Passos pesados ecoam pelo vasto corredor escuro, há vozes de fundo mas o som do molho de chaves sendo jogado para cima e segurado passa entre as vozes fazendo elas se calarem. Está cada vez mais próximo...
De repente um silêncio geral, sem vozes, sem passos, sem chaves...o barulho de grade abrindo e rangendo vem da frente...levanto o olhar ao escutar a voz grossa me chamar
"Morgana..."-ele da uma pausa suave e continua-"Rápido, você tem visita"
Antes que eu pudesse me levantar o policial me coloca de pé e me algema,sou levada até a sala de visitas e me sento na mesa,de frente para ele...o culpado de eu estar onde estou!
"Por que veio aqui?"-questionei olhando seriamente em seus olhos-"Você está tão atoa assim? Veio me pedir desculpas por me trair e me colocar aqui?"
Ele olha para baixo e sorri de maneira cínica
"Você é doente Morgana!"-ele me olha-"Como foi capaz de fazer isso?"
"Você me traiu!"-falei calmamente penetrando sua alma com meu olhar-"Quer que eu te lembre? Na verdade...você lembra exatamente como foi né?! Mas caso não se lembre, pode deixar que eu refresco sua memória!"
"Quando meu pai faleceu e minha mãe arrumou outro homem eu prometi para mim mesma que não continuaria lá, então eu peguei uma quantia de dinheiro da minha mãe e sumi.
Vim para cidade,arrumei um lugar para ficar e segui minha vida...até entrar na cafeteria aquele dia e ver você!
Você do jeito que é, Brutus, já logo veio dar em cima de mim, e eu até que te achei bonitinho e resolvi ceder. As idas a cafeteria passaram a ser mais frequentes, até que tivemos nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo...
Não demorou muito para nos apaixonarmos...que tolice!
Com o tempo começamos a nos encontrar todos os fins de semana e enfim você me pediu em namoro...que lindo conto de amor...
Até que esse lindo conto de fadas se tornou um pesadelo...E A CULPA É TODA SUA BRUTUS!"-dei um tapa na mesa me levantando e logo apontei o dedo na direção de Brutus elevando o tom de voz para ele.
O meu ato chamou a atenção de um policial que logo veio até mim me algemando falando que o tempo de visita havia acabado.
Enquanto caminha pelo escuro corredor as vozes das presas se calavam conforme eu me aproximava de suas celas,olhei para baixo e sorri.
Estava tudo dando certo!
O policial abriu minha cela e entrei na mesma logo olhei para o policial que fechava minha cela,sorri sem mostras os dentes e me deitei.
