar. Tiro o capacete e vou até a janela do motorista.

— O que diabos você estava tentando fazer? — esbravejo.

Ele abaixa o vidro, revelando um senhor ao volante.

— Senhora, peço que se acalme. Você está bem? — pergunta ele, com um tom de preocupação aparentemente genuína.

— Bem? Você quase me atropelou! Eu poderia ter caído e me machucado feio por causa da sua imprudência!

— Imprudência?
Ouço uma voz no banco de trás
- talvez se você não estivesse tão agoniada e espera-se sua vez de ultrapassar e ao invés disso ficou cortando os carros como louca nada disso teria acontecido.
Vou até o vidro do banco do carona
- quer saber do fundo do meu coração eu quero que você e seu motorista se ferrem
Ele levanta o rosto e consigo ver seus olhos verdes sinto um frio e os pelos do meu braço se eriçam, ele larga o notebook e sai do carro eu dou um passo para trás quando ele fica a minha frente tenho que levantar a cabeça para olhar em seu rosto pela sua vestimenta já sei que deve ter muita grana ou é um filho bancado pelo pai sem nenhuma preocupação ou dono de alguma coisa.
- você é tão mal educada.
Ele vai até minha moto olha pro retrovisor no chão enquanto a mais buzinas e pessoas dizendo pra gente não atrapalhar o trânsito
- quer que eu mande ajeita ou quer o dinheiro?
Acho graça, o meu sorriso é tão irônico que ele levanta uma sobrancelha e cruza os braços em uma postura intimidadora
- tá brincando, por favor me diga que é brincadeira, eu não quero seu dinheiro seja lá quem você for acha que é simples fazer as coisas e sair assim pagando tudo.
Isso me irritou de tal forma, olho no relógio e vejo que já estou atrasada, pego o capacete e coloco na cabeça.
— Não entendo por que ficou frustrada. Quer que eu te leve pra jantar? Por favor, isso não é um livro ou conto de fadas.
Me aproximo dele olhando no fundo de seus olhos.
— Vou repetir: eu não quero o seu dinheiro. só peça pro seu motorista ter cuidado e, da próxima vez que fizer isso, ou qualquer coisa lembre de pedir pelo menos desculpas, ok.
Ele semicerra os olhos e solta um suspiro de deboche.
Subo na moto e acelero deixando-os para trás.
— Quem ele pensa que é. Falo em voz alta pra aliviar o ódio que sinto, e ainda por cima vou me atrasar passo em frente ao hotel em direção a garagem e vejo Albert saindo do carro, tenho exatamente menos de vinte minutos contando agora para está na sala antes dele, acelero a moto, quase atropelando os acionistas da reunião de hoje.
— Foi mal!!!. Grito na esperança de que eles não me notem daqui a pouco.
Derrapo com o pneu na hora de parar, tiro o capacete e dou uma conferida na lateral batida. O retrovisor não presta pra nada e a carenagem lateral está em ruínas.
— filho da mãe, almofadinha de merda!!!. Algumas pessoas que estavam pegando o elevador e resolveram prestigiar a cena.
Preciso me apressar aperto no botão pro elevador descer, mas ,ele simplesmente não está funcionando. Dou um leve soco na porta que dói e muito, corro até a a escada pra tentar pelo menos chegar primeiro subo seis lances já ofegante e com a testa cheia de bolhas de suor. Entro na minha sala pra trocar a calça lá mesmo, corro o risco de alguém entrar mais dane-se, quase caio por cima dos bancos , mas consigo coloco a camisa por dentro da saia, corro ate a sala de reuniões. vejo quando Albert entra acompanhado e vou logo atras, sinto alguém tocar no meu ombro.

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⏰ Last updated: Jan 13, 2025 ⏰

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