Capítulo Único: E Agora?

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O céu estava azulado com algumas nuvens trazendo uma sombra agradável junto com a brisa gelada que contrastava com o calor do sol naquela tarde. Por mais inacreditável, o dia de Yato estava tranquilo, não havia pedidos e nem mesmo seres do outro lado da margem causando confusão – provavelmente outros deuses como Bichamonten estavam cuidando disso.

Deitado na sala da casa da Kofuku, o deus da calamidade ficou sozinho em silêncio com seus próprios pensamentos, o que o deixava calmo e inquieto ao mesmo tempo. Desde que conheceu Iki Hiyori se importou muito com o bem-estar da garota, porém nos últimos tempos a dona dos cabelos castanhos mais lindos que já vira não saia de sua mente. Todo momento em que fantasiava momentos com um pouco mais de intimidade que já tivera com a garota ou quando relembrava de momentos "constrangedores" com ela, seu coração acelerava e logo se revirava no chão, tentando a todo custo mudar o curso de seus pensamentos.

Yukine que sempre foi um excelente observador, notou que seu mestre estava mais estranho do que o normal e depois de ver as mais recentes interações com Hiyori, constatou a paixonite do mais velho. O loiro, assim como Yato, sabia que existiam regras sobre relacionamento entre deuses, humanos e regalias.

Regalias tem que se manter o máximo possível neutras – sem esquecer que foram humanas e naturalmente não seriam como robôs – para manter a saúde dos mestres. Deuses são considerados do mundo sobrenatural, algo que naturalmente não se mistura com o mundo humano e que poderia causar um grande desastre caso se misture por muito tempo.

Hiyori conseguia ter os momentos com eles por estar sempre saindo do próprio corpo, como uma alma vagante, mas se ficar muito tempo fora, poderia vir a falecer. Muitos podem pensar que por amor vale tudo, por que não morrer para ficar no outro plano espiritual com o deus que ama? Bom, quando um humano morre, ele vai para o outro lado como uma alma pura ou um ser do outro lado da margem, ou seja, ou ele vira regalia ou vira algum monstro. De todo modo a memória de vida se é perdida e o amor que tanto cultivou se é perdido.

Em passos lentos, Yukine se aproxima de seu mestre e se senta ao lado dele preparado para qualquer desvio de assunto.

— Yato, precisa parar de se martirizar assim, você sabe que vai ter que se separar de todo modo... — suspirou vendo os olhos azuis de seu mestre o olhar assustado.

— Do que infernos você está falando? — se ajeitou para sentar-se de frente para o loiro.

— Hiyori. Sei que é por causa dela que está assim — o encara sério.

— Hiyori? O que? — dá uma risada abafada — eu estava pensando em como pagar a Kofuku por nos deixar morar aqui por tanto tempo, não seja burro! — exclama como se fosse óbvio — já pensou no que vai fazer de almoço hoje, hein? — tenta desviar o assunto.

— Não tente me enganar, lembra que a gente compartilha tudo, menos o seu único neurônio — o loiro solta uma risada enquanto Yato se faz de ofendido.

— Escuta aqui seu muleque, eu vou te deixar dormindo no quintal! — ameaça.

— Tente. Kofuku jamais deixaria e provavelmente você seria jogado pra fora de casa — se diz convencido — agora é sério, Yato, você sabe que não pode deixar Hiyori do jeito que está e ela vai se esquecer da gente. Você só precisa decidir se vai apenas esperar para cortar os laços com ela quando for a hora ou se vai aproveitar os momentos com ela enquanto podem durar... — foi sincero.

— Ok, só... — suspirou pesadamente — me deixe pensar um pouco mais. Prometo que ainda hoje resolvo o que vou fazer... Obrigado, Yukine! — agradece dando um meio sorriso.

O tempo não demorou a passar e Hiyori apareceu na casa de Kofuku após um dia cansativo de aula. O dia todo ficou pensando em que tipo de atividades faria com Yato e Yukine, seria noite de filmes ou jogos? Eles conversariam sobre o mundo deles ou sobre o dela? Yato ficaria mais perto dela ou a evitaria como na última vez?

The Heart Wants What It WantsHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora