Bar qualquer.

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O Narrador

     Em um bar localizado dentro de uma das florestas densas do Canadá, encontrava-se uma mulher de vestes surradas, mas apropriadas para o frio. Ela permanecia sentada no balcão, observando o local que havia encontrado para se proteger da nevasca. Era um estabelecimento simples, mas aconchegante, iluminado por uma luz fraca e amarelada. As paredes eram feitas de madeira, dando um toque rústico ao ambiente. No canto do lugar, havia um grupo de homens gritando e rindo, claramente bêbados e possíveis caçadores. A mulher estava sentada a cerca de 4 metros de distância dos rapazes, e sua atenção estava na lareira que crepitava com um som aconchegante, fazendo-a esquecer o caos que cercava sua mente.

     Os homens começaram a levantar um pouco a voz, fazendo com que a mulher passasse a prestar atenção na discussão. Aparentemente, eles haviam saído para caçar na floresta, mataram alguns animais, e agora se gabavam das capturas. Os gritos e insultos começaram a ficar mais altos, e parecia que estava prestes a se transformar em uma briga. A mulher suspirou, um pouco irritada com a possibilidade de a situação piorar, e estava prestes a se levantar do banco em que estava sentada, quando o sino que ficava no batente da porta tilintou: alguém havia entrado no bar. Por poucos segundos, a briga cessou, e todos os clientes voltaram sua atenção para o homem que acabara de entrar no estabelecimento. A mulher acompanhava o movimento dele com o canto dos olhos; a briga, infelizmente, recomeçou, e o homem misterioso sentou-se ao lado dela, apoiou o cotovelo na mesa e fez um gesto:

- O de sempre. - Sua voz era grave e com um tom de desdém.

     Rapidamente, o garçom serviu um pouco de um líquido dourado em um copo que não parecia estar devidamente limpo. Com ele por perto, a mulher começou a analisar, pelo canto do olho, suas vestimentas. Por mais que o clima lá fora estivesse próximo a -5 graus, ele não usava mais que uma camiseta branca, calça jeans e uma simples jaqueta de couro. Diferente da mulher, que usava uma calça bem grossa, botas pretas na altura do tornozelo, umas 3 ou 4 blusas por baixo de um sobretudo na cor vinho, cachecol e uma touca para finalizar seu look de inverno.

- Da próxima vez, vou caçar a cadela da tua mãe! - exclamou um dos caçadores bêbados.

     Aquilo foi o suficiente para desencadear alguns empurrões e xingamentos. A mulher fechou os olhos, frustrada e exausta com o barulho que ecoava por todo o bar. Alguns clientes pareciam bem incomodados, inclusive o homem sentado próximo ao balcão, que agora aproveitava um charuto. Ele estava com as sobrancelhas franzidas enquanto ouvia a discussão, que estava indo longe demais. Ao julgar a tensão que seus ombros carregavam e pela determinação expressa em seu rosto, era nítido que ele iria intervir a qualquer momento.

     Os caçadores finalmente começaram a trocar socos. Barulhos de vidro quebrado e de copos caindo ecoaram no bar; alguns clientes gritavam e se afastavam do caos. O homem finalmente se levantou, impaciente. Ele ainda mantinha o charuto na boca e caminhava em direção ao grupo; os caçadores não notaram sua presença, ocupados demais em se agarrar e gritar.

     Assim que o homem chegou perto da briga, ele colocou cada mão firmemente no ombro dos dois caçadores que estavam mais agitados, e agora sua presença era notável.

- Fica fora disso, Logan. - Um dos caçadores bêbados desafiava o homem.

     Logan ignorou o bêbado e simplesmente afastou os dois com facilidade, apesar da diferença de altura. Enquanto os homens estavam atordoados, Logan lançou um olhar nada convidativo para cada um deles e disse em uma voz firme, com o charuto entre os dentes:

- Vocês estão incomodando os outros clientes. Calem a boca ou saiam da porcaria do bar.

     Os homens pararam de se debater e pareciam completamente surpresos com a forma como Logan controlou a situação. Um deles rapidamente abriu a boca para responder algo desagradável, mas o outro deu um tapa em sua nuca, dizendo:

- Cala a boca, idiota, não dá para brigar com esse cara.

     Agora que a confusão havia terminado, Logan soltou os homens e deu um passo para trás, cruzando os braços enquanto os olhava de cima. Eles rapidamente se retiraram do bar, parecendo um pouco envergonhados.

- Nós só estávamos... - começou um dos homens, mas se calou rapidamente quando Logan franziu as sobrancelhas.

     A mulher, que estava vendo toda a cena, soltou um breve riso, achando hilária a forma como Logan intimidou os caçadores.

     Logan se virou e voltou para o balcão, encarando a mulher; parecia surpreso por ela não parecer assustada com a situação. Então, deu um leve aceno de cabeça para a moça, que achou a situação engraçada, e ela rapidamente desviou o olhar.

     Notava-se que os outros clientes suspiravam de alívio e até agradeciam a Logan por ele ter apaziguado a situação.

     Logan voltou ao balcão, mas desta vez encarando a mulher misteriosa. Ele notou suas vestes exageradas devido ao frio, seus cabelos cacheados em um tom de ruivo dourado e, não menos importante, seus olhos arredondados, de um marrom claro caramelado. Ele apoiou os cotovelos no balcão e continuou a encará-la. A mulher retribuiu, encarando os olhos acinzentados de Logan. O silêncio finalmente se quebrou:

- Perdeu alguma coisa na minha cara? - A mulher desviou o olhar e voltou sua atenção para o copo à sua frente. Seu tom de voz era doce, apesar de afiado e com um desinteresse aparente.

     Logan deu uma curta risada, parecendo surpreso com o jeito dela falar, mas logo respondeu:

- Não, só estava admirando a cor dos seus olhos. Parecem mel. - Ele se apoiou mais no balcão e virou todo o corpo na direção da mulher.

- Já ouvi isso antes. - A mulher respondeu sem olhar para ele, parecendo desinteressada na conversa.

    Logan deu um meio sorriso, apoiando o queixo nas mãos, e continuou a encarar a mulher misteriosa e arrogante.

- Imagino que já tenham lhe dito várias coisas. Aposto que os canadenses não conseguem se controlar.

X-Enemies - WolverineWhere stories live. Discover now