Capítulo 1

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Era o começo da manhã, os raios de sol batiam em meu rosto me despertando de uma noite um tanto quanto tumultuada, abrir os olhos era completamente difícil, porém era necessário os abrir, afinal hoje era um dia totalmente diferente dos outros que já tive, hoje eu teria que ir embora da casa da minha doce e incrível mãe, para ir morar com o atormentado do meu pai, que acreditava incessantemente de que algo ruim estava para acontecer comigo se continuasse com ela.

Me sentei na cama ainda pensativa lembrando e repassando na mente todo o sonho esquisito da noite passada, um homem envolto em sombras chamava por meu nome e me dizia coisas esquisitas, muitas eram sobre eu ser a escolhida e predestinada a cumprir a profecia, mais outras eram bastante difíceis de entender… Fui tirada de meus próprios pensamentos pela batida na porta que eu sabia que era da única pessoa que vivia comigo naquela minúscula casa, virei minha cabeça para a mesma e soltei um sorriso sincero.

– Tudo pronto, querida? – Minha mãe Eleonor falou cruzando os braços e dando o mesmo sorriso sincero que o meu

– Quase tudo mãe – Falei me levantando da cama e me espreguiçando

Por conta dos sonhos esquisitos que tinha, vivia dormindo de porta aberta e qualquer grito que minha mãe ouvisse ela sempre vinha correndo verificar o que estava acontecendo comigo, ela dizia que isso acontecia como um castigo para ela, por amar um homem mentalmente perturbado, porém nunca soube se era mesmo verdade ou não. Fui até meu armário e peguei um vestido de alcinhas preto e que ficava justo em meu corpo, peguei também uma calcinha e um sutiã da mesma cor do vestido, além da minha toalha que estava dobrada dentro da gaveta do armário, passei por minha mãe e me direcionei ao banheiro.

Já no banheiro, retirei meu pijama e minhas roupas íntimas e as coloquei em um canto do banheiro, e voltei a minha atenção ao grande espelho que a poucos dias havia sido instalado no banheiro, a pessoa que me encarava de volta era uma completa desconhecida, o que via era uma jovem mulher de 19 anos, magricela, pálida e com o semblante doente, suspirei sabendo que aquela visão era só coisa de minha imaginação e fui para dentro do box.

Já ali dentro, ligo a torneira do chuveiro e sinto a água gelada cair em meu corpo fazendo com que a tensão que ali havia começasse a se adormecer, enquanto a água escorria por meu corpo e molhava meus cabelos, eu pensava no sonho da noite anterior, no meu sonho havia um homem que aparentava seu 21 anos, ele tinha cabelos negros, o rosto era indecifrável pois estava desconfigurado para mim, aparentava ter 1,70 de altura.

Suspirei de novo e afastei o pensamento do sonho da minha cabeça, peguei o sabonete e passei no corpo e logo me enxaguei, peguei o shampoo e apliquei nos cabelos deixando o tempo necessário para agir e logo o enxaguei também, o condicionador foi o mesmo processo, quando me senti totalmente calma e limpa desliguei a torneira do chuveiro e peguei a toalha que estava dobrada a enrolando em meu próprio corpo, eu não tinha coragem de olhar novamente para o espelho, não depois da imagem distorcida que havia parecido de mim mesma, respirei fundo e peguei o pente que eu deixava em cima da cômoda da pia do banheiro e comecei a pentear os fios recém-lavados do cabelo, eles pareciam leves e bastante cheirosos com a limpeza que havia sido feita e eu estava feliz com isso.

Dei uma leve olhada para o espelho, a mesma figura com continuava lá, suspirei e sem pensar duas vezes peguei a única teusora que havia naquele banheiro e cortei algumas mechas de meu longo cabelo ruivo, vendo as mechas cair no chão e me sentindo um pouco melhor, larguei a tesoura em cima da pia e vesti a minha roupa escolhida para o dia de hoje.

Quando sai do banheiro me sentindo renovada, voltei ao meu quarto deixando a toalha estendida no cabideiro, peguei minha mala e minha mochila escolar e verifiquei todo o conteúdo dentro dela, vendo eles estando todos certos, sai do quarto o trancando na chave que carregava comigo e a guardei no bolso da mochila e fui para a cozinha onde minha mãe me aguardava como sempre.

— Temos de café da manhã, Suco de Maracujá e Pão com Pasta de Amendoim e Geleia — A minha mãe relatou servindo um copo bem cheio de suco para mim.

— Obrigada mãe, a senhora é a melhor — Falei me sentando e tomando um grande gole do suco.

Eu comi em silêncio junto com minha mãe, era uma coisa totalmente nova, eu teria que ir embora e a deixar sozinha, como eu poderia fazer isso com ela?

Enquanto estava perdida em meus próprios pensamentos ouvi o barulho de buzina surgi na porta de casa e eu sabia que era meu pai.

Me levantei triste e beijei a testa de minha mãe, eu não tinha palavras e nem ela para podermos nos despedir, sorri de leve para ela e logo peguei minha mala e fui em direção a porta principal da casa de minha mãe.

Quando botei a mão na maçaneta da mesma eu me segurei para não soltar ela e sair correndo de volta para a minha mãe, para poder abraçar ela melhor e dizer que eu não queria ir embora, porém eu sabia que ela iria querer que eu fosse e com todas as forças do mundo e com as lágrimas descendo silenciosamente em meu rosto abri a porta.

A Princesa das TrevasWhere stories live. Discover now