1

3.8K 86 9
                                        

.
.
.
.
.

Bianca

- PORRA PAI TU NÃO CONSEGUE FICAR UM DIA SEM ENCHER A CARA? - Grito descendo as escadas ouvindo ele quebrar os copos

Roberto- CALA A BOCA - Escuto mais coisas sendo arremessadas no chão de lá da cozinha, desço na sala e corro até lá

- Pai sobe e vai tomar banho agora! - Vejo os pratos sujos que estavam na pia despedaçados no chão. Poxa meus pratos que tinha comprado quando cheguei, que velho filho da puta

Roberto- Olha aqui - Aponta o dedo - Você não vai me dizer o que tenho que fazer e muito menos gritar comigo, se não eu te mato - Diz embolado

- Por favor pai... Vamos - Chego mais perto mas ele faz um movimento brusco então me afasto

Roberto- Eu bebo pra esquecer filha - Ele começa a chorar - Pra esquecer ela

- Pai... - Meus olhos se enchem de lágrimas

Roberto- Sai daqui Bianca - Diz cambaleando até mim. Vou me afastando e ele vai até a sala

- Me dê essa garrafa - Puxo a garrafa da mão dele e dou um passo pra trás

Roberto- CÊ TÁ QUERENDO APANHAR NÉ?

- CHEGA PAI! VEM AQUI - Pego ele pelo braço e sinto meu corpo se arremessado no chão

Roberto- Agora você vai aprender - Diz tirando o cinto. Meu pai não costumava me bater quando era criança, nem minha mãe, mas depois que minha mãe morreu ele é outro, qualquer coisa me batia, principalmente quando bêbado, mas agora que sou maior de idade ele parou. Minha única reação é levantar e correr pro meu quarto. - Bianca volta aqui - Fecho a porta tranco e deito na cama tentando dormir novamente, deixo escapar algumas lágrimas mas acostumada com a situação logo adormeço pelo dia cansativo.

Acordo me espreguiçando e logo levanto, pego uma roupa no guarda roupas vou ao banheiro fazer minha higiene e logo estou pronta pro dia. Desço as escadas já sabendo o que vou encontrar, meu pai jogado no sofá e sua maldita garrafa no chão. Já tinha deixado tudo limpo e organizado ontem pra descansar mas isso não funciona aqui... Deixo pra limpar a cozinha pra depois tomo café e vou trabalhar correndo! Consegui um emprego finalmente, estou trabalhando como vendedora de uma loja perto da minha casa, estou muito feliz com meu trabalho apesar de não ser exatamente o que eu queria... Adoraria ter minha própria loja de roupas e sapatos, moda é minha paixão e sempre foi! Eu amo o que faço. Minha chefe e minha amigas que trabalham comigo são ótimas pessoas! A loja vai muito bem e estou feliz com isso.

[...]

Meu coração para com a notícia, não consigo me mexer! As lágrimas apenas escorrem pelo meu rosto...

Y- Senhora? Metade do corpo foi salvo. O corpo irá ser levado ao IML...

- Não... - Balanço a cabeça em negação enquanto ouvia aquela voz. Desligo o telefone

Vejo sua camisa xadrez azul jogada no sofá, subo as escadas e finalmente chego no meu quarto e então olho pra minha gaveta onde há meus antidepressivos

𝑻𝒐𝒅𝒐𝒔 𝒆𝒍𝒆𝒔 𝒆́ 𝒐 𝒔𝒖𝒇𝒊𝒄𝒊𝒆𝒏𝒕𝒆 𝑩𝒊𝒂𝒏𝒄𝒂

Minha mãe morreu por uma bala perdida na favela do Rio de Janeiro, morávamos lá perto mas eu e meu pai evitávamos contato, menos minha mãe, sempre alegre e energética, sempre no pagode com as amigas naquele meio, meu pai e ela brigavam só por esse motivo, perdi minha mãe, e agora meu pai, que se suicidou, jogou gasolina no próprio corpo e se queimou, teve metade do corpo salvo mas o resto virou cinzas, isso é tudo que eu sei e sinceramente não quero saber mais... Eu não tenho mais ninguém, e não há outra pessoa pra perder, ninguém mais se importa comigo, eu não tenho mais motivos pra estar aqui, nunca tive desde que minha vida virou uma merda, eu preciso morrer.

[...]

Olho pra mim mesma no espelho e estou acabada! Pego dois antidepressivos diferentes e meu remédio pra dormir. Vou até o banheiro e logo ligo a banheira, eu não aguentava mais aquela tortura psicológica, eu preciso que isso seja rápido. Entro na água e pego a garrafa de vinho apoiada na banheira e começo a tomar a primeira caixa. Sou surpreendida por um barulho estranho.

X- Tem alguém aí? - Escuto a voz de um homem e passos - Um barulho estranho me assusta - Puta que pariu mulher desorganizada - Os passos ficam mais altos e sinceramente só consigo escutar e não fazer mais nada. Até que a maçaneta da porta é girada lentamente e a porta se abre devagar o homem entra e solta um grito junto a um palavrão. Ele fica alguns segundos ali e logo volta a me olhar com uma cara assustada - Você... O que você... - Olho ele de cima pra baixo reparando em suas roupas, uma calça moletom preta, tênis branco da Nike e um moletom preto com capuz que escondia metade de seu rosto

- Você é um ladrãozinho de sorte - Sorrio - Pode pegar o quiser.

X- Calma, eu não sou um ladrão, você tá tentando se matar? - Diz se aproximando.

- Não é da sua conta - Digo engolindo os comprimidos. Ele fica ali me olhando por um tempo

X- Ah... - Ele sai e fecha a porta. Continuo o que estava fazendo e fico ali deitada na banheira com a cabeça de fora, esperando eu adormecer para me afundar. Era mais fácil ter me jogado na frente de um caminhão, mas agora já era...

[...]

Sinto minha visão borrar e minha mente ficar cada vez mais fraca, um barulho alto faz meus ouvidos doerem, olho pra cima e vejo um homem vir correndo até mim, sinto ele colocar dois dedos na minha garganta fazendo meu estômago revirar, logo eu vomito um líquido e sinto cada vez mais meu corpo mole, e ai sinto meu corpo ser levantado...

Primeiro episódio! ❤

.
.
.
.
.

A Suicida Na FavelaHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora