Prólogo

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Um cadáver pequeno e frágil estava jogado em meio a uma imensidão natural, uma floresta que agora era manchada de sangue em suas raízes e no centro de seu coração.

As árvores abundantes e viçosas balançavam violentamente ao vento, se debruçando umas sobre as outras. O tempo estava fechado, as nuvens carregadas de um cinza torturante, como se a qualquer momento fossem explodir milhares de gotículas grossas de água sob a terra seca e aquele cadáver quente e injustiçado.

Era apenas uma criança, uma doce menina

Minha doce garotinha...

— Não a tirem de mim, por favor, eu imploro, não!- Crissy gritava e balbuciava se aproximando do corpo sem vida - Na-n-na... N-n-não!

As lágrimas jorravam de seus olhos, seu rosto era inundado com aquela onda salgada e amarga ao mesmo tempo. Seu primeiro instinto materno foi agarrá-la a seus braços para proteger do inevitável, beijava-a dizendo palavras consoladoras, a apertava contra seu peito, tentando recuperar o fôlego perdido pelo choque da perda. A qual se recusava a enxergar.

— Vai ficar tudo bem, querida. Papai e eu vamos te levar pro hospital e não há nada a temer, sem medos, okay? - Acariciava seu rosto rosado e quente que aos poucos empalidecia e esfriava. - Mamãe vai fazer um chocolate quente com creme, o seu preferido, amorzinho, você se sentirá muito melhor.... Mais quente... Mais saudável.. M-mais v-viv-vi...

Os céus cederam e uma chuva começava a invadir o que restava daquela cena. Uma mãe devastada e uma filha em silêncio.

Ou silenciada?

— Alice... Alice.... Alice? — Ela insistia em tocá-la, sacudi-la suavemente, sua pele já estava totalmente gélida. Os cabelos dourados da menina se perdiam em um desbotado sem vibração, seu corpo estava mole e imóvel, sem vitalidade. — Por favor, me ouça, pequenina, não durma assim, mantenha-se acordada, papai e mamãe vão te ajudar.

Crissy olhava para o lado, em busca de vestígios de seu marido, mas a única coisa que enxergava eram os vastos troncos das árvores e a vegetação daquele local. Ela estava perdida, com medo e confusa, com uma filha sem vida em mãos.

Sem forças, não tinha mais nada para se agarrar. Alice deslizou de seus braços até se recostar no chão como uma gelatina, torta, agoniante, a alma não estava mais presente.

Eu realmente a perdi? Ela não está mais aqui? Quando? Como? Por que? A culpa é minha.... Minha mente não para de me massacrar. Eu sou uma mãe terrível! Eu sou um ser nojento e desprezível! 

De repente sua visão escurece e fica turva, ela tenta se manter de pé, mas fraqueja. Tudo estava caindo em escuridão, não havia floresta, não havia sons, não havia corpo em lugar algum. E antes que pudesse esquecer de sua existência, ou o que sobrara dela, um vulto corpulento aparece a sua frente.

Quem era? 

Não, não importa mais... Tudo a minha volta desapareceu, eu desapareci, e gostaria que continuasse assim... 





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⏰ Last updated: Jun 14, 2024 ⏰

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