Anthony

58 5 0
                                        

Do lado de dentro de uma pequena construção que abrigava dentro de si, diversas crianças contra o frio de pouca piedade do inverno. O local tinha uma lareira onde um grupo de pequeninos estava reunido, o tédio era algo que pairava pelo lugar enquanto eles admiravam em silêncio o fogo que devorava os papéis e gravetos, diversas coisas parecem ter sido utilizadas para o combustível do fogo. Até que o silêncio finalmente teve seu fim, e foi quebrado por um dos pirralhos que disse.

─ O mundo é um lugar tão injusto! Natal não é natal sem os presentes que compartilhamos entre nós ─ Uma menina baixinha de pele morena e cabelos dourados ondulados que se enrolavam por sua cabeça como fitas, protestou.

─ Irene tem razão... ─ Arthur, o garoto loiro de olhos castanhos concordou com ela em um sussurro tímido tão baixo que mal pôde ser escutado pelos demais dentro da sala. A não ser por ele mesmo.

Outra chama ascendeu-se dentro da casa agora, dentro das crianças, motivados por Irene para também falar de suas frustrações sobre esse Natal sem presentes e então a sala antes silenciosa agora tornou-se barulhenta, até que algo fez com que todos se calarem-se por um momento novamente.

─ Deveríamos ser gratos pela simples ideia de estarmos vivos e termos uns aos outros aqui. Temos comida, isso não deveria ser o bastante?

Isso foi dito por Anthony, um pequeno dono de cabelos negros desordenados e pele pálida, provavelmente fruto de não pegar muito sol e olhos castanhos claros como avelã. Falou ele, com autoridade firme em sua voz, mesmo sendo apenas um pirralho como todos os outros ali presentes. O gritante acabará de chegar na sala onde todos estavam reunidos, ele parecia estar trabalhando em algo na cozinha dali junto da matriarca do local, que ofereceu a ele e todas as crianças dali um doce sorriso de orelha a orelha que exalava paciência.

─ O pequeno está certo. Afinal, existe maior privilégio do que estarmos vivos?

Ela declarou essas palavras naquela noite, para logo levar a mão até sua cabeça e a acariciar o cabelo de Antony e bagunça-los com carinho.

Mais tarde, após ocorridos que aconteceram como desgraça após desgraça, o pequeno descobriria que existia sim um privilégio maior do que estar vivo

Sentir-se vivo.

Há esse ponto passaram-se anos de salto no futuro. Onde esse momento que não existia mais, apenas poderia ser vivido por lembranças calorosas que Anthony não tinha outra escolha agora a não ser se agarrar fortemente a elas, atualmente. Ele se permitiu, agora, lembrar daqueles tempos, onde mesmo diante a dificuldade financeira presente, ele sentia-se aconchegado e amado, agora tais coisas não existiam mais.

Ele não estava mais no orfanato com os outros.

A velha governanta, que antes cuidava deles também morrerá em um infeliz acidente. Não demorou para que fosse substituída por outra, que diferente da senhora que marcará sua infância era rancorosa e descontava suas frustrações diárias nas crianças do local. Sua adolescência chegou, e então farto daquilo, fugiu junto a Irene e Arthur na época, porém, pouco pensaram sobre aquilo e suas consequências no momento da fuga.

De terem de encarar naquele momento o quão custoso e fadigante seria sobreviver naquelas ruas cruéis.

O grupo dos três adolescentes em fuga se arrastavam pelas partes desertas de alguma rua que pouco conheciam. Algumas pessoas que caminhavam por lá dedicavam-lhes olhares de repúdio e nojo, em sua maioria optando por andar ao outro lado da rua.

Arrastando-se como corpos sem vida miseráveis ambulantes, eles descansaram perto se uma ponte. Os pobres estavam tão exaustos que foram incapazes de continuar caminho e ficar abaixo da ponte, seus corpos já fracos e exaustos clamavam por descanso, acabaram por ficar caídos abaixo do sol escaldante.

Du hast das Ende der veröffentlichten Teile erreicht.

⏰ Letzte Aktualisierung: Jul 06, 2025 ⏰

Füge diese Geschichte zu deiner Bibliothek hinzu, um über neue Kapitel informiert zu werden!

Ladrões dividindo teto com detetivesGeschichten, die süchtig machen. Entdecke jetzt