33 1 0
                                        

Julia nunca foi a garota mais extrovertida que alguém já conheceu, mas também não era a mais tímida. Sempre soube se comunicar com qualquer um, independente da idade que tivesse, porém eram poucos aqueles que ela poderia chamar de amigos e no momento, ela se via quase que com nenhum.

— Ainda não consigo acreditar. — Maria resmungou enquanto dirigia tranquilamente pelas ruas de Los Angeles e Julia apenas ouviu de boca fechada, pois sabia que o mau humor da irmã mais velha não era sua culpa. — É o seu último ano!

— E eu não iria passar o meu último ano no ensino médio sendo excluída! — Julia argumentou, recebendo como resposta um olhar de cínico. A mais nova apenas revirou os olhos, vendo a irmã virar a esquerda. — Vai se fuder.

Maria apenas riu do xingamento que foi dito em sua língua materna, o português, e Julia apenas desistiu de manter a conversa viva. Sabia que qualquer coisa que dissesse seria refutada por um olhar ou frase, e ela queria manter sua paciência para enfrentar a escola nova e os novos colegas.

Decidiu, então, se concentrar na música que tocava. "Aonde Quer Que Eu Vá", canção de 'Os Paralamas do Sucesso', estava tocando e sorriu, sua irmã poderia ter um péssimo gosto para homens, mas seu gosto musical era de fato um dos melhores. Julia gostava de como a irmã manteve vivo sua raiz brasileira e tudo que vinha com ela.

Ouviu Maria cantarolar a letra e ponderou em perguntar o motivo do seu nervosismo, já que batia de modo frenético os dedos no volante do carro no ritmo da música e mordia o lábio inferior com uma força desnecessária que, definitivamente, causaria hematomas. Entretanto, não lhe perguntou, pois sabia que receberia um "Não é da sua conta, quatro olhos." como resposta.

Julia estava tão presa em seus pensamentos que só se deu conta que chegou na porta da nova escola quando um garoto, que não foi possível ver o rosto apenas a cor do seu cabelo - que era um rosa forte -, passou correndo na frente do carro de sua irmã.

— Olha por onde anda, idiota! — Gritou Maria após abrir a janela. O garoto te ignorou. Julia, entretanto, riu da cena de sua irmã.

— Obrigada pela carona. — Julia já estava abrindo a porta do carro para descer quando Maria se esticou para tornar a fechá-la. A mais nova a olhou com raiva. — O que foi agora?

Calma, estressadinha! — A mais nova revirou os olhos pela provocação, fazendo a outra rir alto. — Pode desfazer essa postura de má, pois sabemos que você não mata nem uma mosca.

Por mais que o tom de voz de Maria tivesse sido de brincadeira, havia sim um pouco de verdade. Julia sempre foi muito pacífica, tentava a todo custo não se envolver em grandes brigas, entretanto as vezes era necessário, não que sua irmã soubesse disso.

Julia observou sua irmã mais velha com cuidado. Seus cabelos curtos e cacheados estavam uma bagunça, seus olhos castanhos amendoados estavam transbordando insegurança, seus dedos machucados de tanto roer as unhas e sua respiração descompensada entragavam seu nervosismo. Quis rir do exagero de Maria, essa que não sabia o que fazer ou dizer, então a mais nova decidiu agir.

— Você está ansiosa para o seu primeiro dia de aula na faculdade. — Confirmou a mais nova, vendo a irmã sorrir amarelo ao ter sido "pega no pulo", como diz o ditado brasileiro. — Não há necessidade disso. Sei que é clichê o que irei te dizer agora, mas é a mais pura verdade; Você é foda e vai conseguir aquele diploma de direito!

Maria sentiu vontade de chorar. Julia, mesmo sendo dois anos mais nova, sempre foi sábia e madura demais para a sua idade. A garota conseguia te acalmar com apenas um olhar ou abraço, e amava como ela era um doce e compreensível.

Não se conteve, puxou a garota para um abraço forte, enquanto sussurrou "Obrigada, maninha." deixando uma única lágrima descer do seu rosto. A mais nova sorriu, aproveitando o abraço apertado e acolhedor da irmã.

— Ok, ok, ok! Já tomei muito seu tempo! Vai acabar se atrasando no primeiro dia. — Maria de afastou se sentindo um pouco mais calma e sorriu para a irmã. Julia fez uma careta como resposta, e a mais velha estranhou o fato da irmã mais nova estar calma demais, porém não comentou.

— Melhor você ir. Te busco as três em ponto! Nem um minuto a mais e nem um minuto a menos! — Ordenou a mulher, enquanto a assistia sair do carro e pegar sua bolsa e antes mesmo que essa pudesse dizer algo, o carro já não estava mais ali.

Também te amo, cabeça de vento. — Disse num sussurro ao assistir o carro sumir de sua vista.

Sorriu, respirou fundo e finalmente virou as costas para encarar o prédio enorme de sua nova escola. Observou a enorme quantidade de alunos que passavam pela fachada entrando no local, todos em grupos ou sozinhos mexendo no celular com fones de ouvidos conectados.

Se viu perdida naquela multidão e foi quando a realidade que estava vivendo se fez presente. Antes de entrar em pânico entrou naquele mar de gente, rumo a sua nova vida com uma certeza; "Esse será um ano melhor!"

Português/PT-BR × "Inglês"

guilty as sin? × wlwStories to obsess over. Discover now